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Não era pra ser…

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Passei a festa inteira olhando pra ela. Era a segunda festa que eu ia no lugar na mesma semana, meus amigos já estavam todos loucos e jogados em algum canto da sala, eu não parava de dançar e mesmo assim passei a festa inteira olhando pra ela.



Quase meia noite, nenhuma confirmação de interesse, parei de olhar e fui avisar que iria embora. Ela parou, sorriu, sorri, tudo bem?, tudo ótimo, seu nome?, ela disse, eu também, quer pegar meu telefone?, meu celular tá descarregado, pega o meu então.

24 horas depois e nada. Nem um sinal de mensagem ou whatsapp. Nem fumaça, nem sabia o sobrenome pra dar aquela stalkeada marota e tentar achar no Facebook. E se eu tivesse dado o telefone errado? Possível, tava meio bêbado. E se ela anotou errado?

Merda, por que não pedi o telefone de alguém pra ter certeza de que iria manter contato? E se ela não quis mais ligar? Justo. Passei o dia inteiro surtando, pensando que poderia ter achado o meu amor na balada – calma, gente, não é propaganda da Nokia – e ter perdido logo em seguida. 24 horas de tensão e apreensão até que o sono bateu e a ficha caiu: não era pra ser.


Tem tanta coisa nessa vida que não era pra ser. Eu já falei sobre timing, sobre sorte, sobre agarrar oportunidades, mas também acho que muito do que a gente faz, leva, ganha e perde tem influência de algum destino maluco que anula causas e consequências.

Podia ter sido o grande amor da minha vida? Podia, mas eu nunca vou saber.Também podia ter sido só uma garota bonita numa festa cheia demais que se interessou por um cara nada especial parado num canto da sala. Ela podia ser chata, ter um péssimo gosto musical, odiar a minha literatura etc e tal. São possibilidades. Mas a gente sempre acaba imaginando as possibilidades positivas de uma oportunidade perdida pelo acaso.

Comecei a repensar alguns episódios que já vivenciei e apliquei o mesmo pensamento. A frustração foi passando aos poucos, foi passando enquanto eu pensava que pra tudo na vida a gente tem chances boas e ruins, que possibilidades que vivem no mundo da imaginação nem sempre serão positivas.

Isso reduziu meu surto de stalker, fez com que eu acordasse mais leve e tomasse um café com pão na chapa na padaria da esquina. Parei de me culpar tanto, parei de entrar sempre no jogo do “e se…”. E se o quê? Não foi, passou, agora relaxa.


Não dá pra voltar no tempo e se martirizar por coisa boba definitivamente não vai fazer com que o telefone dela apareça na minha mesa de trabalho. Nem vai fazer com que um monte de coisas subitamente aconteça. Algumas coisas, mesmo que na hora estivessem ao nosso alcance, não funcionam. Deal with it.

A gente acaba se prendendo tanto ao que poderia ter acontecido que arrasta uma culpa imaginária à toa. E se culpar pelo o que não pode ser desfeito é um daqueles errinhos bobos que fazem da gente um pouco mais infelizes num mundo em que a vida já não tá fácil.

Por isso, levantei da cama e pensei que teria que levar a bola pra frente. Garotas bonitas em festas bacanas existem aos montes. Talvez ela fosse só mais uma. Mas, Daniel, e se ela fosse o amor da sua vida? Ainda acredito que não era ela, que não era pra ser. Por via das dúvidas, comecei a levar um bloco de anotações no bolso. Só por via das dúvidas.

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Por: Daniel Bovolento – Via: Entre  Todas as Coisas

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