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Não há nada oculto que não venha a ser revelado. E nada escondido que não seja trazido à luz.

O Facebook enviou-me — dias atrás — três fotos. Recentes. Tiradas no Terceiro Encontro de Amigos de Cruzeiro do Oeste.


Não sei qual o critério do Face, na escolha das fotos. Talvez… pela nossa cara de felicidade?. Melhores fotos? As mais visitadas ou curtidas?

Fiquei, um tempão, olhando, e refletindo sobre o estranho sentimento que a lembrança me causava.

Demorei tanto, na observância, que as fotos num “vapt”, desapareceram! Evaporaram, por um dos túneis tecnológicos-virtuais, sem deixar endereço ou rastros.

Deve haver um prazo de espera, que inocentemente excedi. E o Face, cansado pela espera, levou tudo embora.


Como não gosto de sentimentos indefinidos, fui lá na pastinha, onde criei diversos álbuns, buscar as tais fotos.

Em meio a dezenas de fotos, que foram tiradas no evento, e algumas até melhores do que essas três, eu matutava, admirada, pois nenhum programa da web teria inteligência, eficácia ou bola de cristal para adivinhar quais delas registraram meus momentos mais importantes.


Um pensamento martelava, insistente: “essas fotos revelam a gentileza de Deus comigo, usando a gentileza do Face para me dizer alguma coisa”. 

Uma amiga disse-me, um dia, que Deus não fala com ninguém. O que fala é a voz do nosso imaginário.

Concordo com a primeira parte. Nossa matéria desintegradora, frágil, finita, não suportaria a voz de Deus.

Entretanto, há, na bíblia, vários momentos em que o Senhor falou; e, em outros, usou anjos; sinais; sonhos; escritas; profetas, e até animais.

Para impedir Balaão de lançar uma maldição sobre os israelitas, destravou a língua de uma jumenta, que deu o recado direitinho.

Eu teria um treco, se algum bicho falasse comigo!

Conhecendo meu lado medroso, e para evitar meu treco, Deus falava comigo, no quadradinho de minha tela, com três fotos, que reavivavam momentos importantes.

Continuei, fazendo um balanço da gentileza de Deus, refletida, não só nessas três fotos, mas em todos os momentos em que me acompanhou, naquele encontro, através dos amigos.

Pensei nos meios e nas pessoas que Deus usara, para que tudo aquilo fosse possível.

Pensei nas estratégias infalíveis desse ser grandioso, para que eu estivesse onde desejava estar, apesar de tudo trabalhar contra.

Um cético perguntar-me-ia:  “como você sabia que era Deus, e não apenas a agonia de um sentimento confuso?”

Eu responderia: o Espírito do Senhor habita naquele que crê, direcionando-o e avisando que algo está errado. Ele age como uma espécie de alarme silencioso, emitindo ondas de tristeza, mesmo havendo todas as razões possíveis para se estar alegres. 

Não é necessário uma senha para ouvirmos Deus. Tampouco, acessar qualquer outro misterioso meio. Pensarmos em Deus, reconhecendo as maravilhas de seus feitos, diante de nossa pequenez humana, tem o poder de uma oração que nos eleva até Sua divina presença.

O resto fica totalmente por nossa conta. Ouvi-Lo ou não, é um dos nossos livres-arbítrios. Eu prefiro ouvi-Lo, evitando as consequências de meus erros, que certamente hei de sofrer.

Centenas de anos atrás, o homem sequer imaginava que, no futuro, haveria internet. Eu mesma,  hoje, diria que esse meio de comunicação é quase mágico, se não fossem os fios, as tomadas, antenas e outros acessórios, necessários para uma conexão perfeita.

Conexão perfeita: se não cair a energia; se não tiver vírus; se não queimar a placa mãe; se o cooller não tiver poeira, as configurações estiverem corretas, e a conta for paga em dia.

Mesmo sendo possuidor de uma vasta sabedoria, o homem, com suas quantizações e invencionices, não foi capaz de criar uma conexão perfeita. A única conexão perfeita, existente, é a nossa com Deus. Sem necessidade de botões, e sem sequer levantar um dedo para clicar em nada.

Uns usam a Claro, outros a Vivo. Não conheço nada mais Claro, e Vivo, do que Deus. E tudo num único pacote de graça!

Faça luz ou faça noite, sejamos devedores ou não, basta um pensamento de louvor para que estejamos diante de Sua presença. Ele jamais se nega, mesmo que superabundemos em erros. Mesmo que sejamos lentos de entendimento, não Se cansa,, entendendo nossas limitações.

E esperará, pacientemente, como me esperava agora. Deus não tem pressa, pois foi Ele quem criou o tempo, tendo nas mãos o poder de avançar, retroceder, ou congelar o Sol.

Quem tem pressa, somos nós, pobres mortais, vendo os dias se esvaírem, e que, muitas vezes, perdemos nosso tempo com bobagens, sem condições de voltarmos atrás.

Perdi a conta das horas — ansiosas — que levei para entender o que Deus queria me dizer.

Foi preciso reviver todos os momentos da festa e cada palavra trocada. Os sorrisos, os abraços, as fotos tiradas, a boa surpresa de encontrar uma amiga de escola e de trabalho, com quem perdi contato há mais de 40 anos.

Não encontrei nenhum instante errado. Toda a solenidade, tim tim por tim, fora perfeita, superando minhas expectativas. Fui imensamente feliz, enquanto estive lá!

O problema estava na volta. Quando retornei, soltando chispas de uma empolgada alegria, conectei, para falar com amigos que tiraram fotos comigo.

E a cacetada veio, sem piedade. As cacetadas inesperadas, e injustas, são as que mais doem!

Não era meu amigo. Apenas um mero conhecido que, em algum momento da festa, foi polido e educado comigo. Depois de ler a insanidade das palavras, fiquei em silêncio, esperando-o dizer: “Iuhuuu, peguei você! Desculpe-me pela brincadeira”.

Mas ele nada disse. Nem eu.

Fiquei ali, sorvendo a tonteira do choque; depois, a indignação e, por fim, fui tomada por uma infinita tristeza. Deixei passar o momento, quando deveria esclarecer tudo, fazendo apenas uma simples pergunta: o que te fiz, para ser tratada dessa maneira?!

Não foi assim que Jesus agiu com Saulo, botando os pingos nos is? –  “Saulo, Saulo, por que me persegues?”

“Ignore. Você está acima disso. Não se deixe afetar por uma mentira. O infame, provavelmente, sofreu uma amnésia alcoólica, e é melhor silenciar do que bater de frente. Você não o conhece, e pode ouvir coisas piores. Vire a página!”

Palavras que encontramos na psicologia, nos livros de autoajuda, nos bem-nascidos, e entre alguns amigos. Mas não em Deus. Com Deus, equívocos têm que ser esclarecidos. Erros têm que ser consertados e as mágoas têm que ser resolvidas, perdoadas, e esquecidas.

Agi contra os preceitos de Deus, não fazendo o que era correto. Troquei, sem titubear, as alegrias das inúmeras bênçãos recebidas, e ignorei as gentilezas de Deus, pela grosseria escancarada de uma única pessoa.

E por consequência – pois sempre haverá efeitos colaterais pelas atitudes erradas que tomamos – perdi a inspiração para escrever. Perdi a vontade de vir ao computador e falar com os amigos.

Por mais que eu dissesse a mim mesma que tudo estava bem, uma sombra de tristeza me seguia.

Erramos. Ele por me ofender, sem nenhuma razão. E, eu, muito mais, por não exigir explicações sobre sua atitude ofensiva.

Por trás de todas as atitudes há sempre uma razão. Devia ter cavacado essa razão. Em cada ação há uma reação, disse Isaac Newton, e minha reação foi a pior possível. Fui anticristã, ignorei os preceitos de Deus, além de perder a oportunidade de minha defesa.

E assim, amanheci e anoiteci, por longos dias. Permiti que uma única pessoa tivesse o poder de minar todas as alegrias, e todas as gentilezas de Deus, que deixei de agradecer.

Depois de perceber o que Deus queria de mim, levantei diversas suposições: falar com a pessoa poderia gerar uma discussão; ele já tinha uma opinião formada, e seria minha palavra contra a dele. Eram suposições hipotéticas, mas havia nelas uma boa dose de senso.

Seria um bate-boca infernal, e eu não queria isso. Precisava de uma prova, pois provas são irrefutáveis. Uma imagem apenas. Uma foto do momento citado, que esfarelasse a acusação, sem que eu precisasse usar uma única palavra.

“Pedi, e vos será concedido; buscai, e encontrareis; batei, e a porta será aberta para vós. Pois tudo o que pede, recebes; o que buscas, encontras; e a quem bate, se lhe abrirá “. Mateus 7.

Ontem, a foto apareceu! Eu já havia perdido as esperanças, pois várias fotos, que ficaram ruins, foram deletadas pela dona do celular. E pimba! Do nada surge uma! Uma que estava escondidinha, esperando o momento de aparecer.  O momento de Deus.

Vou enviá-la, no privado, ao causador do meu constrangimento. Não estou nem um pouco preocupada, se ele sentir-se-á envergonhado, arrependido, ou desculpar-se. Isso, será entre ele e Deus.

O plano do Senhor foi realizado: era despertar-me, para corrigir o mal-feito, e alegrar-me, cheia de gratidão.

E, ao corrigi-lo, eu mergulhei na claridade da paz, que só se encontra nas veredas da justiça!

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Direitos autorais da imagem de capa: rido / 123RF Imagens





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