“não julgue, para não ser julgado. A medida que usar, também será usada para medir você”

Muitas vezes nessa vida eu já ignorei por completo meus “telhados de vidro” e julguei pessoas por uma análise pessoal que eu fiz da história. Julguei por acreditar que minhas suposições fossem verdade. Julguei, muitas vezes, sem conhecer todos os lados e fatos.  E me arrependi outras tantas vezes. 



Mas, a questão, é que trazemos esse pré-julgamento instalado de fábrica no cérebro. A “culpa” não é nem nossa, uma vez que a nossa mente reptiliana, aquela cujo nome deriva de “réptil” mesmo, pelo seu comportamento puramente instintivo, que analisa rapidamente o perigo para decidir se corremos ou enfrentamos, se seremos atacados ou se atacamos. Ela não é capaz de ponderar e discernir. Sua função é assegurar nossa sobrevivência nesse mundo.

Felizmente, temos o neocórtex para nos salvar e nos diferenciar das outras espécies que habitam esse planetoide!

Mas grande parte do tempo deixamos a mente reptiliana dominar a situação e negligenciamos o uso do neocórtex com seu bom senso.


Fazemos pré-julgamentos o tempo todo, de forma instintiva e inconsciente mesmo. E caímos na tentação de apontarmos os erros alheios na esperança que tal gesto encubra as nossas falhas ou desvie a atenção para as falhas dos outros.

Ah, como os seres humanos A-D-O-R-A-M uma tentação!

Jesus sacou isso logo, por isso pediu para que atirasse a primeira pedra somente aquele que não tivesse pecado.


“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. 2. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.”  Mateus 7:1-5

A verdade é que o julgamento tem muito mais a ver conosco, com os nossos preconceitos formulados, nossas limitações e índole, do que com quem está na cadeira de réu.

Somos juízes de araque distribuindo sentenças com nossa inabilidade de conhecer o cerne e as dores alheias.

Julgamos o incompreendido com base na nossa percepção do mundo. Como pode, então, tal veredicto estar correto?

Reconhecer tais julgamentos e pedir perdão por eles, em contrapartida, nos eleva espiritualmente. Pois desta forma desenvolvemos empatia e compaixão pelo próximo e nos aproximamos de suas dores para, quem sabe, conseguirmos ouvir primeiro, acolher e apenas aceitar os fatos, sem verdades universais absolutas.

O passar do tempo nos ensina, de forma dura, que só quem passa pelos desertos do desespero é que conhece seus caminhos e que cada um escolhe uma forma de sair de lá. Portanto, é inútil dizer que fulano está errado.

A maturidade nos traz o entendimento que nada nessa vida é questão de “certo” X “errado”, é tudo uma questão de consciência, amadurecimento e consequência.

E respeito. Sim, o respeito não pode nunca ser uma questão de opinião própria ou ser condicional.

Quando aprendemos a respeitar as pessoas e suas escolhas, mesmo sem compreendê-las, uma nova portinha para o Universo se abre e subimos mais um degrau na direção do nosso aperfeiçoamento espiritual e pessoal.

Eu já julguei pessoas achando que nunca trocaria de lugar com elas, e quando troquei, porque a vida gosta de fazer isso e nos ensinar empiricamente o que nos recusamos a aprender sozinhos pela simples observação, então pedi desculpas ao Universo e comecei a praticar a empatia de forma consciente, ou seja, procurar me colocar no lugar do outro de uma forma mais imparcial.

Porque a partir do momento que temos consciência de um ato, ele deixa de ser um vício, um mero hábito e passa a ser uma escolha. 

Com isso, resgatei relações rompidas e me desfiz de rancores velhos, consegui verdadeiramente perdoar situações e pessoas e substituir sentimentos, até então, negativos, pelo respeito. Não digo amor e amizade em todos os casos, mas posso dizer que o respeito já me é suficiente.

Não gosto que me julguem, no entanto, não julgo mais quem o faz…*risos*.

Só peço pela iluminação dessas mentes e almas e que essas pessoas caminhem para essa direção de consciência.

Vivendo e aprendendo. Afinal, é para isso que estamos nesse mundo.


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