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Nadadora transexual derrota medalhista olímpica e é alvo de rejeição

Foto: Reprodução
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A atleta voltou a suscitar o debate sobre a participação de mulheres transgênero nos esportes, levantando questões sobre justiça e preconceito.

No esporte, a vitória é o principal objetivo de quem se propõe a entrar numa disputa. Muitos são os atletas que dão seu sangue – até de maneira literal – para obter o resultado desejado. É direito de todos os seres humanos praticar esportes, isso porque o simples fato de descobrir um hobby ou mergulhar fundo numa modalidade como profissão pode fazer com que as pessoas melhorem a qualidade de vida.

Para a nadadora da Universidade da Pensilvânia, Lia Thomas, de apenas 22 anos, fazer parte de disputas na natação tem sido difícil. Ela é a primeira atleta transgênero a ganhar um título da NCAA na primeira divisão, liderando com folga a prova de 500 m no dia 17 deste mês.

Lia participou da equipe masculina da Penn até 2019, e sua vitória sobre a medalhista em Tóquio (Japão), Emma Weyant, indignou o público e até mesmo as atletas. Grande parte dos internautas afirmam que não existe “jogo limpo”, já que a nadadora supostamente teria vantagem biológica sobre as demais participantes.

Logo depois da prova, Lia disse à ESPN que tenta ignorar os comentários negativos, concentrar-se em seu potencial e naquilo que precisa fazer para se preparar para suas provas, bloqueando todo o resto. Enquanto falava com a emissora, a atleta chegou a ser vaiada e chamada de “trapaceira”, mas afirmou que “significava o mundo” participar daquela disputa.

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Direitos autorais: Reprodução YouTube/ Fox News

Mesmo sendo o tempo mais rápido da temporada da NCAA, ela ainda ficou muito abaixo do recorde feminino na mesma categoria, cravado por Katie Ledecky, dez vezes medalhista olímpica. Emma Weyant ficou 1,75 segundo atrás de Thomas. Erica Sullivan, que brigou com a universitária da Pensilvânia na maior parte da prova, ficou em terceiro lugar.

Lia Thomas é a primeira atleta transgênero a ganhar um título na primeira divisão de qualquer esporte dos Estados Unidos, segundo informações da CNN. Favorita para as provas de 100 e 200 metros livres, o público continua dividido quanto à participação da atleta, mesmo que as próprias organizações oficiais se posicionem favoráveis à sua participação.

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Em 2019, CeCé Telfer foi a primeira atleta transgênero a ganhar um título da NCAA de qualquer tipo, quando venceu os 400 metros com barreiras feminino da segunda divisão. Abrindo caminho para Thomas, que agora tem mostrado um desempenho impressionante, ela está vencendo uma série de provas em disputas diferentes.

Mas suas conquistas chamam a atenção dos mais conservadores, que acreditam que o corpo de Lia Thomas prejudica as demais nadadoras. Nos últimos meses, Lia tem sido destaque nas principais emissoras estadunidenses que criticam a inserção de atletas transgêneros nos esportes, como a Fox News.

Não é a primeira vez que Thomas é alvo de críticas, já falamos sobre o caso em que precisou se defender depois que alguns companheiros de equipe da Penn escreveram uma carta anônima pedindo seu afastamento do time feminino. Dezesseis de 40 colegas afirmaram que ela tinha uma “vantagem injusta” e ainda disseram que apoiam sua transição de gênero apenas fora das piscinas.

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A NCAA exige que mulheres transexuais atletas tenham um ano de terapia de reposição hormonal para serem liberadas para participar de esportes femininos. Thomas disse que começou a HRT em maio de 2019 e se assumiu trans naquele outono, e a NCAA aprovou sua participação no campo feminino.

Ela pediu respeito como qualquer outro atleta e disse ainda que não era um homem. Como era uma mulher, era lógico que deveria pertencer ao time feminino. Lia Thomas ainda conta que precisou parar de acompanhar as redes sociais para que o ódio gratuito dos usuários não afetasse sua saúde emocional.

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