Família

“Não estou procurando sexo, amor ou parceiras.” Homem busca mulher desconhecida para gerar filho

Foto: Facebook
capa site Nao estou procurando sexo amor ou parceiros Homem busca mulher desconhecida para gerar filho

Embora não exista legislação específica sobre a coparentalidade, muitos são os adultos que optam por uma maneira mais saudável de ter filhos.

Os contos de fadas percorrem o imaginário popular há centenas de anos, e remontam à época em que a oralidade dominava as relações humanas. Se antes eles eram retratos da época, e serviam como forma de passar adiante determinados ensinamentos, com o tempo e o empenho dos irmãos Grimm e, posteriormente, de produtoras de animação estadunidenses, elas adquiriram o status de “histórias de princesas”.

Gerações cresceram reproduzindo como ideal de relacionamento a fragilidade feminina empregada em contos de fadas dos Estúdios Disney, em que elas servem apenas para ostentar a beleza e provocar nos homens o desejo de lutar para conquistar seus corações. Sempre passivas, esses imaginários de mulheres acabaram delineando o comportamento e a cultura de muitas comunidades, que defendiam que esse era o posicionamento correto.

Reflexo da época em que estavam inseridos, as sociedades defendiam que existia uma “ordem natural” na existência humana, que incluía crescer, casar, ter filhos e virar dona de casa, para as mulheres; e estudar, arrumar um bom emprego, casar, ter filhos e se desenvolver na carreira profissional, para os homens. Mas essa fórmula certeira acabou perdendo espaço para as circunstâncias e a percepção de que nem sempre as pessoas desejam seguir à risca essa lista, principalmente se estiverem em busca da felicidade pessoal.

Sebastián Alvarez, de 44 anos, por exemplo, sonha em ter um filho, mas não da maneira como a maioria das pessoas imagina. Ele não deseja ter uma parceira, esposa ou namorada, apenas quer encontrar uma mulher que queira dividir a parentalidade com ele, em um regime chamado por muitos de coparentalidade. De acordo com um estudo publicado em 2005, a coparentalidade inicialmente envolve apoio e comprometimento mútuo no exercício da parentalidade.

2 Nao estou procurando sexo amor ou parceiros Homem busca mulher desconhecida para gerar filho

Direitos autorais: reprodução Facebook/ Sebastián Álvarez

O termo é recente, em âmbito acadêmico, por exemplo, há cerca de 50 anos ele é usado com maior frequência, acompanhando a história dos divórcios. Na coparentalidade, não há envolvimento afetivo dos adultos, implica apenas que dividirem igualmente — ou dentro dos termos estabelecidos anteriormente — a criação dos filhos que escolheram ter juntos.

O professor universitário de matemática vive em Mar del Plata, na Argentina, e contou ao Infobae que recentemente ficou solteiro, fazendo-o sentir uma pressão social. Assim como as demais pessoas, Sebastián cresceu acreditando que, para ter filhos, só existia uma maneira:  sendo casado ou minimamente tendo uma parceira, já que ele é heterossexual.

O rompimento amoroso aos 44 anos o fez sentir que deveria estar criando os próprios filhos há algum tempo, então percebeu que existia outro caminho a percorrer. Utilizando as redes sociais com o intuito de encontrar uma mãe para seu futuro filho, Sebastián diz não querer uma namorada, apenas uma mulher desconhecida que aceite conceber e dividir a criação de um filho.

3 Nao estou procurando sexo amor ou parceiros Homem busca mulher desconhecida para gerar filho

Direitos autorais: reprodução Facebook/ Sebastián Álvarez

“Não estou procurando sexo, amor ou parceiras”, apenas uma pessoa que queria exercer a coparentalidade ao seu lado, mas sem nenhum tipo de envolvimento amoroso. Ele chegou a tentar com a namorada anterior, mas como ambos já tinham passado dos 40 anos, nem os tratamentos de fertilidade resolveram a questão.

Ainda assim, a vontade de ser pai permaneceu, e Sebastián pensou que já não tinha mais vontade de “começar tudo do zero”, principalmente porque nem sequer tem garantia de que levará um tempo específico. Ele passou a acompanhar na mídia histórias de famosos que tinham escolhido ser pais ou mães sem um companheiro ou companheira; alguns apostavam na barriga de aluguel e outros na inseminação artificial.

“Talvez por causa de como minha mãe era, eu tenho a ideia de que a mãe é fundamental. Não quero menosprezar o papel do pai, mas sinto isso. Então me considero um pouco egoísta se decidir ter um filho sozinho e não der a chance de ter uma mãe. Essa é a minha opinião, tem muita gente que pode ter um filho sozinha, e é perfeito. No meu caso, é uma opção que não contemplo diretamente, por isso entrei em tudo isso”, defende Sebastián, que não quer ser pai solo.

4 Nao estou procurando sexo amor ou parceiros Homem busca mulher desconhecida para gerar filho

Direitos autorais: reprodução Facebook/ Sebastián Álvarez

Recentemente, ele publicou uma mensagem em um grupo fechado do Facebook em busca dessa desconhecida: “Olá, sou Sebastián, de Mar del Plata. Gostaria de conhecer uma mulher para realizar uma coparentalidade presente, amorosa e responsável”. Sua mensagem foi enviada há um ano, mas até o momento ele não encontrou quem compartilhasse do mesmo desejo.

Ele planeja conhecer essa mulher, estreitar a amizade e, caso perceba que ela compartilha dos mesmos critérios parentais que considera básicos, dar o próximo passo. Para ele, o ideal seria dividir não apenas as despesas, mas também o tempo pela metade com a mãe, criando juntos, porém sem dividir uma história de amor.

0 %