Comportamento

“Não posso ter medo.” Jovem que teve rosto desfigurado num ataque de cães decide não se esconder

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Um dia antes de completar 22 anos, a jovem sofreu um brutal ataque de dois cães de que cuidava, levando cerca de 800 mordidas na face.

“Acidentes acontecem”, é o que a maioria diz depois que algo trágico ou apenas inesperado muda o curso da vida de alguém. Mesmo sabendo que não se pode controlar todos os acontecimentos e que nem sempre as coisas saem conforme o planejado, ainda assim é complexo aceitar determinados eventos.

Quanto maior for o episódio, maiores são as chances da vida dos envolvidos mudar completamente. É preciso mais do que apenas força de vontade para lidar com certos acidentes, principalmente se eles impactam diretamente o bem-estar das pessoas. Para Jacqueline Durand, de 24 anos, a mudança foi literalmente dolorosa e aconteceu enquanto ela trabalhava com algo de que sempre gostou: cuidar de cães.

Há três anos, quando faltava apenas um dia para completar 22 anos e dois para a celebração do Natal, Jacqueline, que vive no Texas (Estados Unidos), foi brutalmente atacada por dois cães. Tudo aconteceu muito rápido, e ela conta em entrevista à CBS que assim que abriu a porta da frente da casa de Justin e Ashley Bishop, Bender, uma mistura de pit bull com boxer, e Lucy, pastor-alemão, arrastaram-na até a sala e morderam seu rosto cerca de 800 vezes.

Jacqueline trabalhava como babá de cães. O ataque foi violento, e os dois cachorros chegaram a arrancar seu nariz, orelhas, lábios e bochechas, atingindo até mesmo o osso. A jovem acreditava que ia morrer, e passou quase 40 minutos, desde a chegada da polícia, agonizando enquanto esperava ajuda médica. Os cães impossibilitavam a entrada dos socorristas na residência, o que atrasou o resgate.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @j_claire99

Como a jovem estava apenas com as pernas à vista, os paramédicos não tinham noção da extensão dos ferimentos, por isso não chegaram a atirar nos cachorros para acelerar o salvamento. Em vez disso, eles optaram por tentar conter os animais, o que fez com que se passassem 37 minutos até que finalmente um médico conseguisse pegá-la.

Perdendo cerca de 30% do sangue, Jacqueline foi levada às pressas ao “Medical City Plano” em estado grave, e os paramédicos dizem que o resgate aconteceu por sorte. Assim que sofreu o ataque, a porta da frente da casa da família ficou aberta, disparando o alarme. A polícia foi imediatamente ao local e se deparou com a cena e chamou os paramédicos.

Os donos da casa informaram à polícia que nunca tiveram problemas com os cachorros e que os conseguiram por meio de organizações de resgate locais. Inclusive, um dos pontos que eles mais enfatizaram foi o fato de terem três filhos, um com 3 anos à época do acidente, e nunca terem passado por nada similar.

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Direitos autorais: Reprodução/ CBS

O advogado de Jacqueline argumenta que não é bem assim que tudo aconteceu. De acordo com ele, os Bishop tinham uma placa na frente da casa que alertava que tinham crianças dormindo e “cães loucos”, o que pode sugerir que eles já sabiam do comportamento dos animais diante de estranhos.

Os dois cachorros passaram por exames especializados, que identificaram que eles “eram perigosos e tinham propensões cruéis”. O casal preferiu não dar entrevistas, mas soltou um comunicado dizendo que estava devastado pelo que aconteceu com Jacqueline e pelo que ela e sua família estavam passando, e jamais colocaria alguém em perigo de maneira consciente.

A jovem passou sete horas numa cirurgia de emergência e precisou de ressuscitação na mesa de trauma. Mas essa foi apenas a primeira vez que ela precisou ser ressuscitada, além de ficar em coma induzido por cerca de uma semana. Shirley Durand, mãe de Jacqueline, conta que sentiu felicidade ao ver a filha viva, mas se deparou com seu rosto completamente enfaixado.

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Direitos autorais: Reprodução/ CBS

O pai John Durand acredita que “ela foi um milagre”. Com confiança depois de um longo processo de recuperação – e ainda mais pela frente –, Jacqueline disse que não pediu o que aconteceu, por isso sente que seja o momento de mostrar quem é e não pode ter medo disso. A jovem recebeu alta e foi ovacionada pela equipe médica; os paramédicos que a resgataram fizeram questão de assisti-la saindo do hospital, além de seu namorado Nathan, de 24 anos.

Sem querer ser vista como vítima, Jacqueline sente que não pode se esconder e deseja ser encarada como um exemplo. Esse foi o principal motivo de mostrar as mais de 800 mordidas dos animais. Ela ainda pede que os donos se comuniquem melhor com os cuidadores de cães, falando a verdade sobre o temperamento dos animais.

Mesmo passando por um trauma tão grande, a jovem afirma que ainda sonha em trabalhar com animais e provavelmente vai seguir carreira de treinadora de cães. Os pais confiam plenamente na filha e acreditam que o céu é o limite para Jacqueline, que sempre mostrou um instinto de sobrevivência potente e uma esperança que rompe os limites do normal.

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