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NÃO DEPENDA DO AMOR DE NINGUÉM!

Quem tem o hábito de ler meus textos sabe o quanto eu incentivo as pessoas a se entregarem totalmente às relações. Vivo a declarar coisas como: “Se você não está disposta a se doar para que o seu namoro vá para frente, nem comece!” Porém, vejo que algumas pessoas têm confundido “doar-se” com “viciar-se”, o que é péssimo à relação e aos envolvidos nela.


Uma coisa é mergulhar de cabeça e coração em um namoro, outra, bem diferente – e negativa! -, é achar que você depende de um namoro para que seu coração continue a pulsar e sua cabeça permaneça no lugar. Percebe a diferença? Percebe mesmo? Ufa! Porque fico assustado com gente que, sem álcool no sangue e fora do terreno exagerado da poesia, teima em dizer: “Eu preciso dele para viver!” Ou: “Sem ele, eu não sou nada!”.

Eu sou louco pela minha namorada, confesso. Contudo, se um dia ela resolver chutar a minha bunda e me trocar por alguém que a ame menos, eu não vou tomar veneno de rato nem pular no Tietê de boca aberta. No máximo, vou me entupir de brigadeiro de micro-ondas e escrever textos mais cinzas e chuvosos do que costumo escrever. Pensando bem, é mais provável que eu encha a cara de conhaque e que chore, copiosamente, até ficar inchado feito o Rocky Balboa no último round.

Mas só. Ponto. Pois, apesar da sensação de saco vazio que certamente sentirei, eu sei que serei capaz de perceber que, mesmo se ela levar o cheiro que amo em minha fronha e a possibilidade de um futuro como hoje idealizo, ainda restará em mim o suficiente para me lembrar da seguinte verdade: a vida pode até me arrancar amores, mas nunca – em hipótese alguma! – será capaz de amputar o meu amor-próprio; e é só dele que eu preciso para me reconstruir, mesmo depois do mais devastador dos terremotos.


Amo-me o bastante para compreender que não dependo do amor de ninguém para sobreviver. O meu amor-próprio é um prato que contém arroz, feijão, bife, ovo e salada, ou seja, tudo que eu necessito para me manter nutrido e vivão da Silva. E os amores que me dão, a meu ver, são temperos. Temperos deliciosos – não nego! -, mas, definitivamente, não são essências à minha sobrevivência.

É óbvio que amo a pimenta, o sal e o açúcar que a minha namorada coloca em meus dias, mas tenho plena consciência de que não dependo disso para perceber o gosto da vida. E sei que minha namorada encara o meu amor cheio de especiarias da mesma forma, o que me deixa extremamente aliviado. Por quê? Porque eu quero uma namorada, não uma dependente. E nada mais horrível do que alguém que diariamente implora por seu amor como um viciado clama por mais uma pedra de crack.

Você se apaixona pela pessoa, pelas tantas coisas que ela curte fazer, pelos sonhos malucos que ela tem, pelos hobbies engraçados que ela ostenta, pelas amigas que ela cultiva, aí, depois de um tempo de namoro, percebe que ela não é mais a mesma coisa, que reduziu todas as necessidades da própria existência a apenas uma: tragar o seu amor, a todo segundo, desesperadamente. Você diz: “Amor, que tal uma cerveja com as suas amigas?” E ela responde: “Prefiro ficar aqui, grudada em você!” Ouvir isso, de vez em quando, é legal, faz com que nos sintamos importantes, valorizados. Mas a toda hora? É asfixiante. É como ter, em vez de uma namorada, um frágil bebê que morrerá de inanição se a fila de frios do supermercado estiver grande. Saca?


Assim como o viciado em substâncias químicas ilícitas, que larga tudo para passar dias inteiros usando a droga, o dependente de amor faz a mesma coisa: reduz-se a um usuário compulsivo do amor de alguém, mais nada. E se torna desinteressante por dizer, mil vezes por dia, que só quer saber do namoro e de coisas relativas a ele.

Ame sem moderação, a cada segundo, entretanto, se por acaso perceber que a falta – mesmo que momentânea – de um amor lhe causa crises de abstinência maiores do que as enfrentadas por aqueles que estão largando a heroína, repense. Respire e repense, vinte vezes. Pois você, muito provavelmente, se tornou dependente do amor de alguém, o que me leva a crer que seu organismo está deficiente de amor-próprio.

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Por: Ricardo Couro Via: Superela  –  (Superela é uma plataforma capaz de fazer as mulheres mais felizes, tudo de especial sobre Amor, Sexo, Vida, Beleza e Estilo! Mais textos incríveis em: Superela.com)





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