Comportamento

Mulher tem úlcera nos olhos por alongar cílios

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A empresária Deusa Kannon fez um procedimento de alongamento de cílios em uma franquia de um salão que existe há mais de 30 anos no Brasil.

Nos últimos anos, alguns procedimentos estéticos caíram no gosto popular, mostrando que as mudanças no mundo da moda acabam refletindo também na forma como as pessoas desejam se ver no cotidiano. O design de sobrancelhas e o alongamento de cílios foram alguns dos métodos aos quais mais pessoas aderiram nos últimos anos.

Na técnica do alongamento de cílios, as profissionais iniciam o procedimento higienizando os fios das clientes. Depois, os fios inferiores são isolados com um patch adesivo, e a seleção dos melhores fios começa. Escolhido o melhor para carregar a extensão, a especialista passa cola do começo do fio até o meio e posiciona o fio artificial para que acompanhe o crescimento natural dos cílios.

Chamada de “fio a fio”, essa técnica exige capacitação profissional e equipamento específico para as aplicações. Depois que todos os fios são colados, um jato de vapor é passado no local para ajudar na fixação da cola –  específica para essa região dos olhos. Os especialistas indicam que as clientes façam manutenção a cada 15 ou 30 dias, a depender do cuidado e do manuseio ao longo das semanas.

Mas nem tudo são flores no mundo estético. Existem muitos profissionais no mercado que se aproveitam da vulnerabilidade dos clientes para aplicar pequenos golpes, por exemplo, usando produtos mais baratos e não indicados para a área dos olhos. A empresária Deusa Kannon do Amarante Kalife passou por momentos de angústia por causa da má conduta de uma profissional num dos salões mais antigos do Rio de Janeiro, em dezembro do ano passado.

Segundo reportagem do jornal São Gonçalo, a empresária quase perdeu a visão por danos causados pela esteticista que fez a extensão de cílios. Com queimaduras de 2° grau, úlcera em um dos olhos e a necessidade de uma cirurgia plástica de emergência nas duas pálpebras, Deusa sofreu ao perceber que teve os cílios colados com uma mistura de supercola e a cola própria para cílios.

O caso aconteceu no dia 2 de dezembro, na unidade de Itaipu do Werner Coiffeur, uma rede de franquias de salão de beleza que está há mais de 30 anos no Brasil e mantém uma unidade no exterior. A esteticista estava atrasada, e por conta do horário, acabou informando que faria uma técnica diferente, mas bem rápida, na extensão de cílios da cliente.

Assim que se deitou na maca, Deusa estranhou que a profissional não utilizou uma bandeja para misturar os produtos, e sim a sua própria testa. Ela ainda afirma que sentiu um cheiro muito forte de cola SuperBonder, mas que acreditou que era apenas similar ao produto específico. A esteticista acalmou a empresária e prosseguiu com o procedimento, até quando esbarrou no tubo de cola, que caiu no rosto da cliente, fazendo com que parte do material ficasse preso em seus cílios.

Segundo informações de Luciene Assis, esposa de Deusa, a cola utilizada para o procedimento tinha realmente sido “batizada” com SuperBonder, e que como estava sem o removedor por perto, utilizou algodão e acetona para retirar o produto, que acabou entrando em combustão, colando totalmente nos cílios da empresária e ainda queimando sua pele.

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Direitos autorais: reprodução/ arquivo pessoal

Luciene explica que a companheira foi levada às pressas ao hospital, mas que o salão em momento algum se responsabilizou pelo ocorrido, nem sequer chamando socorro ou arcando com os custos das intervenções cirúrgicas. Deusa foi levada de cadeira de rodas, com uma toalha sobre a cabeça, até um carro, saindo pela porta dos fundos e dando a entender que a unidade apenas não queria que outras pessoas soubessem o que tinha acontecido ali.

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Os ferimentos de Deusa evoluíram para úlcera, e os cílios naturais precisaram ser completamente removidos para que as pálpebras voltassem a se mover. Uma cirurgia foi feita na pálpebra direita, mas para que o rosto da empresária não ficasse diferente, uma blefaroplastia precisou ser realizada do outro lado. O pós-operatório foi ainda mais difícil porque, como ela não tinha pele suficiente sobrando para a cirurgia, passou dias sem conseguir fechar completamente os olhos, sofrendo com os pontos e evitando a todo custo os espelhos da casa.

Luciene ainda explica que nenhum representante da franquia ou da unidade entrou em contato pedindo desculpas, mesmo já tendo tomado ciência do caso há muito tempo. Além disso, não se comprometeu com nenhum medicamento que Deusa tomou, negligenciando qualquer atendimento à empresária, que precisou resolver tudo por conta própria.

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Determinada a conseguir justiça, a companheira tem usado as redes sociais para compartilhar o caso, mostrando fotos e explicando com detalhes tudo o que aconteceu. Esteticistas de todo o Brasil, chocadas com o ocorrido, criaram a hashtag #lashescomadeusa, falando abertamente sobre os riscos de se submeter a procedimentos estéticos com funcionárias malqualificadas.


*Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo, não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos e demais profissionais.

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