Comportamento

Mulher quer adotar amiga que passou a vida adulta em instituição psiquiátrica. Vivia em condições precárias!

As jovens se conheceram por meio de uma ONG que ajuda adultos com distúrbios neuropsicológicos, mas nenhuma das duas sabe por que a amiga está na instituição, já que o diagnóstico é confidencial.



A adoção de pessoas adultas vem acontecendo cada vez com mais frequência nos últimos anos, ajudando pessoas consideradas de alguma forma “incapazes” a terem uma vida fora das instituições psiquiátricas ou dos asilos. Muitos desses indivíduos nem sequer sabem o que é ter uma família e chegam à fase adulta sem conhecer o amor parental e protetor.

A jovem Nina Torgashova foi internada em uma instituição para crianças com deficiência ainda muito jovem e não se lembra ao certo se foi deixada lá pelos pais ou se foi retirada forçadamente do convívio de seus familiares. Aos 18 anos, ela passou a morar em um lar de cuidados neuropsicológicos russo, conhecido como PNI.

Arina Muratova começou a trabalhar como voluntária no PNI em que Nina vivia, assim tiveram seu primeiro contato. Elas se encontravam uma vez por semana, em atividades organizadas pela instituição, e foram se tornando grandes amigas.


No início da pandemia, vários abrigos tiveram de interromper as visitas para que os casos de covid-19 não atingissem esses locais nem a população vulnerável.

Algumas ONGs fizeram campanha para que voluntários pudessem assumir a responsabilidade de residentes de instituições psiquiátricas por alguns meses, e Arina se ofereceu para cuidar de Nina.

Essa foi a primeira vez que a jovem de 27 anos conseguiu desfrutar de uma vida independente, já que nunca se lembra de ter vivido fora de uma instituição. Coisas simples como fazer compras, cozinhar e lavar as próprias roupas se tornaram suas atividades favoritas.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Nina Torgashova.


O diagnóstico de Nina é confidencial, nem ela nem Arina sabem os motivos que levaram à internação da garota, exceto o diretor do local. Quando um indivíduo é mantido em organizações deste tipo, é porque o Estado julga que não conseguem viver de maneira independente, tampouco vão conseguir fazer as coisas mais elementares sozinhos.

Arina explica que a jovem amiga possui apenas dificuldades para escrever e fazer cálculos, mas que no resto é uma pessoa muito capaz, sendo que está muito bem adaptada à vida cotidiana. Chamar a garota para morar em sua casa trouxe um pouco de nervosismo, pois Nina precisava ter certa independência, caso contrário poderia atrapalhar o fluxo de trabalho da amiga, que seguia em home office.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Arina Muratova.

O confinamento saiu melhor que o planejado, mesmo que a transição tenha sido um pouco difícil e Nina parecesse perdida, a adaptação acabou sendo rápida. Logo a jovem, considerada incapaz, começou a comprar comida e cozinhar para si mesma, além de ter um professor particular de matemática, pago pela amiga.


Para Arina, o fato de a jovem não saber certas coisas não significa que ela tenha dificuldade de aprender, apenas não precisou pensar naquilo em outra ocasião.

Nina tem o sonho de aprender a ler e escrever de verdade, aprender a cozinhar e arrumar um emprego. Uma investigação começou a ser conduzida, assim que as restrições do lockdown foram afrouxadas, principalmente quando os profissionais perceberam que todos os jovens que haviam saído das instituições não queriam mais voltar.

A denúncia de que viviam em condições precárias tomou corpo, e agora os administradores desses lugares lutam para contradizer as acusações.

Na segunda metade do século XX, iniciou-se o processo de desinstitucionalização, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, com o objetivo de acabar com instalações de longa permanência, substituindo-as por trabalhos e cuidados na própria comunidade. A Rússia não seguiu esse modelo, e mantém essas instituições psiquiátricas em seu território.


Direitos autorais: reprodução Facebook/Arina Muratova.

Assim como Nina, podem existir inúmeras outras pessoas que vieram de outras instituições de cuidados, como um orfanato, e nunca tiveram a oportunidade de ser adequadamente avaliadas. Sem família, ninguém pode contestar seu status legal, permanecendo toda a vida naquele local.

Arina se candidatou para ser guardiã de Nina, agora as amigas aguardam decisão judicial. O processo, segundo reportagem da BBC, não é fácil e inclui grandes avaliações financeiras, físicas e psicológicas, sendo que até a casa de seus pais será inspecionada.

Enquanto a espera não finda, o PNI pode pedir a qualquer momento que Nina volte a morar em suas instalações, algo que ambas temem.


Por enquanto, elas preferem se preocupar apenas com a melhora de Nina nas matérias que estuda, para que, no futuro, possa ser novamente avaliada. Para ela, a quarentena ajudou as pessoas a aprenderem mais umas sobre as outras, proporcionando-lhes aproximação e uma relação de confiança.

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