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Não raiva é paz, não medo é plenitude. Abandonar o medo é permitir que a cura se faça

Ensaio sobre o medo e a raiva.

Nós não damos conta de esvaziar nossos corações da raiva e do medo, não conseguimos sair da caixa furada onde recebemos apenas o oxigênio necessário para a não morte, ao invés de sairmos para respirar tudo o que merecemos, preenchendo nossos pulmões do mais puro ar da liberdade da paz interior.



Não raiva é paz, não medo é plenitude.

Não sentir raiva ou medo e permitir ver além dos olhos físicos, da mente estagnada e corroída e enxergar a beleza de cada ser e do desabrochar de cada flor nos corações.

Quando há a possibilidade de usar a lente do amor, há ainda a resistência e as palavras “luta”, “batalha”, “combate” vêm à tona e todos os sentidos pacificadores são adormecidos e os olhos preferem a visão já conhecida, a cor cinza toma conta do peito.

Todos queremos e vendemos a ideia de paz e harmonia, mas quando a água da sutileza, da unidade e da calmaria bate em nós e nos tira os pés do chão, forçando nossas pernas a se movimentarem, fica claro que muitos de nós ainda preferem se afogar a tornar o esforço compensador e transformador.  


Alguns poucos passos nos levariam ao céu de nossa alma, apaziguando nossos medos, angústias, dores profundas. Olhamos o abismo e cada vez que dizemos não à paz, permitimos que o abismo nos olhe de volta com um sorriso sarcástico de quem vence. O abismo nos consome e novamente escolhemos a escuridão da raiva e do medo ao nascer de um dia que teria tudo para ser perfumado.

Retiramos as pétalas de nossas rosas internas, mas permitimos que os espinhos fiquem e se fortaleçam, espetando nossos corações e fazendo com que a dor das lembranças – que são apenas isso, lembranças – fiquem e pisoteiem nosso espírito que fica cada vez mais angustiado, triste, melancólico e se afunda no barro das ilusões.

Sim, ilusões. Porque tudo o que temos é nosso momento presente e nesse aqui e agora estamos com nossas mochilas pesadas de pedras passadas que GOSTAMOS de carregar, pois nos tornamos vítimas.


Sair disso requer coragem de abandonar as pedras e nos tornar responsáveis por nós mesmos, nossa jornada e felicidade. Abandonar as pedras significa parar de culpar o mundo, parar de achar que tudo é “culpa” de espíritos obsessores, de inimigos que nos desejam mal, de seres de outros mundos e outras frequências e compreender que cada vibração densa nossa tem capacidade de criar nossos próprios algozes espirituais, nossas formas de pensamentos materializadas.

E ainda que haja seres frequenciais de diferentes vibrações, nós atraímos e entramos na mesma onda. Portanto, somos responsáveis por nossa caminhada e por cada escolha que fazemos durante nossa jornada. 

Temos todas as oportunidades do mundo para mudar. O universo nos envia mensagens, pessoas, situações o tempo todo, como auxílio para nossas mudanças, como candeeiro para iluminar nossos passos, mas precisamos estar atentos, olhando para o aqui, não para o passado, não para o futuro, mas para o AGORA, e como disse uma mulher/mestra, a Deusa:

Oportunidade tem cabelos longos e todos voltados para frente. Se estamos distraídos, quando ela passar, os cabelos se vão primeiro e a oportunidade vai junto.

Estar atento é ver os cabelos chegando, enxergar a possibilidade do presente, agarrar os cabelos e ser feliz!

Para sermos felizes, precisamos agarrar a oportunidade de mudar de foco, de prisma, de horizontes… e permitir transmutar o ódio em paz, afinal, somente a paz constrói. O medo destrói todo e qualquer sonho e, sem eles, a realidade não se manifesta.

Abandonar o medo é permitir que a cura se faça. Será que temos a real compreensão de que nos alimentamos com o ódio, como um dos temperos de nossas refeições?

Será que conseguimos ver que o medo apoia nossas cabeças em travesseiros embolorados em noites insones?

Será que percebemos que, ao abraçamos as pessoas, nosso ódio é emanado e somos responsáveis por isso?

Somos a doença e a cura, a paz e a guerra, a plenitude e a falta, a serenidade e a angústia, somos a escolha inclusive do que deixar de ser. Abandonar nossas autoimportâncias e apenas permitir que as asas da liberdade, que apenas o amor pode tecer, se abram sobre nossas costas, tornando a vida mais leve.

Desejo por todas nossas relações, que o amor se faça e floresça em nossos peitos, qual lótus que se abre no lodo.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: loganban / 123RF Imagens

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