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Mulher acusa médico de arrancar máscara para beijá-la durante consulta em SP

Uma terceira mulher relatou ao G1 nesta quinta-feira (12) que também foi assediada por um cardiologista de Santos, no litoral São Paulo, durante consulta em junho deste ano. O médico Walter Nei Nascimento também já é acusado por outras duas mulheres por tentar agarrá-las a força durante consultas que ocorreram em 2017. Ele foi condenado em 2ª instância por importunação sexual em um dos casos.



O profissional segue com o CRM ativo, mas não está mais em serviço pelo plano de saúde pelo qual atendeu as vítimas, segundo atualizado em nova nota enviada pela Unimed (leia mais abaixo).

O advogado Arnaldo Haddad, que representa o cardiologista, afirmou que não se manifestará sobre essa denúncia, assim como não se manifestou sobre as outras duas acusações, já que todos os casos estão sob segredo de Justiça. O cardiologista nega as acusações.

A terceira vítima, de 53 anos, relatou ao G1 que teve consulta com o médico em junho deste ano, e que mora há apenas 2 anos em Santos. “Como surgiu o coronavírus, eu precisava tomar a vacina, mas estava com medo, porque tenho um aneurisma no coração. Então marquei, pelo plano, um cardiologista”, relembra.


Direitos autorais: Arquivo pessoal

De acordo com a mulher, no local, o médico pediu que ela colocasse o avental aberto na frente para fazer eletrocardiograma. “Nisso, ele começou a apalpar meus seios. Eu o questionei porque estava fazendo aquilo e ele disse que era para ver se tinha nódulo. Eu expliquei que tinha feito mamografia recentemente e que não tinha, só então que ele parou”, diz.

Após a realização do exame, enquanto descia da maca, ela afirma que o médico a pegou pelo braço e a abraçou. “Ele puxou minha máscara, deu dois beijos no meu rosto. Eu fiquei cismada e coloquei minha roupa. Depois dele receitar os remédios e pedir os exames, ele levantou, puxou minha máscara de novo e disse “eu vou te beijar de novo, porque eu achei você muito linda, adorei você”. Nessa hora me dei conta do que estava acontecendo, já estava achando estranho, mas nesse momento tive certeza. O chamei de louco e sai às pressas do consultório”, afirma.

No dia seguinte ao ocorrido, ela procurou a Polícia Civil. O caso foi registrado como violência sexual mediante fraude na Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, onde segue sob investigação. A vítima também enviou e-mail denunciando o assédio ao plano de saúde.


“Eu sai atordoada e falei para secretária dele que aquele médico era louco e tentou me agarrar. Tive uma crise de pânico e fui socorrida por uma secretária de outro consultório. Estava desesperada. O mínimo que você espera em uma consulta, ou em qualquer lugar, é respeito. Me senti constrangida, com medo, invadida e impotente. Até hoje quando lembro sinto vontade de chorar. Quando vi na reportagem que tinham outras vítimas o sentimento de impunidade foi ainda pior.”

Outros casos

Conforme apurado pelo G1, o médico é acusado por outras duas pacientes e ambos os casos ocorreram em 2017, mas a decisão em 1ª instância da Justiça em condená-lo por um dos crimes foi de 2020. Àquela época, as vítimas registraram boletim de ocorrência após passarem por consulta com o profissional.

Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o recurso da defesa e condenou em segunda instância o cardiologista por importunação sexual contra uma paciente, após ela denunciar à polícia que ele o agarrou enquanto passava por consulta. Ainda cabe recurso.


No caso em que foi condenado por importunação sexual, a vítima afirmou para a polícia que o médico tentou tirar o avental que usava para realização de um eletrocardiograma, que era aberto na frente. Ela relatou que foi agarrada quando colocava a roupa após a realização de exame. De acordo com ela, o médico a abraçou para sentir os seus seios, por estar sem sutiã. Ela ainda relata que ele falou “aí que gostoso”, e tentou beijá-la, porém, ela o empurrou e virou para se trocar.

Após as acusações, em 2020, a Justiça o condenou em 1 ª instância e determinou que, por ser réu primário e não ter antecedentes criminais, ele cumprisse pena de reclusão de um ano, em regime inicial aberto. A defesa entrou com recurso, alegando que houve insuficiência de provas quanto ao delito de importunação sexual. Mas, o TJ-SP manteve a condenação e determinou que ele pague R$ 10 mil a vítima, por dano moral.

Outra paciente, também no ano de 2017, procurou a polícia cerca de uma semana antes da outra mulher ir até as autoridades, e registrou boletim de ocorrência contra o médico. Ele também foi processado criminalmente pelo ocorrido. O Ministério Público (MP) considerou a conexão entre os casos, mas, a denúncia dessa paciente foi julgada pelo Juizado Especial Criminal (Jecrim) e considerada como contravenção penal, com aplicação de pena de pagamento de cesta básica.

O relato dessa vítima e da outra mulher – da qual ele foi condenado por importunação sexual – apontam que o cardiologista teria agido de forma parecida com as duas. A vítima relatou às autoridades que no ano dos fatos, em consulta com o profissional, ele a segurou pelos braço e a beijou em seguida. Segundo a mulher, após a ação do profissional, ela o empurrou, mas não conseguia sair, e então o médico lambeu sua orelha.


Médico continua com CRM ativo

Até o início desta semana, o médico continuava atuando normalmente, mesmo após as denúncias serem realizadas à Polícia Civil, no ano de 2017. Mas, por meio de nota, a Unimed Santos, plano de saúde pelo qual ele atendia, atualizou nesta quarta-feira (11), que ele não está mais em serviço pela empresa. Veja posicionamento:

“A Unimed Santos comunica que está aguardando o posicionamento do Conselho Regional de Medicina, bem como o trânsito em julgado da ação em andamento. Outrossim, informa que o médico Walter Nei Nascimento não está mais atendendo beneficiários da Cooperativa Médica.”

Porém, no site do Conselho Regional Medicina Estado São Paulo (Cremesp), é possível consultar que o CRM do profissional segue ativo. O G1 também questionou o Conselho que, por meio de nota, afirma que está investigando os casos e que as investigações tramitam sob sigilo determinado por Lei.


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