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Mulher domesticada e mulher selvagem: qual delas representa você?

A mulher selvagem tem a capacidade de brincar, de rir de si mesma, está ancorada em uma sabedoria ancestral que, intuitivamente, a ensina como se nutrir e abastecer.



Certo dia, fui convidada para uma reunião em uma grande empresa, ia conversar com uma famosa diretora, estava curiosa para conhecer uma mulher tão importante no mundo dos negócios.

Eu estava com outras pessoas e, quando entrei na sala, impressionei-me, em um primeiro momento, com uma aura de potência, mas enquanto a observava conduzindo a reunião, minha sensação em relação àquela mulher foi se modificando e me dando muita vontade de pegá-la no colo, ninar um pouco e dizer-lhe: “Está tudo bem.”

Talvez o que tenha me tocado é que, durante o tempo em que passei dentro daquela sala, tenha ficado claro para mim que estava diante de um feminino abafado, um feminino que precisou ficar em segundo plano e que parecia cobrar um preço muito alto para permanecer escondido.


Aquela mulher estava nitidamente sem vida, sem viço, sem brilho. Eu, naquela época, não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas percebia algo de muito errado, que me tocou profundamente e substituiu a minha admiração por uma grande compaixão por aquela mulher.

Fiquei com aquela imagem de uma “fortaleza vazia”. Na fachada, uma imagem de grande potência mas, internamente, a impressão que me dava é que a mulher que habitava aquele corpo estava amarrada e amordaçada, à espera de um resgate.

Pouco tempo depois daquela reunião, deparei-me com a obra de Clarissa Pinkola Estes, intitulada “Mulheres que correm com lobos” e, entre muitos insights, pensamentos e reflexões, vieram-me dois que vou compartilhar neste texto.


Descobri, através desse livro, meu primeiro grande contato com temas mais profundos do feminino, logo na primeira página, as seguintes palavras: “Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.”

Era exatamente isso que eu tinha sentido naquele dia: onde estava aquela mulher? Foi então que, lendo o livro, veio o meu segundo grande insight: eu também era um pouco aquela mulher, por isso tinha me sentido tão profundamente tocada ao vê-la, talvez ela estivesse me mostrando onde eu poderia chegar, se não partisse para um resgate de quem eu realmente era!

Eu sempre gostei do mundo dos negócios, sempre, desde muito nova, já me sentia atraída ao empreendedorismo. Comecei aos 22 anos; reuniões, almoços de negócios, fechar contrato. Eu me lembro ainda dos conselhos que recebia: prenda os cabelos, use batons de cores claras, roupa fechada e discreta, porque você não precisa aparecer, quem aparece é o trabalho…

Foi então que, para me sentir respeitada, comecei a usar roupas que não acentuassem as minhas formas, cabelos presos, pouca maquiagem e muito trabalho, sem final de semana, sem férias e sem qualidade de vida.

Hoje não me espanta ao olhar para trás e perceber que, em poucos anos, nesse ritmo, fui parar no consultório de um psiquiatra, com crises de pânico. E enxerguei tão bem naquela executiva, no decorrer do processo, o tamanho da perda e do abafamento da minha mulher selvagem.

Como sabemos se um mulher está domesticada ou selvagem? 

Uma mulher domesticada se esqueceu de quem ela é de verdade, está sem brilho, desconectada de suas necessidades mais profundas, está mais preocupada em atender às demandas sociais e aos outros do que a si mesma, e com isso se desconecta de suas referências internas. Dessa forma, ela perde sua capacidade de nutrição e abastecimento, e acaba precisando encontrar fora de si o que já estava ali o tempo todo.

A mulher selvagem tem a capacidade de brincar, de rir de si mesma, está ancorada em uma sabedoria ancestral que, intuitivamente, a ensina como se nutrir e abastecer. A mulher selvagem está conectada com as suas necessidades mais viscerais, sabe escutar seu chamado interno e o segue, mesmo que para os outros e para o mundo inicialmente pareça estranho.

Como fazer o caminho de volta para casa? 

Toda mulher saudável tem duas forças atuando dentro de si, uma força yin (feminino) e uma força yang (masculino), e seu conhecimento e integração nos ajudam a encontrar equilíbrio.

A força yin está ligada ao feminino e à capacidade de sentir, intuir, cuidar, acolher e fazer contato com toda a beleza e sensibilidade interna. O feminino saudável está vinculado ao autocuidado, autonutrição, autoabastecimento e à capacidade que uma mulher tem, antes de qualquer coisa, de maternar a si mesma.

A força yang está ligada ao masculino e à capacidade de se projetar no mundo, de ir em busca dos seus sonhos e de materializar e concretizar suas necessidades e desejos. O lado yang também funciona como um pai interno, que auxilia essa mulher a se prover do que necessita para estar no mundo.

Uma mulher integrada em suas forças yin e yang é capaz de encontrar dentro de si tudo de que precisa para uma vida de qualidade. Então, feliz, sensível, nutrida e abastecida, ela vai para o mundo com sensação maior de completude e, dessa forma, pode ir para os relacionamentos com mais leveza, já que não precisa buscar no outro o que já tem em abundância dentro de si.

Maquiagem, sapatos, roupas, esmaltes, joias e tratamentos estéticos são itens que, nem de longe, definem uma mulher saudável. A mulher selvagem transcende todos esses itens, ela entende que, sem uma base interna sólida e uma real conexão com sua mais profunda verdade, esses itens só servirão para atender a um consumismo desenfreado e uma necessidade de preencher um vazio de maneira equivocada.

Porém, quando uma mulher está em sua versão mais selvagem, ou seja, cheia de si, ela irradia uma luz, brilho, potência que produz tal magnetismo, que loja nenhuma pode vender.

E como diz Clarissa, com mais clareza ainda, sobre como encontrar o caminho de volta para casa: “As portas para o mundo do Ser selvagem são poucas, porém preciosas. Se você tem uma cicatriz profunda, aí está a porta. Se você tem uma velha história, aí está a porta. Se você ama o céu e as águas como ama a si mesmo, aí está a porta. Se você anseia por uma vida profunda, uma vida plena, uma vida sã, aí está a porta.”

 

Direitos autorais da imagem de capa: Etienne Boulanger/Unsplash.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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