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Mulheres – Eu poderia me definir assim….

Poderia me definir assim: não sou cem por cento. Sou mulher e sou plural.

Possuo: emoção, razão; uma mistura de sensações. Eterna é a busca de minha identidade. Vivo diariamente no descompasso da vida, do que sou, do que fiz e ainda farei de mim. Perco-me, acho-me. A cada nova descoberta, me desnudo e me entrego para vivenciar de forma plena o caminho que me leva em direção às coisas que são verdadeiramente minhas.


Por isso acho que nós, mulheres, somos plurais. Jamais podemos ser expressas no singular. Somos várias em uma só, repletas de sensibilidade.

Também acho que parte do que somos é resultado de nossos hormônios. Não podemos esquecer que nos modificamos para gerar vidas. Isso mexe com nosso corpo, nossa cabeça e nossa emoção, diria, com tudo.

Somos amigas, parceiras, profissionais, mães, confidentes, muitas em uma só. Essa multiplicidade de pessoas no formato de uma é o que nos define para os outros e para nós mesmas. Para cada interlocutor uma delas se mostra, abrindo espaço para todas se apresentarem. O momento e a situação irão determinar qual se fará presente. Algumas deixarão sua marca própria e as tornarão diferentes das demais, mas todas estarão em mim, em você, em nós…

Engana-se quem acha que pode nos entender somente com a razão. Só conseguirão chegar até nós aqueles que agirem com emoção e acessarem nosso coração. Somos o que somos, temos nosso jeito, com mais progesterona, com menos estrogênio, com defeitos, mas também com inúmeras qualidades e possibilidades.


Ainda assim, somos nós, mulheres, nesse movimento incessante da vida.

Para nós, é difícil nos desvencilharmos dessa maldita ansiedade que às vezes nos acompanha e nos persegue. De tempos em tempos, acionamos algum botão, e ela resolve se mostrar. Torna-nos parte, advogada e juíza de nosso próprio processo. Não permite que a vida se descortine e cumpra seu papel com naturalidade diante de nossos olhos. Aprisiona-nos, trava-nos e nos paralisa. Ficamos atadas e reféns do imaginário, das deduções e das conclusões. Perdemos nosso senso de realidade. Construímos situações, criamos problemas, fazemos perguntas, cujas respostas, explicações e soluções nós mesmas temos. Saímos do chão… Flutuamos e nos protegemos para que a realidade transcorra para todos, menos para nós. Encurtamos o tempo e trazemos o futuro no presente e os misturamos. Torna-se um emaranhado, um bolo… Não conseguimos separar o que é um e o que é outro. Vivenciamos os dois em um só. Não experimentamos nem presente nem futuro, apenas aquilo que está nos consumindo no momento e nos deixando ansiosas e fora da realidade.

Infeliz ou felizmente, somos o que o espelho reflete todos os dias. Em um dia estamos melhor, em outro mais ou menos ou pior. Mas, somos assim: uma eterna contradição. Hoje somos felizes, amanhã tristes, depois quem sabe… Ainda assim, somos nós, mulheres, nesse movimento incessante da vida.






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