Comportamento

Mulher trans vence sua primeira luta profissional de MMA, mas é criticada por acharem “injusto”

A atleta conta que muitos a acusaram de “trapacear”, já que acreditam que ela teria mais hormônios masculinos no organismo a ponto de ser “biologicamente mais forte”.



A lutadora Alana McLaughlin, de 38 anos, venceu sua primeira luta profissional nas preliminares do Combate Global, no último dia 10, e é a segunda lutadora de MMA abertamente transgênero nos Estados Unidos. A luta foi contra Cèline Provost, e a atleta precisou de um round e mais 3 minutos e 32 segundos do segundo para conseguir a vitória com um mata-leão.

Depois da luta, os comentários reacenderam o debate sobre mulheres trans no esporte, sendo que muitos consideram “injusto” que ela tenha competido de igual para igual com uma mulher cisgênero.

O termo cisgênero abarca todos os indivíduos que se sentem confortáveis e se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer. Já as pessoas trans não se identificam com esse gênero e preferem transitar entre eles, recorrendo ou não a cirurgias e tratamentos hormonais.


A terminologia transgênero é considerada “guarda-chuva”, que engloba as pessoas que, de uma forma ou de outra, não se sentem confortáveis e não enxergam o mundo de maneira binária: travestis, transexuais, mulheres trans, homens trans, pessoas transmasculinas, não binárias, entre outras.

Antes de se tornar lutadora, Alana passou seis anos nas forças especiais dos Estados Unidos e, em 2010, iniciou seu processo de transição. No Twitter, a atleta se manifestou sobre as críticas e disse que não pode ser considerada “trapaceira”, principalmente porque passou uma rodada e meia “sendo espancada” pela adversária. Ela ainda pediu que os usuários e comentaristas mostrassem respeito por Cèline Provost, canalizando essa preocupação para assuntos mais úteis e relevantes.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@lady_feral.

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A primeira lutadora de MMA abertamente trans nos Estados Unidos foi Fallon Fox, que teve um início promissor em 2012 e se aposentou dois anos depois. Alana disse que segue os passos da precursora e espera que existam mais oportunidades para mulheres trans depois dela.

Segundo reportagem do Daily Mail, Alana estava treinando havia mais de um ano para a estreia, que tinha sido programada para agosto, mas precisou ser adiada depois que a adversária testou positivo para covid-19. Além disso, a atleta não entrou na competição sem que a Comissão de Boxe do Estado da Flórida aprovasse um painel de hormônios que pudesse usar.

Encontrar uma lutadora que aceitasse o desafio foi “um pesadelo”, já que muitas oponentes não acreditavam que a disputa seria “justa”. Nas redes sociais, Alana foi acusada de “trapaça”, e os usuários ainda ressaltaram que é injusto mulheres trans entrarem nos esportes. Alguns comentaristas esportivos ressaltaram que a atleta viveu 33 anos sendo Ryan e que sua vitória era mais por razões biológicas.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@lady_feral.


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Outro debate que se levantou foi sobre a violência contra as mulheres, já que alguns não consideram a transição como fator relevante socialmente, o que significaria que homens estariam “batendo” em mulheres durante as lutas. Desconsiderando a identidade das pessoas trans, muitos internautas destilaram críticas e ofensas a Alana.

A repórter da Young Journalism Initiative, Jessica Durling, fez questão de emitir uma opinião contrária, elogiando a performance da atleta e salientando que os esportes não são destinados apenas às pessoas cis.

Outros usuários também se posicionaram a favor das pessoas trans, justificando que Alana estava fazendo história e abrindo os caminhos através da representatividade. Depois de agradecer, Alana pediu que seus fãs não “perdessem suas energias” discutindo com pessoas que não “agiam de boa-fé”. Ela finalizou dizendo que todos precisam trabalhar para que existam mais oportunidades para as crianças trans, fazendo com que se normalize cada vez mais a questão.


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