Pessoas inspiradoras

Mulher que passou fome e sofreu violência doméstica muda de vida, faz curso de pedreira e ajuda pessoas

4 capa Mulher que passou fome e sofreu violencia domestica muda de vida faz curso de pedreira e ajuda pessoas

Junto com a iniciativa da ONG Casa da Mulher do Nordeste, Luzia já ajudou cerca de 200 famílias, construindo fogões e cisternas.



A violência doméstica é considerada um fenômeno social da atualidade e, segundo pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma em cada quatro mulheres afirma que sofreu algum tipo de agressão no último ano no país. Isso significa que, em 2020, cerca de 17 milhões de mulheres, ou 24,4%, sofreram violência.

A pandemia tem mudado o cenário, se na última pesquisa, em 2019, o “vizinho” figurava em segundo lugar entre os agressores, este ano ele já não aparece mais entre as opções, mostrando que a quantidade de mulheres que sofreram esse tipo de violência não chega a aparecer entre os maiores números.

Com o isolamento social, o que mudou não foi que as mulheres passaram a sofrer menos, mas que as agressões dentro de casa passaram de 42% para 48,8% neste ano.


As agressões na rua diminuíram dez pontos percentuais, de 29% para 19%, enquanto os companheiros e ex-namorados têm figurado cada vez mais entre os autores. Como as vítimas passam mais tempo em casa, as agressões acontecem no próprio lar. Entre os autores estão pais, mães, irmãos, padrastos, madrastas, filhos e filhas.

Luzia Porfírio Simões sofreu com a violência doméstica, foram 19 anos vivendo um relacionamento abusivo, mas decidiu se profissionalizar e sair do ciclo de agressão, e hoje, trabalhando como pedreira, já ajudou cerca de 200 famílias.

4 2 Mulher que passou fome e sofreu violencia domestica muda de vida faz curso de pedreira e ajuda pessoas

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Tudo começou em 2015, quando ela fez um curso para construir cisternas como motivo para ficar fora de casa por algum tempo. Naquela época, Luzia não compreendia que estava em um relacionamento abusivo, mas foi durante suas aulas pela ONG Casa da Mulher do Nordeste que começou a entender que havia algo errado ali.


De acordo com entrevista ao UOL Universa, ela conta que não existia violência física, mas a psicológica era constante, além de o ex-companheiro ser alcoólatra.

Das quase duas décadas em que ficaram juntos, metade foi apenas dividindo o mesmo teto, já que estavam separados. Luzia explica que, no início, não queria muito frequentar as aulas na ONG mas, com o tempo, foi descobrindo que aquele relacionamento não era saudável e que ela merecia coisas muito melhores.

4 3 Mulher que passou fome e sofreu violencia domestica muda de vida faz curso de pedreira e ajuda pessoas

Direitos autorais: reprodução Facebook/Luzia P Simões.

Moradora de Carnaíba, no sertão de Pernambuco, Luzia é pedreira há seis anos e constrói cisternas para guardar água da chuva, utilizada em períodos de seca, e fogões agroecológicos, que funcionam com lenha, para as famílias que não têm possibilidade financeira de comprar carvão ou gás.


Além das aulas para se tornar pedreira, ela frequentou a Escola Feminista, onde compreendeu que não precisava ficar em um casamento no qual 80% do seu salário fosse destinado ao sustento da casa.

Luzia explica que, com a pandemia, muitas famílias estão passando necessidade e vivendo em extrema vulnerabilidade social. Para ela, quem mais sofre com isso tudo é a mulher, quem mais se preocupa com a família e a alimentação de cada um. Ela revela que muitas pessoas só conseguem comer porque estão recebendo ajuda dos vizinhos e da ONG, que lhes doam cestas básicas.

4 4 Mulher que passou fome e sofreu violencia domestica muda de vida faz curso de pedreira e ajuda pessoas

Direitos autorais: reprodução Facebook/Luzia P Simões.

É o fogão agroecológico que Luzia constrói que garante às famílias terem onde cozinhar, caso contrário, precisam fazer uma pequena fogueira no meio no terreno ou mesmo esquentar a comida ao sol.


A mulher conta que já passou fome, por isso conhece a aflição e o tormento que essas pessoas estão passando no momento. Aos 9 anos, ela precisou trabalhar na roça, com os irmãos, já que o pai ficou muito doente.

4 5 Mulher que passou fome e sofreu violencia domestica muda de vida faz curso de pedreira e ajuda pessoas

Direitos autorais: reprodução Facebook/Luzia P Simões.

Logo quando se separou, Luzia conta que sentiu o preconceito da comunidade em uma cidade de 5 mil habitantes, chamada Solidão, em Pernambuco. Mesmo assim, decidiu não abaixar a cabeça e seguiu sem se abalar com os comentários externos.

A estratégia deu certo, agora ela mora com o atual companheiro e um filho; é a única mulher pedreira em Pajeú. Luzia fala que já sofreu muito preconceito pela profissão que decidiu seguir, mas acredita que isso é machismo.


No início, muitos acreditavam que ela nem sequer sabia o que estava fazendo, outros diziam que não queria ficar perto, outros não concordavam com uma mulher pedreira, mas, mesmo assim, ela se orgulha do que faz e nunca desistiu.

Depois de 12 anos vivendo nas ruas, homem passa em concurso e vira bancário: “Queria mudar de realidade”

Artigo Anterior

Filho, você é a razão pela qual me levanto todas as manhãs. Ser sua mãe me faz mais feliz!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.