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Não banalize, nem economize “eu te amo”.

Neste mais de meio século vivido, conheci, como todos, pessoas dos mais variados perfis.

Uma vez li algo que dizia, mais ou menos, que tantas opiniões existem quantos o número de homens sobre a terra. Isso quer dizer que cada pessoa é única e que por mais parecidas que possam ser, há sempre algo que difere umas das outras.



Sendo eu uma pessoa que está sempre tentando enxergar a alma alheia (não que isso seja uma qualidade) raramente deixo de prestar atenção aos meus interlocutores e, automaticamente, sem qualquer presunção, tento captar o que há por trás de suas posturas, de seu discurso, do seu modo de se expressar.

Tenho comigo que ninguém é óbvio, já que o ser humano é sempre muito complexo. Ninguém é exatamente aquilo que aparenta ser, existe sempre um mistério oculto em cada um de nós do qual, às vezes, nem nós mesmos nos damos conta, mas que para os mais atentos, ainda que não sejam decifrados, são, intuitivamente, perceptíveis.

Assim, por essa minha jornada terrena deparei-me com pessoas impregnadas de afetividade, assim como me vi às voltas com outras empenhadas em demonstrar suas naturezas pétreas.


Houve também os encontros com os carentes que tanto necessitam dizer, ainda que aleatoriamente, sobre sentimentos cujo objetivo é  ouvir de volta os ecos de suas palavras, porém vindos de pessoas que não elas mesmas.

Observei uma fase engraçada onde jovens adolescentes espalhavam a esmo tantos “eu te amo” a tudo e a todos, que pareciam simplesmente estarem a dizer “olá”.

Nas redes sociais, para amigos da escola, para pessoas que nem conheciam. a tal frase saia até mesmo para alguém com quem jamais tinham estado uma só vez na vida.

Conheci pessoas que achavam fora de moda dizer “eu te amo”, afirmando que frase feita não lhes fazia a cabeça, porém não encontrando outra expressão que pudesse usar em substituição, nada diziam, por vergonha de ser ridículos, fora de moda, ou previsíveis demais, pois tinham grande necessidade de demonstrar articulação, e falar de amor lhes parecia piegas, coisa de gente desconectada e retrógrada.


Certamente não devemos declarar nosso amor a menos que ele seja verdadeiro, porém, escondê-lo uma vez que ele existe, é correr o risco de mata-lo no outro.

Nessa minha prática de observadora inveterada, mantive contato com alguns que escondiam sentimentos por medo que estes fossem usados contra si e que, por fim, acabava acontecendo, pois ao economizar as expressões de amor, matavam o amor no outro, e o sentimento contido terminava unilateral, suscitando  desventura e sofrimento ao ser sovina.

Testemunhei a dor na expressão “eu te amo” dita quando já não podia mais ser ouvida pelo ser amado que jazia, cujo espírito havia feito a passagem. Era tarde! Assisti com grande emoção e compaixão o sofrimento daquele que sonegou toda a vida, uma expressão de amor.

Ouvi muitas declarações de amor vazias e banalizadas, ditas a esmo, com intuitos desleais e deixei de ouvir outras tantas caladas pelo medo, pelo receio do escárnio, pela falta de habilidade, ou simplesmente, pela pura ausência do sentimento.

Certamente no passado, no presente e no futuro, por  toda a superfície terrestre, todos os dias, minuto a minuto, são ditos muitos “eu te amo” e tantos outros são reprimidos.

Fixemos nossos sentidos no sentido dessa frase dita mundo afora, em todos os idiomas cujo entendimento é  universal.

Avaliemos o seu real significado, a grandeza contida no conjunto formado por estas três palavras, assim, talvez aprendamos a libertá-la, quando for verdadeira e a contê-la quando for vazia.

O amor é o maior e mais importante de todos os sentimentos e por ser coisa tão séria, não deve ser economizado, tampouco banalizado por leviandade ou mentiras.

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Direitos autorais da imagem de capa: alexkoral / 123RF Imagens

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