Na era do status, do story, da selfie e da live, vale tudo, menos amar o crush*

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Vivemos a era do status, do story, da selfie e da live nas redes sociais.

Um novo e desastroso jeito de ser da humanidade, onde a comunicação ocorre cada vez mais de forma virtual, impondo uma total artificialidade às relações interpessoais e sociais.



Por mais que tenhamos nos tornado dependentes das tecnologias desenvolvidas por nós mesmos e aplicadas nas máquinas – feitas para que as comandemos, mas que na prática já estão nos comandando -, por mais que tenhamos passado a preferir o descompromisso, a distração qualquer, a vivermos personagens fictícios, não deixamos de sermos humanos. No campo emocional, temos as mesmas carências que tiveram os nossos mais antigos antepassados.

Aliás, nossa situação em relação às carências do campo emocional é pior, pois estas têm sido apenas dribladas e não supridas.

Qual o sentido da vida humana sem um amor Eros intenso e correspondido, sem um lar, sem uma família, sem os filhos, sem os netos, sem verdadeiros amigos? Nenhum!

Mas o fato é que muitas pessoas, especialmente as mais jovens, optam por esse estilo de vida vazia, que nos encaminha para uma velhice de solidão e de arrependimentos.


O intrigante é que a maioria de tais pessoas são inteligentes (diferente de sábias), que inclusive falam até em conquistar o mundo, sem fazerem uma simples reflexão: Do que adiantaria alguém conquistar o mundo sozinho, colocar-se num posto acima de toda essa sociedade mecânica, sem atentar para o fato de que a predominante relação virtual já inviabiliza até mesmo desfrutarmos o aconchego e o calor de um simples abraço sincero?

Indo mais fundo, se rolou um delicioso beijo apaixonado no(a) crush, ops! Foi algo diferente? Xiiii… É hora de pular fora! Paixão nem pensar! Está fora de moda! Amor, então, é coisa para quem quer sofrer. Melhor buscar na agenda do iPhone de última geração (que é de lei) um ‘contatinho’ menos pegajoso, que não tire a liberdade de quem só quer mesmo é viver intensamente sem pensar no amanhã.

Sei que não sou o único a perceber o rumo lamentável que a humanidade tomou ao longo da última década. A questão é: Até onde seguiremos pelo caminho dos ficantes descompromissados, preferindo quem queira proporcionar um mero momento de distração ao som de um paredão, regado a Whisky com gelo ou cerveja gelada, o qual acaba em um relacionamento sem compromisso, em detrimento de alguém que queira proporcionar o AMOR, que queira compromisso sério, que faça planos, que estabeleça metas para a realização desses planos e que nos coloque como PRIORIDADE e não como opção?


Sei que a vontade de muitos que leram até aqui é me dizer: Calma, Erinaldo! Estou fazendo exatamente tudo que você meio que repudiou nesta reflexão. Mas daqui mesmo uso a minha internet 4G, posto uma selfie, um status, um story e faço uma live e fica tudo bem. Quem ver vai achar que estou vivendo uma vida dos sonhos e vai desejar o mesmo. Todos esses problemas que você falou, do campo emocional, realmente eu tenho, mas vou driblando.

Talvez quem pensa de tal forma tenha mesmo razão. Mas, definitivamente, esse não é o mundo que desejei para mim e muito menos para minha filha, que atualmente tem 11 anos.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: yeko / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 08/07/2018 às 9:26






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