Não crie expectativas: baseado nas palavras de Padre Fábio de Melo e Monja Coen



Quando fazemos algo sem criar expectativa sobre o retorno, nós nos doamos por completo, sem restrições ou reservas.

Se eu pudesse dar um conselho hoje, seria: não crie expectativas com nada, nem com ninguém. Até porque a outra pessoa nem sempre está disposta a nos oferecer o mesmo que estamos dispostos a oferecer. Isso gerará uma ansiedade desnecessária e possivelmente uma frustração futura, caso a sua expectativa não seja atendida. É muito melhor amar pelo prazer ou pela pureza que o amor pode lhe oferecer.

Quando fazemos algo sem criar expectativa sobre o retorno, nós nos doamos por completo, sem restrições ou reservas. Assim nós crescemos espiritualmente e qualificamos a nossa capacidade de amar. Porque se eu amei pelo valor de amar, estou assim, edificado pelo que o amor me fez. Agora, se eu fico chateado porque o outro não corresponde pelo amor que eu dei a ele, então posso chegar à conclusão de que o meu amor não está tão puro assim, até isso acabar me machucando também.

Essa santa indiferença é muito saudável. Ela é difícil?! É! Mas acredito ser absolutamente necessário para que a gente tenha condições de não se decepcionar.

Nós temos ideias sobre o que é quietude mental, ideias sobre o que é tranquilidade, religião e temos até ideia sobre o que é ser zen ou meditação, mas precisamos jogar tudo isso fora. Quando eu não tenho mais nenhuma ideia a respeito de algo, eu posso ter a experiência verdadeira. Não tem expectativa, aí eu experimento o que está acontecendo. É que nem quando dão uma comida para você que você nunca viu antes, nunca cheirou ou experimentou, você não tem expectativa do sabor, logo você faz como uma criança, põe na boca e sente o gosto.

Normalmente temos a tendência de colocar algo na boca para provar pela 1ª vez e acabamos ignorando o seu sabor, menosprezando ou deixando de lado. Uma criança, quando faz isso, sente o sabor, e por mais que seja desagradável e azedo, ela sente o gosto azedo. Nós temos que a capacidade de sentir todos os sabores, todas as emoções e sentimentos. Temos que estar conscientes do que está acontecendo para saber usar isso de forma adequada.

Um texto interessante de Pedro Bial diz o seguinte: Guarde suas expectativas ou, se possível, não crie expectativas. Se você espera muito e nada acontece, você se decepciona. Se você espera nada, e algo acontece, você se surpreende. Você vai perceber que tudo pelo qual você se preocupou foi apenas perda de tempo. Se der certo, você se preocupou com tudo à toa. Se der errado, você se preocupou com algo que nem valia a pena ter investido o seu tempo. Pare de criar expectativas, pare de se decepcionar e se surpreenda.

O que são nossas frustrações senão o não cumprimento das expectativas que nós próprios criamos? E por que criamos tais expectativas?

Pois bem, hoje em dia muitas pessoas sofrem da “síndrome da expectativa”. E é normal, afinal, como começar um relacionamento sem imaginar que pode dar certo dessa vez? Mas o problema em questão são as expectativas exageradas. Depois de um primeiro beijo, a pessoa já está fazendo a lista dos padrinhos e madrinhas, vamos com calma. Aí você me dirá: “ Então, eu tenho de ser frio? ” Nem muito ao céu, nem muito ao inferno. Mas é importante que aprendamos a criar expectativas reais.

Sonho em ser dono de uma empresa, tenho 17 anos e nem me formei no ensino médio, diriam para mim, vai estudar moleque e construa seu futuro. A questão não é o seu destino, e sim, que caminho você está disposto a seguir? E ainda mais, o quanto você está disposto a caminhar? Preciso de doutorado? Steve Jobs nem formado era. Preciso de experiência? Hoje vemos inúmeros adolescentes iniciando negócios prósperos na internet, sem nem ao menos tirar seus aparelhos dentários. Qual a diferença entre eles que conseguiram e de você que amarga aquela sensação de que deveria largar seu emprego atual, mas tem medo de não pagar as contas?



A diferença é que eles sabiam realmente onde estavam. Realmente. E sabiam que tinham um longo caminho a percorrer e estavam dispostos a caminhar até fazer bolha nos pés. E foi o que fizeram. Obviamente, esses caminhos podem ter vários atalhos, sua formação, sua experiência, sua intuição, mas isso é algo pessoal. O que quero dizer é: tenha o hábito de questionar seu caminho sem julgamentos tendenciosos ou críticos demais.

Seja realista! Analise as opções, e concomitantemente com essa análise, formule ações. Já dizia um pensador: A felicidade tem uma equação simples que é igual a expectativa menos realidade. É teoricamente simples, mas essa conta tem de ser refeita todos os dias. Essa rotina lhe dará a plena consciência de onde você está, que caminho deve escolher, e o quanto tem de se preparar para a caminhada.

Deve-se separar um protetor solar e um cantil cheio ou construir um catamarã e se preparar rumo ao Polo Norte.


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