Pessoas inspiradoras

Na luta contra a fome, mulheres se unem e doam mais de 70 mil marmitas para famílias pobres

As mulheres mostram ser decisivas em iniciativas que visam melhorar a vida de famílias vulneráveis no Brasil.



Somando mais de 465 mil mortes, o Brasil relata cerca de 61.500 novos casos da covid-19 em média a cada 24 horas, o que corresponde a 80% do pico, ou seja, quando a maior média diária foi relatada, em 26 de março. Dados do Ministério da Saúde mostram que, na América Latina, nosso país é o que mais relata novas infecções, além do maior número de mortes diárias.

Segundo pesquisa da Rede PenSSAN, em novembro de 2020, o Brasil viveu um pico da fome justamente em meio à pandemia, acometendo 19 milhões de pessoas.

O número pode ser alarmante, mas o estudo ainda mostrou que cerca de 117 milhões de brasileiros sofrem algum tipo de insegurança alimentar, valor correspondente a mais de duas vezes a população da Argentina.


A pesquisa foi conduzida em áreas urbanas e rurais, do dia 5 ao dia 24 de dezembro, o que acende um alerta. Na ocasião, a população ainda estava recebendo o auxílio emergencial, no valor de R$ 300, e o dobro para mulheres mães que chefiam a família.

Neste ano, os números devem ser ainda maiores, já que as parcelas foram suspensas até abril, quando voltaram a ser pagas, mas com valores muito inferiores, que variam de R$ 150 a R$375.

O aumento nos níveis de desemprego e da fome faz com que milhões de pessoas estejam em complexa situação de vulnerabilidade social, mas mulheres de diversas partes do Brasil decidiram atuar na linha de frente no combate à fome, oferecendo o que podem para diminuir esses dados alarmantes.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@lucianac.quintao.


Segundo reportagem do UOL Universa, a economista e criadora da ONG Banco de Alimentos, Luciana Quintão, é uma dessas mulheres. Ela explica que a pandemia tem deixado a questão da fome em alta, mas que esse é um problema que existe há muitos anos no país.

Em 2020, o Banco de Alimentos distribuiu quase 5 milhões de quilos de alimentos, impactando a vida de cerca de 1 milhão de pessoas.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@lucianac.quintao.

Outras iniciativas menores podem ser facilmente encontradas em várias regiões do país, como é o caso da historiadora Adriana Salay, que trabalha para combater a fome em São Paulo. Casada com Rodrigo Oliveira, chef do restaurante Mocotó, eles criaram o movimento “Quebrada alimentada” em 2020, exatamente no dia em que o lockdown foi estabelecido na cidade, em março.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@drisalay.

Adriana explica que eles já sabiam que a fome ia aumentar quando a pandemia chegou, tendência de “períodos caóticos”. Desde o primeiro dia, ela e o marido passaram a distribuir marmitas na porta do restaurante famoso, e a comida era a mesma que todos os funcionários recebiam.

Assim que a ação se tornou popular, eles começaram a receber ajuda de chefs influentes na gastronomia, como Paolla Carosella e Lucas Fasano, além de, claro, vir a demanda aumentar.

Em um ano, o movimento serviu mais de 70 mil marmitas em São Paulo, e o casal também começou a entregar cestas básicas para a população carente. Eles têm parceria com associações comunitárias e mapeiam as famílias que mais precisam, realizando um cadastro para que elas recebam com a frequência necessária.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@drisalay.

Somando às 70 mil marmitas, Adriana conta que eles ainda entregam 300 cestas básicas por mês, e o plano é transformar o “Quebrada alimentada” em uma organização que tenha impactos em longo prazo dentro das comunidades, deixando de ser uma iniciativa pontual.

Décadas antes de a pandemia começar, Luciana Quintão, da ONG Banco de Alimentos, já atuava contra a fome e, no último ano, foi responsável pela arrecadação de 5 milhões de quilos de alimentos, mudando a vida de cerca de um milhão de pessoas.

Além de arrecadar alimentos e doar cestas básicas, a iniciativa abasteceu famílias vulneráveis com cartões de vale-refeição e vale-gás.


Para a economista, a luta contra a fome é um dever social, e a pandemia apenas escancarou um problema já existente e que a política ignora. Ela explica que é preciso passar por uma mudança estrutural, única maneira capaz de reverter a situação.

A ativista e fundadora da ONG Onda Solidária, Tayane Alves, criou a iniciativa logo no início da pandemia, em março do ano passado. Assim que o primeiro lockdown foi instalado, a surfista percebeu o aumento no número de pessoas pedindo comida nas ruas de Fortaleza, capital do Ceará, e logo compreendeu que a fome estava afetando pessoas de diferentes classes sociais, incluindo alguns amigos do surf, e esse foi o momento em que decidiu criar o projeto.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@drisalay.

Com duas amigas, Tayane fez campanha nas redes sociais, conseguiu arrecadar alimentos, entrou em contato com associações de bairros carentes e conseguiu ajudar cerca de 400 famílias. Por conta de problemas de saúde, a jovem precisou se afastar da iniciativa logo após a primeira ação.


Durante seu período de recuperação, o pai da surfista morreu de covid-19, em novembro 2020. A perda fez com que precisasse lidar com o luto, passando meses sem conseguir sair da cama, mas em março deste ano, ela decidiu reviver o projeto para “vencer o luto com a luta”. Até o momento, a iniciativa já ajudou cerca de 800 famílias; ela faz tudo sozinha.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@ondasolidariafortaleza.

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