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“não é seu papel me amar, é meu”

Não é seu papel me amar

E aí? Você já se amou hoje? Amar a si mesmo é legitimar a si mesmo o amor que não compete ao outro lhe dar.



Sei que esta frase pode soar um pouco estranho, pois está limitada no tempo. Ela se refere ao momento presente. Ao aqui e agora. Mas… calma. É proposital. Se você se abrir um pouco para ver o amor como um conjunto de comportamentos que vai além daquela sensação maravilhosa em nosso meticuloso coração, fica mais fácil compreender.

Então, amar a si mesmo pode significar muitas ações. Ações diárias. Está relacionado a acordar com uma atitude positiva em relação a si mesmo. A decidir romper com padrões sociais pelo fato fatídico de que eles não cabem a você. É legitimar a si mesmo o amor que não compete ao outro lhe dar.

Certa feita, passeando meus olhos por diversas palavras num texto, eu me deparei com a frase: “Não é seu papel me amar, é meu”. É claro que fui impactada. As palavras de Byron Katie, que eu sinceramente não conheço e nem ainda me fiz conhecer, lançaram-me para dentro de mim, violentamente. Ele conseguiu colocar um mundo em oito palavras. Oito palavras! É claro que queremos ser amados, queridos. Somos seres intrinsecamente sociais e assim fomos condicionados, mas a linha de equilíbrio entre uma característica que nos parece inata, e obrigar ao outro nos amar e aceitar é tênue.


Quantas vezes o que o outro sente por nós nos legitima? Nós o transformamos numa caixa de aprovações de nossos pensamentos, sentimentos, ações e do nosso ser. Isto pode nos levar a uma montanha russa emocional difícil de parar.

Se o outro nos aprova, ama e nos aceita, nós nos sentimos maravilhosos. Se o contrário é verdadeiro, vamos ao fundo do poço. Em especial se amamos o outro.

Mas… já se perguntou se talvez isto seja um sinal de crueldade? Sim. Crueldade com o outro, crueldade conosco. Não estamos aqui para satisfazer a vontade de ninguém, nem ao menos viver de acordo com suas expectativas, já dizia o criador da Gestalt terapia, Fritz Perls. Mas, é assim que nos legitimamos como gente: sem saber conviver com a responsabilidade dantesca de amar e legitimar a si, projetando tal função no outro, para enfim nos tornarmos sua marionete.

Imagine só ter a obrigação de amar alguém, de legitimá-lo como ser amável. Causa-me arrepios! É uma grande responsabilidade. Responsabilidade cruel. Por isso, desobrigue-se. Desobrigue o outro. Assim, menos expectativas são criadas. Menos frustrações geradas e o amor poderá realmente existir, dando a missão a si mesmo de ser livre e permitindo ao outro que seja.


Quando você se bastar, o outro virá e transbordarão.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / ammentorp


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