Comportamento

Mulher coleta a própria menstruação para regar, pintar e cuidar da pele: “É sagrada e espiritual”

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O grupo cada vez maior de mulheres no mundo todo que compreendem o ciclo menstrual como um momento de limpeza e cura busca revelar a conexão do feminino com a fertilidade.

Se no passado menstruar era sinônimo de vergonha ou impureza, concepções que ainda acompanham muitas culturas, inclusive as ocidentais, hoje um número cada vez maior de mulheres tem se esforçado para mostrar o oposto. O desenvolvimento da indústria da higiene íntima, que colocava o sangue como um processo que precisava ser escondido a todo custo, tem perdido espaço para aquelas mulheres que não apenas aceitam a menstruação, como incentivam outras a se conectarem com o sagrado feminino.

Essa retomada da espiritualidade em torno dos ciclos é algo presente na atualidade, especialmente para mulheres que sentiram a falta de conexão consigo mesmas. Em inúmeros relatos espalhados pela internet, a necessidade de enxergar a menstruação como parte de um processo natural, sagrado acabou se impondo contra as constantes pressões sociais que indicavam que os corpos que menstruam precisavam omitir essa informação das demais pessoas.

Para as adeptas da naturalização da menstruação, evitar produtos industrializados como parte da higiene íntima e absorventes descartáveis durante o ciclo menstrual é urgente, pois partem do princípio de que o sangue é considerado sujo pela sociedade, levando as mulheres a se sentirem mal com os próprios corpos todos os meses.

No Brasil e no resto mundo, o número de mulheres que falam abertamente sobre essa reconexão com a ancestralidade vem crescendo e reunindo cada vez mais adeptas.

Uma reportagem do Daily Star mostrou um pouco do que a jovem de 28 anos, Gina Frances, passa todos os meses e como sua realidade tem impactado a vida de quem busca a sensação de paz e calma durante a menstruação. A mentora auxilia mulheres a se reconectarem com os próprios ciclos, mostrando que isso pode afetar diretamente a maneira como lidam com a vida pessoal e profissional.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @iamginafrances

“Conduzidas pelo útero”

Nascida em Nova Jérsei, nos Estados Unidos, Gina conta que detestou a própria menstruação durante grande parte da sua vida fértil. O uso do anticoncepcional veio como uma ferramenta não para controle de natalidade ou tratamento contra doenças, como a endometriose, mas como forma de manipular o próprio corpo para pular os ciclos menstruais.

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Foram oito anos ininterruptos desconhecendo completamente seu próprio ciclo, suas oscilações hormonais naturais, e chegou a ficar um ano inteiro sem menstruar depois que abandonou o uso do anticoncepcional. Ela explica que, nessa época, começou a frequentar círculos de mulheres que ensinavam mais sobre o poder do útero e como ele impacta todas as suas relações ao longo da vida.

“Acho que a maioria das mulheres com ciclos menstruais se sente um pouco desconectada com os períodos e têm uma vergonha profunda dos seus sangramentos mensais”, explica a jovem. Quando descobriu o potencial dos seus ciclos e sentiu conectada com o próprio corpo, passou a comemorar cada mês, sentindo vontade de fazer desse processo seu instrumento de trabalho, auxiliando um número cada vez maior de pessoas a terem a mesma percepção.

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Gina coleta o sangue menstrual e o utiliza em algumas atividades, como pintura, rega de plantas e até como máscara facial. De acordo com ela, isso faz com que as mulheres aprendam mais e melhor sobre autocuidado sob uma óptica feminina e curativa. “Plantar a lua” é o nome que se dá ao exercício de misturar o próprio sangue menstrual com a água que rega as plantas do jardim, considerado um “fertilizante incrível”, de acordo com a mentora.

Ela compreende que essas práticas podem ser desconfortantes no primeiro momento, mas explica que o sangue é uma fonte de células-tronco e com potencial curativo se aplicado na pele, principalmente de quem tem acne. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado em 2012, revela que a informação é mesmo verdadeira.

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“A hipótese de que o endométrio deveria apresentar um repertório celular com características de células-tronco vem sendo sugerida há mais de 30 anos, bem como o conceito de que a regeneração é mediada por células-tronco localizadas na região basal do endométrio”, analisa a pesquisa. As observações da equipe foram de que as células coletadas do sangue menstrual têm elevada capacidade de autorrenovação, semelhante à de outros progenitores e células-tronco adultas.

Gina, que vive na Austrália, objetiva compartilhar sua história nas redes sociais para colaborar no combate aos estigmas que envolvem a menstruação. “Eu nunca quero forçar ou pressionar ninguém a fazer algo, mas eu quero criar um mundo onde nossas menstruações sejam celebradas”, finaliza a jovem.

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