Comportamento

“Não é síndrome de nada, é falta de educação mesmo!”

3 capa site Nao e sindrome de nada e falta de educacao mesmo

Em uma época em que todos os comportamentos considerados desviantes são rapidamente patologizados, uma das melhores estratégias talvez seja o diálogo.



A cada geração, a forma como vivemos muda, abrindo espaço para novas interações e transformações profundas na cultura e no espaço.

Se na época dos nossos avós não existia televisão e a única forma de se divertir era na rua, na atual percebemos que o abuso no uso de telas tem feito com que crianças se movimentem cada vez menos.

Esse sedentarismo infantil está também muito atrelado ao excesso de compromissos dos adultos, que a cada dia dispõem de menos tempo para dedicar aos filhos.


O diálogo real vem abrindo espaço para as interações nas redes sociais, em que tudo se resolve com um duplo clique ou um pequeno coração vermelho. A transformação no tecido social e nas interações humanas não analisa os impactos dessa estrutura na saúde mental das crianças, pois o lucro vem sempre em primeiro lugar.

De maneira concomitante, as crianças vão adoecendo, demonstrando um comportamento cada vez mais frágil, sempre precisando de mais e mais atenção e proteção. A intenção dessa reflexão não é culpar os pais, apontando o dedo para suas falhas, sem nunca tentar compreender cada realidade.

A verdade é que os adultos estão tão perdidos quanto à educação das crianças, com a única (e talvez mais importante) diferença que já têm grande parte de suas personalidades e funções corporais desenvolvidas.

É importante reconhecer que o momento que estamos vivenciando pode ser visto como um divisor de águas e, se nem sequer nós sabemos como nos comportar, como encontrar um meio-termo, equilibrando trabalho, saúde emocional e bem-estar físico, como podemos cobrar isso das crianças?


Com medo que desenvolvam problemas graves, acabamos sendo os primeiros a patologizar suas reações ao mundo, sempre atribuindo comportamentos que consideramos inapropriados a doenças e síndromes. Precisamos apenas de um profissional da área da saúde que ateste que estamos certos, dizendo que a criança age dessa forma não por excesso de telas e ausência de vida ao ar livre, mas porque, definitivamente, possui alguma doença.

É realmente mais simples terceirizar os esforços, mas o cuidado infantil vai muito além de noites sem dormir e amor profundo. Criar uma criança envolve reconhecê-la como parte integrante da casa, como indivíduo que tem voz e todo o direito de se expressar, assim como todos os outros. Educar uma criança envolve reconhecer seus erros enquanto adulto e mostrar a fragilidade humana, que a qualquer momento pode cometer um ato equivocado.

A melhor aula de aprendizado para uma criança é com exemplos. Seja aquilo que você sonha que seu filho vá se tornar na vida adulta, vire um espelho que sabe replicar elogios e lidar com todos os momentos mais tensos de maneira equilibrada e sensata.

As crianças precisam de estabilidade e rotinas, precisam saber que são parte importante da casa, e não pequenos reis e rainhas que nunca vão aprender o funcionamento da vida doméstica e seus infinitos afazeres.


A melhor forma de ver as síndromes imaginárias do seu filho desaparecerem é dando-lhe liberdade para que seja sempre sua melhor versão. Permita que ele explore o mundo, que pergunte sobre tudo do que tem dúvida e que sinta amor por você e suas ações. Quando precisar ouvir o que ele tem a dizer, afaste um pouco o aparelho celular, olhe nos olhos dele e perceba a magia da infância.

É provável que seu filho não tenha nenhuma síndrome, é provável que toda essa fragilidade seja oriunda de problemas emocionais. Mas é muito importante lembrar que, em inúmeros casos, apenas um diagnóstico médico será capaz de mensurar as condições físicas e mentais das crianças.

Mulher quer manter relações íntimas com mil homens até os 30 anos. “Minha missão de vida”

Artigo Anterior

6 hits que são composições de Marília Mendonça e talvez você não saiba

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.