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MP diz que ataques homofóbicos de padre contra repórter “extrapolaram liberdade religiosa”

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) informou, nesta quarta-feira (16/6), que está investigando um padre da Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, em Tapurah, município localizado a 451km de Cuiabá, após declarações homofóbicas contra o casal de jornalistas Pedro Figueiredo e Erick Rianelli, ambos da TV Globo.



Durante a celebração organizada pela Pastoral da Família, realizada no último domingo (13/6), o padre Paulo Antônio Müller chamou o profissional de “viadinho”, além de criticar a união homoafetiva, que estaria em desacordo com os dogmas religiosos. O caso ganhou repercussão após o ativista Antonio Isuperio, conhecido defensor de direitos humanos, publicar o trecho da missa em sua conta do Instagram.

“Em relação às declarações homofóbicas feitas durante uma missa por um padre da Igreja Católica no município de Tapurah (451Km de Cuiabá), o Ministério Público do Estado de Mato Grosso informou que instaurou procedimento investigatório para apurar os fatos e colher os subsídios necessários para adoção de medida judicial cabível”, afirmou o MP em nota à imprensa.

“O Ministério Público Estadual, por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa dos Direitos Humanos e Diversidades, repudia qualquer tipo de discurso de ódio. Reitera que as declarações efetuadas pelo padre extrapolaram a liberdade religiosa e que podem até mesmo resultar na propositura de medidas extrajudiciais, de ação civil pública por dano moral coletivo causado à sociedade, bem como ação penal, por eventual crime cometido”, afirmou.


O jornalista Pedro Figueiredo, da TV Globo, usou as redes sociais, nesta quarta-feira, para comentar a repercussão sobre o caso do padre que disparou ofensas e críticas homofóbicas contra a ele e ao marido, Erick Rianelli, também jornalista da emissora.

O casal voltou a viralizar na internet após receber Rianelli se declarar, ao vivo, a Pedro e por desejar feliz Dia dos Namorados. A gravação ocorreu no encerramento de uma edição do RJTV, jornal fluminense da TV Globo, no ano passado, mas voltou a ser compartilhado nas redes sociais.

Sem citar o nome do religioso, Pedro Figueiredo lembrou que o vídeo original é do ano passado, quando ganhou grande repercussão, mas que neste ano veio acompanhado “por mensagens de ódio”.


“Temos um profundo respeito por todas as religiões. Acreditamos no afeto e em seu poder de transformação. A Oração de São Francisco diz: ‘Onde houver ódio, que eu leve o amor’. É assim que vamos seguir em frente. Obrigado a todas as mensagens de carinho que temos recebido”, escreveu no Instagram.

Vídeo deletado

Após grande repercussão nas redes sociais, a Paróquia Nossa Senhora de Aparecida decidiu retirar do ar o vídeo publicado no Facebook.

Na gravação, o padre Paulo Antônio Müller aborda a divulgação do vídeo e dispara ataques ao casal de jornalistas. “Pega a Bíblia e olha o Livro Gênesis: Deus criou o homem e a mulher. Isso que é casamento. Que chame a união de dois viados e de duas lésbicas de qualquer coisa, mas não de casamento, por favor. Isso é falta de respeito para com Deus (sic). Isso é sacrilégio, é blasfêmia. Casamento é coisa bonita e digna. O sentimento do amor é entre homem e mulher, marido e mulher”, disparou o pároco.


Ainda no mesmo discurso com xingamentos sobre o afeto do casal de “ridículo”, o padre disse aos fiéis: “Por favor, que esta não seja a sua cabecinha também, tá? Nem do seu filho, nem da sua filha”.

Veja vídeo:

Rede de proteção


Segundo Antônio Isuperio, os voluntários da rede virtual de proteção aos direitos humanos tentaram alertar os perfis da paróquia pelas plataformas virtuais sobre a homofobia praticada pelo religioso, mas não obtiveram resposta, o que motivou a denúncia sobre o vídeo no perfil do ativista.

“Aconteceu no domingo [13/2], como eu te falei, por volta do meio-dia. A gente até tentou mandar umas mensagens para ver se o pessoal se retrataria ou tiraria o vídeo do ar, pelo Facebook da paróquia, e eles não tiveram uma manifestação, não responderam, não fizeram nada. A gente está cobrando a prefeitura da cidade para ver se eles atuam de alguma forma”, disse.

Internautas passaram a registrar a indignação na página oficial da Paróquia NSA de Tapurah no Facebook. “Homofobia é crime. Não são mais os anos 90. Não é mais tolerado o preconceito”, escreveu uma usuária.

Quando a notícia foi publicada, A coluna Janela Indiscreta tentou contato por telefone com a unidade religiosa, mas sem sucesso. Outras várias tentativas foram feitas nesta quarta-feira, também sem êxito. O espaço será atualizado se houver manifestação da paróquia ou do padre Paulo Antônio Müller.


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