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Não sou mãe, mas sou dinda/tia.

Não sou mãe, mas sou dinda/tia.



Não sou mãe. Quem sabe algum dia possa ser presenteada com esta dádiva de ter uma outra vida habitando meu ventre, sentir um outro coração pulsar junto ao meu.

Quem sabe algum dia eu possa entender o que é esse amor dos quais os poetas, religiosos, filósofos, pensadores, tanto falam e admiram.

Entender o que é sonhar com os dias da chegada daquele que fará com que a vida nunca mais seja a mesma, passar pelas fases, nem sempre tão agradáveis, de uma gestação. Enjoos, dores, mudanças de praticamente 180 graus no corpo da mulher, noites sem sono, um infinito de preocupações, entender que amor é esse que faz alguém decidir abrir mão daquilo que tantos sonham e almejam, em prol de alguém que ainda nem se conhece.


Entender o tamanho deste sentimento que minha mãe sentiu ao saber que me esperava, ao me ter em seus braços.

Talvez, eu só o entenda realmente, quando um anjo estiver habitando meu ventre, quando eu sentir o que minha mãe sentiu, assim terei passado adiante a vida que ela me deu, dando continuidade ao amor e, então, sendo eu mãe, ela descobrirá o que é ser avó.

No entanto, embora não seja mãe, sou dinda e tia. Não, meus irmãos de sangue, não são pais ainda, no entanto, dos amigos e familiares que Deus me deu, fez com que eles se tornassem tão especiais e essenciais que, quando foram agraciadas pelo dom de gerar vidas, eu me tornei primeiro prima, tia e dinda.

Então, dei-me conta de que, quando eles vieram ao mundo, embora não gerados em meu ventre, foram gerados em meu coração. Dei-me conta da responsabilidade, pois a mim foi confiada uma vida. Entendi que enquanto eles crescem eu envelheço e cada dia que passa o amor só aumenta, mas é com eles que aprendo de novo a ser criança.


Como é gostoso lembrar de quando minhas afilhadas e meus sobrinhos ainda eram, nada mais nada menos, que um sonho a se concretizar! Acompanhar o crescimento da barriga delas, ficar preocupada, quando alguma coisa não esperada acontecia.

A emoção da chegada deles ao mundo, a felicidade e amor que tomaram conta. Uma emoção que, de tão grande, não coube no coração e escorreu pelos olhos. Entender que o amor puro e verdadeiro é o que move a vida. E esperar com todo o coração que, todo esse amor que o coração emana para eles, seja verdadeiramente sentido.

Torcer para que eles fiquem ansiosos pela chegada da dinda, da tia, que eles queiram compartilhar suas vidas comigo, que eles possam retribuir com gargalhadas, abraços, beijos e desejando minha presença; que quando cheguem à vida adulta, possam olhar para trás e dizer que a tia/dinda esteve presente nos momentos mais importantes de suas vidas.

Porque o que importa nesta vida, verdadeiramente, não é dar presentes, mas sim estar presente.


É o amor que fica.

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Direitos autorais da imagem de capa: ginasanders / 123RF Imagens


Não permita que abusem de sua bondade, transformado-a em servidão.

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