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Mulher negra irá estampar moeda de dólar pela primeira vez na história dos Estados Unidos

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A Casa da Moeda dos Estados Unidos vai homenagear mulheres proeminentes do país pelos próximos quatro anos, ressaltando suas conquistas e contribuições históricas.

“Quando escrevo eu, o significado é nós”, dizia Maya Angelou, escritora, poetisa e ativista dos Estados Unidos. Reconhecida como uma das figuras de maior influência da cultura afro-americana, ela lutou pelos direitos civis e pela igualdade ao longo de sua vida, retratando em suas 30 obras o preconceito que as comunidades negras enfrentavam, além de se embrenhar no que Conceição Evaristo chamou de escrevivência, uma escrita cunhada no próprio cotidiano.

Maya nasceu Marguerite Ann Johnson, em 1928 e, em suas obras, conta que, desde a mais tenra infância, tinha plena consciência do racismo que sofria. Mas foi apenas na década de 1960, quanto morava em Nova York, que ela mergulhou na luta antirracista, influenciada por grandes nomes, como Rosa Guy e James Baldwin. Muito atraída pela maneira como Martin Luther King Jr. encarava o racismo, Maya aderiu ao movimento dos direitos civis.

No dia 10 de janeiro, a Casa da Moeda dos Estados Unidos informando que começou a enviar moedas com a imagem da poetisa Maya Angelou, a primeira remessa do programa American Women Quarters, que cunha versões alternativas de 25 cents a partir da série Proeminent American Women (Mulheres Americanas Proeminentes), em tradução livre.

O design do quarto de dólar retrata Maya Angelou de braços abertos, com um pássaro voando e sol nascente atrás, fazendo referência às suas poesias. A autora morreu em 2014, aos 86 anos, mas felizmente foi homenageada ainda em vida, em 2010, pelo presidente Barack Obama, recebendo a Medalha Presidencial da Liberdade.

De acordo com o informativo da Casa da Moeda, a moeda de Maya Angelou é a primeira de outras várias mulheres a serem homenageadas, emitindo até cinco novos designs a cada ano, até 2025. A esperança é que várias gerações possam aprender um pouco sobre a história de cada uma dessas pensadoras e profissionais, além de sua importância para o desenvolvimento do país.

As próximas mulheres a estampar as moedas são Dra. Sally Ride (física, astronauta, educadora e primeira mulher americana no espaço), Wilma Mankiller (primeira chefe principal feminina da Nação Cherokee), Nina Otero-Warren (líder do movimento sufragista do Novo México e a primeira superintendente feminina das escolas públicas de Santa Fé), e Anna May Wong (primeira estrela de cinema americano-chinês em Hollywood).

O anverso de cada moeda do American Women Quarters manterá o retrato de George Washington voltado para a direita, produzido por Laura Gardin Fraser. Essa imagem tinha sido recomendada em 1932, marcando o 200º aniversário de Washington, mas na época o secretário do Tesouro, Andrew Mellon, selecionou o projeto de John Flannigan, voltado para a esquerda.

Laura Gardin Fraser é considerada uma das escultoras que mais produziram no início do século XX, sendo a primeira mulher a projetar uma moeda dos Estados Unidos. Seu projeto foi utilizado em 1999, comemorando o 200º aniversário de morte de George Washington, fazendo sua obra ainda mais proeminente no país.

Desde 1932, a moeda de um quarto de dólar só foi modificada duas vezes, sendo uma a série que representava cada estado do país e a outra estampando os parques nacionais. Portanto, é a terceira vez que a Casa da Moeda modifica as moedas, já anunciando que serão cunhadas em grandes volumes para uso diário dos cidadãos.

Essa importante homenagem é fruto de um projeto de lei aprovado no fim de 2020, redigido por Barbara Lee, congressista democrata do estado da Califórnia. As inscrições no anverso serão: “Liberdade”, “Em Deus confiamos” e o ano. Já as inscrições reversas serão: “Estados Unidos da América”, “Maya Angelou”, “E Pluribus Unum”, este último o lema do país, que significa “de muitos, um”, fazendo referência à integração das 13 colônias.

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