Não dê satisfação ao mundo. Dê amor a quem merece!

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Você sabe. Uma paixão não tem hora certa para acender e nem tempo exato de apagar. As crianças de colo não têm vergonha de cair no choro quando sentem tristeza, medo, dor e essas coisas que, por sua vez, não têm problema de aparecer sem avisar.



Acredite. Quando você está triste ou está feliz, o clima lá fora nada tem a ver com isso. Na praia também chove quando é feriado, e a chuva está nem aí para as suas vontades.

Ninguém entre nós, mesmo aqueles com uma multidão de amigos próximos e parentes e conhecidos disponíveis, tem alguém que o ouça e compreenda com perfeita clareza no instante mais miserável de sua tristeza. Então fala à toa e depois deixa sua dor doer aos poucos, em silêncio, na solidão de um cego.

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Os médicos não têm explicação para os casos de pacientes desenganados que se curam de inesperado. Porque, você sabe, milagres não se explicam. A gente agradece, reza, chora. E faz de tudo para merecer a vida em toda a sua grandeza e sua potência.

As cobras não voam porque Deus não lhes deu asas. Sorte a nossa. As pragas, as baratas e as fofocas não têm controle de natalidade. Nascem com a volúpia, a rapidez e o exagero das descargas hormonais de um adolescente. Fazer o quê?

Quando uma pancada de chuva surpreende os pedestres na rua e encharca-lhes dos pés à cabeça, ninguém nunca tem nos bolsos um novo par de meias secas.


Os especialistas da Nasa descobriram que a Lua não tem água, comida, ar respirável e essas coisas indispensáveis à vida. Mas e daí? Nem precisa ir muito longe. Muito canto aqui na Terra mesmo também não tem.

E as pessoas muito velhas por fora que mantêm a juventude por dentro, então? Em geral, não têm mobilidade e energia para caminhar longas distâncias. Mas também não têm o menor problema com isso —embarcam a qualquer hora na garupa de suas lembranças, nas asas de seus sonhos e vão voando até onde quiserem.

Certeza mesmo, ninguém nunca tem. Apesar de toda a nossa empáfia, nossa pretensa segurança e nossas patéticas demonstrações de controle. A despeito de tudo isso, alma nenhuma deste mundo tem noção do que vai acontecer daqui a dois segundos. Nós apenas seguimos em frente.

Tem gente que não tem dentes, casa, dúvidas, jeito com crianças.

A viúva da casa cheia de gatos e saudades não tem ninguém além de seus gatos e de suas saudades. Os pombos e os inadimplentes não têm crédito na praça. Os mais ricos não têm moedas para o mendigo. O marido adúltero não tem explicações para a mulher traída. Pobre homem. Mal sabe que ela deve ter feito o mesmo a ele bem antes, bem feito. Os telefones celulares não têm baterias que durem um minuto a mais no instante em que você precisa. As moças bem amadas, bem seguras, bem vividas não têm medo de engravidar ou de adotar uma criança.

NÃO DÊ SATISFAÇÃO AO MUNDO - FOTO DE CAPA E FOTO 02

E você, você aí, você não tem de explicar a ninguém os motivos de suas vontades inesperadas, por mais estapafúrdias que elas pareçam aos outros. Porque dos sete bilhões de seres humanos que respiram no planeta, só a mais rara meia dúzia é de alguma sorte afetada pelo que você escolhe fazer da sua própria vida e, ainda assim, até certo ponto. Então, é certo que você não tem de dar satisfação nenhuma por aí exceto a dois ou três escolhidos além da sua consciência. Jamais ao mundo inteiro.

Aliás, o mundo inteiro nunca vai saber quem somos você e eu.

Sobre as guerras, as picuinhas, as intrigas e as maledicências, então, não há dúvida: elas não têm cabimento nenhum.

E a vida, ah… a vida não tem o menor sentido se não tiver amor.

Para o resto, você sabe, sempre tem um jeito. É que a gente, sabe Deus por quê, vive fazendo questão de esquecer.

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