Nada como uma boa conversa sobre tudo e sobre nada…

Vamos conversar hoje? Nada como uma boa conversa sobre tudo e sobre nada.

Para uma amiga em apuros, sempre sobra um tempinho – bem comprido e elástico – quando é necessário. Afinal, amigas precisam de colo. E, quando não pedem colo, trocam risadas e passeios nos finais de tarde para relaxar do trabalho. Ou se animar para festa de logo mais à noite. Ou ainda, simplesmente para curtir a amizade.



A gente sempre tem uma amiga. Perto, longe ou no meio do caminho, entre uma rua e outra. Nas esquinas, o tempo dos relógios desliza rápido, mas parece não passar, como se estivesse dentro de um mundo à parte quando estamos juntas. Os filhos na escola podem esperar. Maridos, namorados e anexos, podem ser encontrados mais tarde. Nada como uma boa conversa sobre tudo e sobre nada.

Uma conversa solta ou séria, daquelas que discutem a razão das coisas e a explicação dos sentimentos. Sobre nossa vida. Mais ou menos num ritmo sem muitos solos, compartilhados com ex-homens da nossa vida, ex-sogras dominadoras, ex-famílias perfeitas, ex-empregos de sucesso e ex-férias de tirar o fôlego. Uma vida meio corrida, ou meio em marcha lenta, ou meio parada na frente da televisão. Não importa.

Assim como eu, você e os outros seres do universo, vivemos os dias sempre à espera das grandes viradas, mas nós, amiga, com a nossa amizade, tudo nos parece diferente. O céu e a terra não nos cabem, estamos à parte das coisas da vida, que ficam quase nuas de implicância com nossos pensamentos, que estão a dois palmos do infinito.


Somos amigas do tempo. Um tempo que passa devagar, que espera a gente passar. Amigas que não se importam com fracassos, a gente sabe que alcança, é só ir contando os passos. Amiga que entende que esperança é como o último fio de macarrão no prato, o mais gostoso. Viver com esperança faz a gente se superar na espera. Espera na companhia alegre das fofocas, das compras exageradas de coisas que nunca mais iremos usar. E quem realmente se importa com a severa inutilidade das coisas? Hoje, a gente se encontra ainda mais uma vez. Duas flores que buscam a luz do sol entre as nuvens escuras de chuva.

Conhecemos o caminho dos raios de sol da manhã, não nos percamos entre as esquinas. Segura a minha mão, que logo estaremos entre as águas de dois rios que se cruzam e andam por caminhos diferentes. Sigo o meu caminho e você o seu. Mas é logo ali adiante que nos encontraremos e quantas coisas serão diferentes. Falaremos do barulho da chuva abafado que corre lá fora, dos personagens que surgirão em nossas vidas que nos farão pessoas melhores.

Quem sabe, quando nos encontrarmos de novo, será você a me ensinar, a me socorrer então?  Temos destinos diferentes, mas um ponto em comum: somos rios que encontram tantas coisas, pessoas e cenários pela frente, com um só porto a chegar.


Buscamos ser mar, quando todos parecem ficar entre os riachos dos caminhos da vida.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: nd3000 / 123RF Imagens

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