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Não se arranca ninguém da própria vida. Nós que precisamos nos afastar das tormentas.

Todos os dias temos à nossa disposição matérias em revistas, artigos científicos, pesquisas e até em publicações nas redes sociais de como fazer para tirar de nossa vida quem não nos faz bem.



Pelo tanto de material a respeito, parece que não está funcionando. Das duas uma, ou não nos conhecemos realmente, a ponto de não percebermos o mal que algumas pessoas nos fazem; ou embora saibamos que não devamos continuar com tais relacionamentos, ainda assim ficamos confortáveis com o conhecido e permanente desconforto.

Tirar significa extirpar, arrancar, desenraizar, ou erradicar. Tirar alguém de nossa vida significa algo mais profundo e dolorido.

É arrancar do corpo, da mente, da vista e, principalmente, do coração, quem não nos acrescenta nada, ao contrário. Divide nossa atenção, subtrai nossa energia e, outras tantas vezes, multiplica sensações de infelicidade e desgosto.

Quem nos faz mal neste sentido, nem sempre o faz por vontade de nos prejudicar.  Diferentemente de quem nos prejudica conscientemente – este sim é mau no sentido estreito da palavra. Falo aqui de pessoas que embora nos relacionemos em uma grande amizade, parentesco ou relacionamento amoroso, não nos acrescentam nada de positivo no fim do dia como se a planilha de créditos e débitos alcançasse sempre um empate, quando não um déficit. De pessoas que estão conosco, e ao tempo, nos sinalizam que estamos total e completamente sozinhos, vivendo de migalhas de sentimentos.


Comportam-se como se nos sugassem a energia para a sobrevivência deles próprios, esquecendo que amor, companheirismo, amizade, laços familiares e confiança dependem de reciprocidade para sobreviver, crescer e florescer.

É difícil aceitar que mais que arrancá-los de nossas vidas o que precisamos realmente é nos obrigar a sair das vidas deles e não permitir que eles permaneçam na nossa. Um movimento inverso que forçosamente terá que ser assumido por nós.

Assumir este compromisso é aterrorizante.  Assusta e nos fragiliza ao mesmo tempo, porém não tem outro modo. Se o leitor conhece, por favor, me apresente.

Todas as vezes que permitimos que o movimento venha do outro, para satisfazer uma necessidade nossa, não tem como não nos prejudicarmos. E, ao contrário, quando assumimos o controle das ações para nossa felicidade, de um modo ainda que dolorido, o universo abrirá novos caminhos. Haverá choros, mau humor e tristeza, quando não algumas recaídas. Mas, por outro lado, haverá descobertas, novas percepções e outras possibilidades.


Temos fazer os bloqueios necessários – telefone, mídias sociais, até mesmo da campainha de casa. Inúmeras vezes até mudar, temporária ou definitivamente, o grupo de amigos.

Temos que nos conhecer o bastante para equilibrar esta balança. Além disso, estarmos preparados física e mentalmente para resistir. Entretanto, não se arranca ninguém da própria vida. Nós que precisamos nos afastar completamente da tormenta.

O resultado nestes casos é o mesmo – liberdade – mas o fator desencadeador é  interno,  consequência da nossa vontade e determinação.  Em vez de o ‘não me procure mais’ é deixar claro que você não estará mais disponível para o relacionamento, ainda que a outra pessoa lhe procure. Que é você que, embora se corroendo por dentro, não quer mais a relação.

Entendo que é difícil dizer que tiraremos alguém de nossa vida, ainda mais porque eles podem não colaborar nesse sentido. Mas, tomadas as rédeas do próprio destino nas mãos, apesar dos cortes profundos, dores e sofrimento, poderemos  dizer: “Sim, eu o deixei  e com isso eu o extirpei da minha vida.”

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Direitos autorais da imagem de capa: alengilda / 123RF Imagens

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