Comportamento

Na Suíça, deputados não têm regalias e benefícios, e o salário é menor que o dos professores

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Os deputados não têm direito à aposentadoria nem auxílio-moradia ou alimentação, e recebem a cada sessão que comparecem, caso contrário, não ganham dinheiro.

A política é uma das áreas que mais dividem opiniões do público, tanto positivamente quanto negativamente. Enquanto muitos reconhecem a importância de pessoas que nos representem como cidadãos, muitos preferem não se aprofundar na questão, mas gostam de falar que não são a favor da corrupção.

Cada país possui seu conjunto de leis e uma política que funciona de maneira diferente dos demais, por isso, nem sempre a forma como acontece no Brasil será igual à da Argentina, por exemplo. Muitas vezes, isso chama a atenção, e a comparação se torna inevitável. Esse é o caso de uma reportagem publicada na Veja, que fala um pouco como os deputados trabalham na Suíça e quanto ganham.

Uma das principais diferenças entre a função de deputado nos dois países, é que na Suíça não é um cargo, uma função de trabalho, e sim um privilégio. Isso significa que a política é encarada mais como um trabalho voluntário para representar o povo, do que um trabalho propriamente dito. Todos os deputados possuem seus trabalhos em outros locais, que são os que mantêm seus gastos, mesmo enquanto cumprem sua função política.

Outro fator extremamente diferente, como revela Guy Mettan, ex-presidente do Parlamento Estadual de Genebra, e Carine Carvalho Arruda, deputada estadual no cantão de Vaud e socióloga brasileira, entrevistada pela RFI, é que não existe um salário mensal. Os deputados ganham por dia, ou seja, pela quantidade de vezes que comparecem no Parlamento, onde votam propostas de lei, de investimentos e de verbas públicas.

Se eles não comparecem, não recebem, e o dinheiro não pode – nem deve – ser visto como um salário, e sim como indenização pelo serviço prestado, passando a ideia de que o cargo deve ser encarado mais como um serviço voluntário. Nenhuma pessoa neste posto recebe carros oficiais para os eventos, com exceção dos chefes do Parlamento, e apenas quando vão a um evento oficial, o que deve ser comprovado.

A taxa de desemprego na Suíça ficou registrada, de acordo com o CEIC, em 5%, sendo um dos países mais ricos do mundo. O salário mínimo não fica para trás, e várias cidades oferecem os mais altos pagamentos do globo, chegando a 25 mil reais. Para os deputados, de acordo com a socióloga Carine, o pagamento gira em torno de R$ 3 mil por dia trabalhado, sendo que ela mesma trabalha apenas uma vez na semana, quando votam tudo o que é necessário. O salário anual médio de um professor no país chega a R$ 900 mil, bem superior ao de deputados.

Enquanto ocupam cargos políticos, nenhum pode contratar parentes para funções próximas, não recebem auxílio-moradia, tampouco verba de gabinete. O Parlamento se compromete a arcar apenas com as despesas de locomoção, caso os deputados precisem ir a algum ponto muito distante da cidade.

A política é vista como “um serviço civil que se presta à comunidade”, e ao mesmo tempo em que nenhum deputado perde dinheiro enquanto trabalha, também reconhece que jamais irá enriquecer ou ganhar qualquer dinheiro extra nessa função. Quando desejam apresentar alguma proposta de relevância para a sociedade, precisam ir atrás das informações sozinhos, ligando para as pessoas e falando com cada uma para compreender o que é necessário mudar.

Carine explica que a política não é vista como um “showbiz”, em que uma pessoa se destaca e ganha votos pela sua personalidade, e sim como um trabalho em equipe, já que todos ali exercem outras funções profissionais. Dessa forma, de acordo com a socióloga, a população não vê a área como algo distante da realidade da maioria, e sim como um complemento para melhorar ainda mais a sociedade.

Vale lembrar que, na Suíça, os principais debates políticos giram em torno justamente do que está sendo pautado no resto do mundo, como a condução da pandemia e questões climáticas. Durante a crise sanitária, o país se destacou como um dos que colocou a população e a questão social acima da economia, com apoio e intervenção, principalmente, do Parlamento.

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