Não julgue o passado com os olhos do presente

O que mais provoca o sofrimento é tentar entender, analisar e até mesmo julgar o passado com os olhos do presente. Isso não é justo com você mesmo.

A vida é como um carro em movimento, com todos aqueles itens de série como acelerador, freio, seta, tanque de combustível e, claro, espelho retrovisor. É preciso saber utilizar bem cada um desses itens, caso contrário estará se colocando em risco. E, muitas vezes, colocando outras pessoas também em risco.

Já reparou no papel do espelho retrovisor? Ele nos permite seguir em frente sem deixar de acompanhar o que ficou para trás. Assim é na vida, nossa mente não nos permite esquecer o que passou. Porém, o mais interessante de tudo isso é que quanto mais seguimos em frente, na mesma velocidade as imagens do passado são alteradas.

É o exercício de fritar o peixe e olhar o gato. Um olho à frente e outro no retrovisor. Colocar os dois olhos em apenas uma das opções é, no mínimo, sinal de perigo.

No consultório, trabalhamos a máxima “não importa o que você passou, importa o que você faz com aquilo que passou”.

Na verdade, é claro que tudo importa, importa “o quê”, o “como”, o “quando”. Refletir sobre o passado é uma necessidade da sua psique e ganha vários contornos à medida que você segue em frente, as memórias são como as paisagens, são redesenhadas.

Não se pode negar o passado, tampouco podemos quebrar esse espelho retrovisor que existe dentro de todos nós.

Nesse processo, o que mais provoca o sofrimento é tentar entender, analisar e até mesmo julgar o passado com os olhos do presente. Isso não é justo com você mesmo. Incorremos o risco desconsiderar o contexto. Isso porque a pessoa que você era no passado não é a mesma que você é hoje. Logo, o que você fez na ocasião, talvez não faria, necessariamente, da mesma forma hoje, agora! Essa é a estrada da vida, estamos em movimento.

Então, conseguir entender isso é também considerar que naquela ocasião você fez o que poderia ter feito. Agiu com os seus limites da época. Certamente não fez diferente simplesmente porque não poderia ou não conseguiu.

E isso precisa bastar para você se perdoar, compreender a si mesmo e aceitar que o tempo não volta, mas o tempo nos dá a graça de tentar de novo, mas de um jeito diferente.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: lightfieldstudios / 123RF Imagens



Deixe seu comentário