Não se esqueça de ligar o dane-se, de vez em quando, por favor. Nem de ser uma pessoa boa. Apesar de…

Às vezes, nem é sobre ser certo ou errado, é sobre estar em paz mesmo.

Não é sobre ser intolerante ou desrespeitoso com as diferenças ou com aquilo que não faz parte do que você acredita, defende e almeja, mas sobre estabelecer limites para que a intolerância e o desrespeito do outro não o atinjam nem tolham a sua liberdade de ser e de agir de acordo com a sua essência.

Porque uma coisa é respeitar o direito de alguém de fazer e de dizer o que pensa, outra coisa, bem diferente, é ser obrigado a ficar ou a voltar em lugares que a gente sabe que não são nossos. E que nos adoecem por dentro.

Não é sobre só fazer pelas pessoas o que a gente tem certeza absoluta de que elas fariam nós, mas sobre respeitar-se o suficiente para dizer um belo e sonoro não, sempre que o seu momento, a sua intuição, a sua vontade e a sua essência disserem que é não.

Porque uma coisa é fazer alguns sacrifícios e abdicar conscientemente de algo que você sabe que é importante para você em função de um porquê que é ainda maior e mais importante, outra coisa, bem diferente, é ter que se prejudicar e inverter a ordem dos seus valores mais preciosos só para não gerar um climão.

Não é sobre esquecer o passado, não se preocupar com o futuro e só viver o presente, mas sobre aprender com os nossos erros e nos dedicarmos, no agora, a fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a nossa experiência no mundo faça sentir e faça sentido.

Porque uma coisa é fazer do momento do agora uma nova chance de aprendizado, conquistas e recomeços, outra coisa, bem diferente, é fazer de conta que nada aconteceu e agir de forma irresponsável em relação ao que virá, com a desculpa de que a vida é uma só. E que você precisa vivê-la intensamente.

Não é sobre tentar se encaixar em padrões irreais de beleza e de alta performance só para gerar conexão e aceitação social. Mas sobre cuidar da sua saúde física e mental e fazer o que você sabe tem que ser feito simplesmente pela satisfação e pelo ganho enorme que aquilo te trará. Porque uma coisa é cuidar do seu corpo e da sua vida porque você os ama e respeita, outra coisa, bem diferente, é fazer tudo isso movido pelo ódio, pela pressão ou pelo medo do que possam dizer ou pensar a seu respeito.

Não é sobre só poupar dinheiro e não aproveitar a vida. Mas sobre ter a tranquilidade de saber que você não tem dívidas e que está a cada dia mais perto da sua liberdade financeira.

Porque uma coisa é poupar com consciência e objetivo e entender que a felicidade não é proporcional ao quanto você gasta, outra coisa, bem diferente, é entender o dinheiro como um fim e não como um meio, adotando comportamentos mesquinhos e egoístas ou gastando o que não tem, para comprar o que não precisa, só para agradar ou impressionar pessoas das quais você nem gosta de verdade.

Não é sobre quem visualizou a sua mensagem e não respondeu, mas sobre o quanto isso o abalou e por quê.

Não é sobre quantas vezes você tentou e não conseguiu, mas sobre todos os motivos que o fizeram querer ao menos tentar.

Não é sobre quantos nãos você teve que escutar das outras pessoas, mas sobre quantos sins você teve a coragem de se dizer.

Não é sobre quem dá o presente mais caro numa data especial, mas sobre quem nos faz sentir especiais todos os dias.

Não é sobre o quão longe você chegou em determinada jornada, mas sobre entender se aquele caminho é realmente o que você gostaria de seguir.

Não é sobre quantos lugares você já foi nem sobre quantas pessoas já conheceu, mas sobre tudo o que aprendeu com eles. E sobre a sua capacidade de, apesar de, se sentir em casa e confortável com a própria companhia.

Não é sobre os sacrifícios que você terá que fazer para conseguir o que deseja, mas sobre o quanto aquela meta é realmente uma meta sua. E sobre o quanto ela ainda vale a pena para você.

Às vezes, nem é sobre a própria luta, mas sobre quem estará do seu lado quando ela começar – e quando ela terminar também.

Às vezes nem é sobre quem chega, mas sobre quem permanece.

Às vezes nem é sobre eles, mas sobre você.

Porque, no final de tudo, não é sobre que lhe acontece, entende? Mas sobre o que você faz com aquilo que lhe acontece.

Como dizem: “Medite e solte uns palavrões. Coma salada e batata frita. Hidrate com água e desidrate com vinho. Agradeça a Deus e desça até o chão.”

E não vá se esquecer de ligar o dane-se de vez em quando, por favor. Nem de ser uma pessoa boa. Apesar de.

Pode ser difícil, eu sei.

Mas às vezes nem é sobre ser fácil ou difícil, ou sobre ser certo ou errado, feio ou bonito. Às vezes é só sobre estar em paz mesmo. Estar em paz. E isso basta.


Direitos autorais da imagem de capa: Seth Dole / Unsplash.



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