ColunistasComportamento

Não somos responsáveis pelas ações dos outros, mas somos os únicos responsáveis pelas nossas.

Uma das formas mais maduras e eficazes de se superar uma situação desagradável é o exercício de observação das suas ações perante aquele acontecimento…



Todos nós já passamos por acontecimentos que foram desagradáveis em nossas vidas, momentos onde sofremos decepções causadas por outras pessoas, situações, ou relações. Até então tudo bem, todos sabemos disso, mas o que muda de uma pessoa para outra é a forma como cada um de nós aprende com essas situações e como escolhemos nos comportar dali em diante.

Lance Armstrong, um dos maiores ciclistas da história disse uma vez: “A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará o seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre”. Eu utilizo essa frase para ilustrar a capacidade, ou não, das pessoas darem a volta por cima em determinadas situações, ou apenas se manterem presas a velhos padrões, paradas no tempo, e vendo as coisas se repetirem interminavelmente através de suas próprias ações.

Entenda que dar a volta por cima não significa apenas sair daquela situação, e ficar parado não quer dizer necessariamente permanecer naquela situação, permitindo que ela se repita. Mas muitas vezes paramos internamente, deixamos de evoluir como pessoas, deixamos de aprender com as situações, e se você não é capaz de tirar uma lição construtiva de uma situação é porque não a superou.


Quando vemos isso? Esse exemplo é visível quando as pessoas se preocupam em revidar, em descontar no mundo e nas outras pessoas o que sofreram ou o que passaram. Quando ao invés de pensar: “Se fizeram isso comigo e eu não gostei, não irei fazer com os outros”, começam a agir exatamente da forma contrária, se fizeram tal coisa comigo, também tenho o direito de fazer com os outros.

Um preceito cristão diz bastante sobre isso: “Ofereça a outra face”, e não quero dizer que você deve permanecer ali, deixando que façam coisas erradas com você, pelo contrário, você deve sim se afastar do que te faz mal. Mas é uma valiosa lição sobre não revidar, não tentar pagar na mesma moeda, pois o maior problema dessa ideia, é que acabamos ferindo pessoas que não tem nada a ver com a situação, e afastando alguém que muitas vezes só queria te fazer bem, e isso tudo pela ideia do: “Eu atiro antes e pergunto depois”.

O grande problema dessa postura é que cada vez que você repete com outras pessoas o que alguém fez de negativo para você, não está apenas sendo injusto e egoísta, como também está revivendo internamento aquilo pelo o que você passou, mas agora pelo outro lado, o que eu garanto que não torna as coisas mais fáceis ou menos dolorosas, porque de uma forma ou de outra, você está ali naquela mesma situação, de novo e de novo, como um ciclo interminável do que te magoou, é como assistir um filme muito ruim cem vezes pra ver se ele fica melhor com o tempo.

Uma das formas mais maduras e eficazes de se superar uma situação desagradável é o exercício de observação das suas ações perante aquele acontecimento, entender o que precisa ser entendido, aprender o que precisa ser aprendido e nunca fazer aos outros o mal que fizeram a você, dessa forma poderemos construir estados mentais e emocionais mais saudáveis, e nos sentirmos em paz.


Se alguma pessoa fez algo que te magoou foi porque essa atitude feriu seus princípios e seus valores, agora o quanto será ainda mais doloroso para você diariamente se olhar no espelho e ver que anda tomando decisões que vão contra esses mesmos princípios e valores?

Não terá como culpar o outro, porque não somos responsáveis pelas ações dos outros, mas somos os únicos responsáveis pelas nossas.

Michel Mansur

___________


Direitos autorais da imagem de capa: antonioguillem / 123RF Imagens

Muito pior do que um inimigo explícito é um falso amigo!

Artigo Anterior

A vida é um tabuleiro e vamos nos encaixando ao longo do caminho…

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.