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Não quero um tablet, eu quero sua atenção!

Não quero o Tablet eu quero sua Atenção

É incrível perceber a associação dos tablets com as chupetas! Na geração passada se uma mãe quisesse concluir certa atividade, enfiava uma chupeta na boca da criança para se “acalmar”. O que dizer das chupetas eletrônicas (tabletes)?



Percebo nas crianças modernas um grito interno, uma inquietação que não as deixam se satisfazer com os brinquedos, com os programas de televisão, com as atividades na escola e com os passeios na pracinha.

É uma necessidade extrema, que sobretudo parece reproduzir o mundo do adulto moderno, a realidade do ter e não se satisfazer, a busca constante por validação e aceitação. As atividades exercidas pelos pais modernos têm um rótulo bem grande em suas descrições: “Não é permitido crianças nesse espaço!”.

Em decorrência, crianças contemporâneas são lançadas para um mundo em que elas não atrapalhem, não verbalizem, não corram, não façam barulhos. O mundo tecnológico tem sido utilizado pelos pais como a chupeta contemporânea, o que antes afetava a estética bucal, hoje tem criado lacunas na esfera emocional, retratando uma geração movida pela carência e pela exposição desenfreada no mundo virtual.


Como psicólogo infanto-juvenil, tenho frequentado muitas casas e visualizado muitas rotinas familiares através da Consultoria Familiar Domiciliar, é notório a grande mudança ocorrida nas dinâmicas familiares. Hoje vemos muitas crianças que só veem os pais nos finais de semana! Em outros casos, os pais estão presentes quase que 24 horas, mas as mentes estão voltadas para suas próprias rotinas nos escritórios instalados dentro da residência. Também temos o perfil dos pais que trabalham e quando chegam em casa estão exaustos e tudo que querem é buscar o seu momento pessoal… Muitas famílias compostas por filhos, não possuem espaço para os mesmos, é quase que um “cada um por si e Deus por todos!”. Em meu consultório também recebo muitas crianças rotuladas com muitas psicopatologias, muitas delas originadas da carência afetiva no lar.

Diante deste quadro o mundo tecnológico se encaixa com uma enorme suavidade. Como manter meus filhos quietos por horas ao longo de um dia? Como concluir minhas atividades sem interrupção da criança? Como por alguns instantes poder vivenciar a experiência de não ter ninguém que me incomode nos meus interesses pessoais?

É incrível perceber a associação dos tablets com as chupetas! Na geração passada se uma mãe quisesse concluir certa atividade, enfiava uma chupeta na boca da criança para se “acalmar”. Realmente foi um grande calmante e alívio para muitos pais nos momentos de sufoco! Logo se foi percebendo os danos que a chupeta provocava na arcada dentária infantil, comprometendo não apenas a estética facial, mas também sua oralidade.

O que dizer das chupetas eletrônicas (tabletes)?


O atrativo proporcionado pelos tabletes remontam um cenário capaz de distrair quaisquer crianças, repletos por entretenimentos estimulantes que mascaram o desejo por atenção e afeto familiar.

Vejo crianças com muitos vazios internos, muitas por não conseguirem expressar seus sentimentos, demonstram comportamentos agressivos e de isolamento. Os pais não entendem tamanha reação, pois dizem: “O meu filho tem de tudo!”. Daí inicia o desespero, o momento em que os pais param tudo para dar atenção ao comportamento da criança, como atenção é tudo que a criança está necessitando, o comportamento errado da criança cria forças, pois já compreendeu que é através dele que terá a tão esperada atenção dos pais… Aumenta ainda mais a ineficiência dos pais diante do problema, pois desta vez o que está em ação não é mais a carência, mas sim a comorbidade. Somente um profissional preparado para auxiliar a família nesta etapa! Esse é somente uma ponta do iceberg das dimensões da chupeta eletrônica, as proporções aumentam com a exposição da criança nos meios virtuais.

Tudo é uma questão de organização e rotina, famílias necessitam de rotina, não somente as crianças. Os pais também precisam de organização entre o período de execução do trabalho, de atividades pessoais e de atividades em família, sendo que essas necessitam ocupar grande parte do tempo diário.

Tablets são muitos funcionais quando utilizados com regras, com horários estipulados ou como recompensas para bons comportamentos infantis (com tempo estipulado).


Os afazeres diários e os inúmeros objetos eletrônicos jamais substituirão o olhar dos pais para com os filhos, a palavra de conforto, a repreensão assertiva e a atenção. As trocas humanas continuam sendo o ambiente mais rico e estimulador do desenvolvimento infantil.

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