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Na França, galinhas substituem agrotóxicos em plantações

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O arborista, que produz apenas orgânicos há 14 anos, resolveu colocar galinhas em sua plantação para reduzir os insetos que atacavam as plantas, e foi um sucesso!

A produção de alimentos orgânicos se destaca atualmente por não utilizar agrotóxicos, transgênicos e nem fertilizantes sintéticos. Em busca de uma alimentação saudável, nada é processado com radiação ionizante ou aditivos, fazendo com que a comida fique livre de qualquer tipo de resíduo agroquímico, o que também auxilia na preservação ambiental.

Sancionada em 2003, a Lei nº 10.031 explica que o sistema orgânico de agropecuária adota técnicas específicas, otimizando o uso dos recursos naturais e socioeconômicos, respeitando a integridade cultural das comunidades rurais. O principal objetivo desse sistema é garantir a sustentabilidade econômica e ecológica, aumentando os benefícios sociais ao mesmo tempo que reduz a dependência de energias não renováveis.

Sempre que possível, o sistema orgânico deve adotar métodos culturais, biológicos e mecânicos ao invés de materiais sintéticos, eliminando o uso de organismos geneticamente modificados e radiação ionizante em qualquer fase do processo, garantindo a proteção do meio ambiente.

Com o movimento da sociedade em busca de alimentação de boa qualidade, o debate sobre agricultura familiar, agroecologia e orgânicos tem se tornado cada vez mais proeminente. E essa tendência não ocorre apenas no Brasil. Christophe Bitauld cultiva frutas orgânicas há 14 anos na França e sempre procurou maneiras de integrar métodos culturais e mais mecânicos na sua produção.

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Direitos autorais: reprodução Facebook/ Christophe Bitauld

Precisando lidar com os insetos que atacavam seu pomar, Bitauld criou, em Saulnières (Ille-et-Vilaine), um sistema que preserva a produção sem precisar utilizar agrotóxicos. Há cerca de dois anos, revendo todas as suas práticas profissionais, resolveu colocar 80 galinhas em três hectares para saber se daria certo ou não.

Em reportagem ao site France 5, Bitauld explicou que as galinhas foram soltas em apenas três hectares, enquanto o restante do espaço ficou sem nenhum tipo de tratamento. A mudança foi quase instantânea, logo no primeiro ano, ele conseguiu mensurar que cerca de 80% dos pequenos insetos que atacavam as árvores frutíferas tinham desaparecido do terreno onde as galinhas estavam.

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Direitos autorais: reprodução YouTube/ France 5

Bitauld afirmou que ficou muito satisfeito, já que os besouros destruíram cerca de 90% da produção em alguns momentos. A descoberta aconteceu quase por acaso, como o produtor narra, quando em uma reunião na Câmara Agrícola Côtes-d’Armor, o assessor de arboricultura Dominique Biche disse que tinha reparado que a população desses insetos tinha reduzido substancialmente em um espaço onde havia galinhas.

Além disso, Biche percebeu que as galinhas locais, chamadas Noires de Janzé, ameaçadas de extinção, são mais animadas e têm a capacidade de voar baixo, refugiando-se em árvores para fugir de raposas, em caso de ataques. Logo que o arborista e o assessor tiveram essa conversa, a princípio despretensiosa, Bitauld sabia que essa era a solução que buscava.

No início, o arborista pediu ao ecomuseu de Rennes algumas dessas galinhas para colocá-las no seu pomar, já que a raça é antiga e existem poucos exemplares no país. Como teve muito sucesso com seu processo natural, resolveu apostar em uma criação ainda mais importante. Atualmente ele mantém mais de 200 galinhas pretas soltas em suas plantações, que reduziram substancialmente a quantidade de insetos. A relação é tão saudável que, além de os criadores nem precisarem alimentar as galinhas, ainda conseguem uma boa produção frutífera no fim da estação.

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Direitos autorais: reprodução YouTube/ France 5

Como são criadas ao ar livre, alimentando-se apenas dos insetos, os ovos têm qualidade superior aos demais, sendo considerados os melhores da região. Os três hectares chegaram a trinta, e as galinhas ainda vivem em completa harmonia com as ovelhas, que também se viram livres dos carrapatos e outros parasitas que costumavam atingi-las.

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