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Não lamente por nada! Tudo aconteceu como deveria para que você se tornasse a pessoa que é hoje

A insustentável inquietação do “e se”…



Outro dia, ao começar a ler o livro “O fio da vida”, da escritora Kate Atikson, eu me deparei com a seguinte pergunta: “E se tivéssemos a possibilidade de fazer tudo de novo e de novo, até acertarmos?”. 

A expressão “e se”, com que se inicia a frase referida, é composta por duas palavras aparentemente inofensivas, porém, quando conjugadas, se traduzem em uma indagação angustiante. Isso porque o que sucede o “se” é um mundo ilusório quanto ao futuro, em que cabem todas as possíveis imaginações sobre a vida que deixou de ser concretizada. 

Às vezes, naqueles momentos em que o passado nos revisita, surgem questionamentos acerca da incerteza da história do que poderia ter sido, se porventura as escolhas pretéritas tivessem sido diferentes. 


Quem nunca reencontrou um antigo amor ou aquela pessoa que seguiu por caminho distinto, mas que por ironia do destino o sentimento permaneceu inalterado? 

Ocorre que, no decorrer da vida, diversas opções válidas não estão ao nosso alcance. Em cada segundo, há uma chance de mudar algo para sempre. No entanto, ao optar por algo, renuncia-se às surpresas contidas no caminho oposto, justamente aquele não vivido. 

E o não vivido sempre parece melhor, mais feliz ou menos imperfeito em comparação com a realidade, pois a sua imaginação argumentará de todas as formas necessárias para enganá-lo. O único problema é que nunca saberemos o que teria acontecido em situações adversas, pois as nossas decisões são irrevogáveis.


E se eu tivesse ligado no dia seguinte? E se eu tivesse dito que o amava? E se eu lhe tivesse pedido desculpas? E se…? A verdade é que o que poderia ter sido e não foi está marcado pela impossibilidade, impossibilidade de não poder voltar no tempo e escolher outro caminho, de não conseguir realizar o que se almejou e, principalmente, daquilo com o que se deixou de sonhar. Não há dor maior do que a saudade do não vivido. 

E essa dúvida irreparável nos assombra, como perfeitamente descrito por Alberto de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, no poema “Na noite terrível”, pois “Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói”. Eis a insustentável inquietação do “e se”. 

Durante a vida, muitas vezes surgirá o “e se” abandonado pela estrada, mas não podemos ficar presos a ele. 

E, apesar de não saber como termina a sua história, gosto de acreditar que melhor do que pensar na quantidade de “e se” guardada no coração é saber que tudo aconteceu da forma como deveria para que você se tornasse a pessoa que é hoje.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Sea Kong/Unsplash

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