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Não importa sua idade, importa como você vive sua vida!

É preciso perceber que cada idade e cada fase da vida são únicas e especiais por si sós.



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Diz-se que a projeção de futuro é quase impossível de ser entendida pelo adolescente. Você lhe fala que fumar, por exemplo, acelera o envelhecimento, mas, ao olhar-se no espelho, ele continua belo e forte – por que acreditar nos coroas? Creio que essa característica de nos achar imortais acaba morando aqui dentro da gente pelo resto de nossas vidas. Embora a morte seja uma certeza absoluta, pouco conversamos ou nos preparamos para sua chegada, mesmo que iminente.

Atualmente, com a indústria da moda e da beleza servindo-se dos notáveis avanços medicinais e tecnológicos, a maioria das pessoas não se furta de buscar panaceias, tratamentos, massagens, dietas, exercícios físicos e terapias que lhes prometam a extensão da juventude, a permanência da ilusão da vida eterna, na verdade tão frágil quanto um copo de cristal. Nessa toada, pouco se reflete, como se deveria, acerca dos conceitos de juventude e velhice: quais os ganhos, as perdas, as delícias, os dissabores, a função de cada uma delas na vida da gente?


É preciso perceber que cada idade e cada fase da vida são únicas e especiais por si sós, exatamente pela efemeridade que lhes cabe; daí a necessidade de se passar por elas com fluidez, desfrutando-as, sorvendo e decantando seus sabores e venenos, numa travessia prazerosa de autoconhecimento e amadurecimento, seguindo sempre em frente. As rugas e vincos nas peles, a coluna vergada, os cabelos brancos e a visão que falha são tão significativos quanto o que aprendemos e internalizamos ao longo dessa jornada, como que uma materialização comprobatória de tudo o que vivemos, batalhamos, transpiramos, amamos – e cá chegamos.

Isso não significa, no entanto, o repúdio a uma vaidade natural e equilibrada, que não nos desfigure e desconfigure aos olhos alheios. Cuidar de si, visando à saúde e ao bem estar, é recomendável, desde que em respeito ao envelhecimento natural que a vida nos proporciona, sem que haja uma tortura visível à plástica de nosso corpo – quem nunca se assustou com uma pessoa, pela repentina aparência robótica e plastificada, que atire o primeiro bisturi!

Não é fácil aceitar que somos mortais, que envelhecemos, que estamos com dores, com a vista cansada e a libido amortecida. Não é fácil assistir ao avanço dos anos, encarar a proximidade da morte e a solidão que cresce nesse caminhar. Mesmo assim, tentar enfrentar tudo isso com aceitação e dignidade, como fizeram nossos bisavós, dá-nos ao menos a chance de agirmos refletidamente sobre a importância que tivemos, temos e ainda teremos na vida daqueles que amamos – e isso é o que importa, afinal.


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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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