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Mudanças são oportunidade de espera ou de esperança?

MUDANÇAS SÃO OPORTUNIDADES

Uma situação que nos é familiar.



A situação já é por todos nós conhecida, pois ela se repete nas famílias, no trabalho, nos estudos e em todos os extratos sociais. Pode ocorrer em uma roda de amigos, ou na hora do jantar em família, talvez em uma conversa na padaria enquanto se toma um café, não importa o lugar ou os personagens: tratase de um fato observável. Faça a experiência: observe pessoas ao seu redor e familiares em casa.

Por ocasião de um aniversário, encerramento de ano, ou qualquer acontecimento que se constitua em uma passagem de um ciclo para outro, é comum alguém soltar a expressão: “Espero que no próximo ano ou daqui para frente as coisas melhorem, pois do jeito que estava não dá mais! ”. Temos também: “Graças a

Deus já passou, parece que não acabava mais”. Sim, temos também esta pérola: “Deus que me livre, que inferno, nada acontece na minha vida…”.


Se prestarmos atenção nas conversas e nas pessoas, podemos identificar algumas “pistas” muito reveladoras:

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1) A maioria das pessoas fazem afirmações ou negações sem pensar no conteúdo do que é dito. Com isso, generalizam e se equivocam.



2) Muitos repetem bordões, piadas ou comentários de terceiros tanto nas redes sociais como pessoalmente sem perceber que podem ofender alguém mais frágil emocionalmente e alegam que “não faziam ideia de que alguém poderia ficar chateado”. Nunca é por má vontade…


Há uma terceira pista muito mais reveladora e que antecede as demais: a maioria das pessoas esperam por mudanças no bairro, no clube, na cidade, na vizinhança, no condomínio, na faculdade, na vida, no trabalho, na família, no país, no planeta, mas não praticam a esperança, que é uma virtude movente.

Analisemos, então a diferença entre estas duas realidades que demonstram a personalidade de quem as pratica:


Esperar e ter esperança: dois conceitos distintos.

O verbo esperar e o substantivo esperança são entendidos por alguns como sinônimos. Desta forma, quem espera tem esperança de que algo de repente aconteça ou alguém faça algo que é por todos desejado. Este é o perfil da grande maioria das pessoas: não veem diferença entre os dois conceitos.

Neste artigo fazemos a opção de não seguir este raciocínio. Afirmamos que existe uma diferença fundamental entre ambos e que se manifestará em posturas e atitudes das pessoas que trataremos adiante.

Esperar e esperança possuem a mesma nacionalidade e raiz semântica, pois originam-se do Latim, a língua oficial do Império Romano e da qual nasceram as língua conhecidas como “neolatinas” ou “românicas”: Português, o Espanhol, o Francês e o Italiano, além de influenciar outras como o Romeno, o Catalão, o Galego e o Provençal.


Esperar provém do latim sperare: postura e atitude de quem aguarda algo. É um verbo transitivo, como podemos entender no exemplo “Maria Laura esperava outra atitude de seu preguiçoso namorado em relação ao trabalho”.

Observe que a espera é uma atitude passiva por parte do sujeito. Os resultados dependem mais de outra pessoa ou de uma circunstância exterior ao controle de quem aguarda. Em algumas situações do nosso cotidiano, não há outra opção senão esperar: a dona de casa que está na fila do caixa eletrônico, o pai que aguarda a filha no portão da escola, o candidato que espera a lista dos

Esperar sem se aprovados no vestibular, comprometer o motorista que ligou para o seguro vir buscar o seu automóvel.

Pouco ou nada há o que fazer nestas situações a não ser aguardar.


Não deve ser esta a compreensão da esperança, uma força moral tão seleta que se constitui em uma das três virtudes teologais dos cristãos: a fé e a caridade são acompanhadas pela esperança.

Este substantivo nasce de um verbo: esperançar. Ele se origina do latim spes que significa ter confiança em algo positivo ou favorável. Aqui reside o segredo: a confiança é mais pró-ativa do que a espera. Confiar significa reunir um conjunto de atitudes, planos e deliberações que não podem ficar em uma sala de espera sentadas em um sofá confortável lendo uma revista.

A confiança é o atributo de quem sabe o que quer e destarte mobiliza Figura 2 – Ter esperança iniciativas, planos e estratégias em busca dos significa agir seus objetivos. Aquele que mantem a esperança é alguém que trabalha para que as coisas aconteçam.

É claro que em alguns momentos é necessário a espera, tal como o agricultor se comporta após ter semeado longamente durante semanas, mas o resultado da colheita deve-se também ao preparo da terra antes da semeadura.


O mesmo ocorre com as nossas vidas.

A mudança tem que ser em mim: atitudes + valores + esperança = resultados.

Em seus escritos sobre Ética, Aristóteles afirma algo muito importante e que deveria ser a pauta de quem busca resultados diferentes para a sua vida.

Diz o Filósofo: “A virtude moral é uma consequência do hábito. Nós nos tornamos os que fazemos repetidamente. Ou seja: nós nos tornamos justos ao praticarmos atos justos, controlados ao praticarmos atos de autocontrole, corajosos ao praticarmos atos de bravura.”


Muitos escolhem a mudança do governo, o convite do amigo, a decisão do sócio, a decisão da empresa, a iniciativa dos parentes, a ajuda da “sorte”, a mudança dos ares, a chegada da encomenda, a interferência inesperada de uma força espiritual e demais ocorrências de terceiros. Na verdade, estas são escolhas de quem não quer participar do processo e entendem que tudo acontecem por mágica, sem o enfrentamento da realidade ou da conjuntura.

Trata-se claro, de uma escolha. Muitos esperam pelo Ano Novo com uma mentalidade de ano velho, todos desejam comemorar o aniversário com os mesmos padrões negativos e vícios incorporados…. É claro que nada mudará e daí advém as frustrações e as revoltas.

É elucidativo que as pessoas possam entender que as verdadeiras e duradouras mudanças devem começar primeiro e a partir de nós. No fundo, as pessoas querem que o mundo mude para que elas não precisem mudar.



As verdadeiras mudanças ocorrem a partir da aquisição e prática de novos hábitos, como nos recomenda o Filósofo. Para efeito de encerramento deste artigo, deixo alguns questionamentos propícios para uma reflexão pessoal:

HÁ AUSÊNCIAS PRESENTES POR TODA UMA VIDA capa e dentro

AUTO ANÁLISE

1.- Quais tem sido as minhas reclamações a respeito da vida, dos outros, da família e do trabalho?

2.- Quais seriam os meus vícios que me prejudicam e incomodam as pessoas do meu relacionamento?

3.- Tenho um projeto de vida esboçado por ocasião de um aniversário ou de um Réveillon?

4.- Espero que as mudanças venham de fora? E qual a minha responsabilidade nisto?

5.- O que pretendo fazer e implementar em minha vida para os próximos doze meses?

6.- Dedico um tempo para uma leitura, uma prática meditativa, um cuidado com a saúde, um investimento no relacionamento? Com que frequência?

7.- Preocupo-me de verdade com os outros ou quero passar a imagem de bacana?

8.- Qual foi a última vez em que falei mal de alguém ou fiquei bisbilhotando a vida alheia nas redes sociais?

9.- Os outros me chamam de “reclamão ou reclamona”, briguento(a) ou mimado(a)? Fico sempre com comentários chatos e repetitivos?

10.- Preocupo-me em disputar status ou boa imagem com os outros? Com qual propósito?


Créditos de Pesquisa: Dicionário brasileiro da Língua Portuguesa – Michaelis.uol – Dicionário das Ciências da Mente: Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise, Neurociência. Mauro Maldonato. Rio de Janeiro: Senac Editoras, 2014. – Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. Antonio Geraldo
da Cunha. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1982. – Dicionário etimológico – Origem das palavras.  Ética a Nicômaco. Coleção Os Pensadores. Aristóteles. São Paulo: Abril Cultural, s/d. Norma Culta – Língua Portuguesa em bom Português.

O ano novo não me traz nada, eu faço acontecer!

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