Família

Não perdi nada ao me tornar mãe, eu me tornei mais forte!

Foto: Unsplash
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O nascimento dos filhos pode representar um momento de vulnerabilidade para as mães, que passam a buscar novas formas de existir em um novo mundo.

A maternidade representa um dos momentos de rompimento mais intensos da vida de uma mulher, principalmente por conta de suas dificuldades, exigências e imposições. Quando uma criança nasce, dá-se início ao processo de descobrir as inúmeras possibilidades de maternar, de cuidar e de amar quem depende inteiramente de nós.

Sabemos que a sociedade pode ser cruel com as mulheres em vários momentos, principalmente no que tange o trabalho do cuidado. Tem-se a ideia de que as mães são verdadeiras fortalezas, corpos de energia inesgotável, amor incondicional e compreensão infinita. Joga-se nelas a obrigação de abrir mão de tudo pelos filhos, mas não como um pedido, uma requisição, como o esperado, como o mínimo que ela pode fazer.

Ser mãe é abrir mão da própria identidade, dos círculos de amigos, das noites recheadas de companhia e diversão. É descobrir que muitos espaços já não vão mais recebê-la como antes, que as pessoas não a olham como antes e, em muitos momentos, vão tratar sua dor e seu cansaço como “frescura”.

Nesse ciclo de rejeição e solidão, as mulheres precisam reaprender qual espaço ocupam no mundo. Precisam fazer novos amigos, tornam-se íntimas das madrugadas em claro e das olheiras que passam a ser insistentes e persistentes. Elas não fazem isso apenas porque querem, elas são colocadas nessa posição: é isso ou nada.

Ao mesmo tempo que se reconstroem, dia após dia, redescobrindo seu novo corpo, seus novos interesses e a força sobre-humana que carregam em seu interior, passam a colecionar sorrisos, piscadelas e abraços. Por mais difícil que seja, elas aprendem a lidar com todas as mudanças sozinhas — ainda que acompanhadas. Os hormônios, as preferências e as prioridades, tudo muda, mesmo que você seja casada e/ou tenha uma forte rede de apoio.

No fim das contas, a única pessoa no mundo que vai se importar como você se importa não existe. A relação que as mães cultivam com seus filhos não pode ser exprimida, remonta à ancestralidade, representa o amor em construção e a eterna vontade de fazer o bem. O amor materno representa a reconstrução do mundo, o novo, a expectativa de que as novas gerações serão melhores que as que passaram.

Por mais que sintamos que, assim que os filhos chegaram, as coisas continuaram a acontecer, e ninguém sentiu nossa ausência nos espaços, sabemos também que é isso que nos transforma por completo. Assumir a responsabilidade da maternidade na sociedade atual é estar preparada para as profundas mudanças que vão acontecer.

Aqueles pensamentos de que o mundo continua a girar, mesmo sem sua presença, cedem espaço para as inúmeras conquistas dos filhos ao longo da vida. Quando menos se espera, aqueles bebês crescem e se tornam nossos companheiros de vida, indivíduos completos, que carregam não apenas nossos valores, mas que foram forjados no nosso empenho.

Ter a chance de olhar para um indivíduo em formação e ser capaz de dizer que tudo aquilo que ele se tornou, tudo aquilo que aprendeu foi porque você estava presente não é algo que todas as pessoas vão poder afirmar. Por isso, conforme os anos passam, aquela sensação de abandono de nossos antigos amigos, de nossa antiga vida, não é mais presente e constante. Com o tempo, compreendemos que nos tornamos outras pessoas, mais fortes, mais inteligentes, mais empáticas e mais práticas.

A força de uma mulher que se tornou mãe é rara e só pode ser encontrada em pessoas que sabem muito bem o que é abrir mão do que se ama pelo bem-estar do outro. Ao mesmo tempo, elas não esperam agradecimentos, apenas torcem para que outras mães possam se sentir menos sozinhas e que não precisem empregar a força para desbravar o mundo, criando algo compatível com aquilo que idealizaram para seus filhos.

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