Não me leve a mal, mas sou furacão, não vendaval!

E olha só, aonde vim parar! Estou numa fase da minha vida que tudo me enjoa: as conversinhas paralelas, as risadinhas com tom irônico, o clima pesado, a blusinha tomara que caia que eu adorava e que não tirava do corpo, aquela musiquinha bonitinha da Tiê que me acalmava, o bife e a batata frita que sempre foram meus fiéis escudeiros nessa minha vida nada saudável, o café doce que me mantêm de pé e que não abro mão e até aquele carinha bonitinho que gosta de bossa nova, rock nacional e mpb que eu juraria, de pés juntos e dedinhos cruzadinhos, que seria o meu número.



É incrível essa minha mania de enjoar de tudo. Eu não queria ter isso, não queria ter que conviver com algo apenas alguns dias, meses, anos e depois guardar na gaveta, como quem guarda um par de meias que raramente usa. Isso se resume a tudo: ao caderno de frases, a tiarinha com um laço super fofo que comprou e nunca usou, a blusinha tomara que caia, a música favorita, o bife, a batata frita, e até o carinha que gosta de bossa nova, rock nacional e mpb. É estranho, eu sei. Ninguém entende, e disso eu sei também. É como se você fosse numa sorveteria duas vezes num dia só e na primeira vez pedisse duas bolas de sorvete de chiclete e na outra, três bolas de sorvete de maracujá. Entende?

Há bem uns cinco anos estou acreditando que tudo isso seja só fase (e que fase longa). Já não aguento mais. Isso não significa que eu não me aguento. Jamais! Adoro minha companhia, convivo comigo há anos e garanto que melhor companhia não há. Eu só não aguento mais tratar as pessoas como se elas fossem culpadas por esse meu perfil “Hoje eu te quero, depois também, amanhã talvez“. Já machuquei e continuo machucando muitos corações indefesos que não tem nada vê com isso. Às vezes procuro uma desculpinha esfarrapada no sujeito ou me aproveito da situação só para me livrar da culpa e da certeza que um dia o machucarei, só para não ter que olhar pra ele e dizer: “O problema sou eu”.

É assim irmão, está entendendo? Eu sou assim (eu estou assim). Um dia você vai me ver na rua com vestido floridinho, sapatilha, uma bolsinha de lado e me achar a garota mais meiga e linda da face da terra. Noutro dia, me verá na balada, de sainha, blusa rasgada, lápis preto no olho, batom vermelho e bebendo, e aposto que você não achará a mesma coisa de quando me viu na rua. É quase uma metamorfose ambulante, a diferença é que eu ainda procuro uma ideologia pra viver.


Não se assuste camarada, posso também não enjoar de você. Vai depender do meu estado de humor. Vai depender do que quero no momento. Vai depender se quero que você se torne o papel principal do meu roteiro ou se torne apenas mais uma inspiração que virará uma historinha jogada no Word. Vai na minha, não entra em choque! Não pense que esse furacão indomável vai passar por você e destruir tudo, pois não vai. Apesar dos pesares, sei o limite das coisas, sei das minhas mudanças climáticas e sei também que posso até mudar, mas minha essência fica. Continua a mesma. Intacta.

Quem sabe eu não volte rir com as babacas de plantão, volte usar meu tomara que caia, volte ouvir a musiquinha que me acalma, volte comer meu bife e minhas batatas fritas, volte tomar meu café e não enjoe de você.

Furacão uma hora cessa, ele nunca dura para todo sempre.


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Por: Ana Batista de Barros – Via Blog: Literatura Amarga

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