“Não sou pessimista, sou realista”, será?

“Não sou pessimista, sou realista”, será? Na semana passada escutei esta frase de uma coachee que estava em sua primeira sessão de Coaching comigo.

Ela afirmava que não era inteligente e que era emocionalmente descapacitada para aprender. Ao longo da sessão perguntei a ela o que tinha mais facilidade de aprender. Ela respondeu que tinha grande facilidade com idiomas. Ela falava espanhol (língua nativa), inglês fluente e básico de coreano e francês. Para mim ficou bem claro e para vocês também, não é? Como uma pessoa descapacitada para aprender poderia saber tantos idiomas?

Foi isso o que perguntei e ela que respondeu:

– “Não sou pessimista, sou realista”. E se colocou a me explicar…

Eu entendi que ela não estava errada, afinal, essa era a realidade dela.

Nossa realidade é construída por diversos fatores, onde tudo é influência: lugar que nascemos, nossa cultura, a maneira como fomos criados e principalmente as crenças que formulamos a partir de nossas experiências. Nossas crenças, ou seja, aquilo que acreditamos ser verdade, foram criadas desde que estávamos na barriga da nossa mãe até os sete anos de idade.

Imagine o seguinte: nesta época você era um CD virgem onde as informações que chegavam até você eram gravadas como verdades.

Sim! Porque nesta época você não tinha a capacidade de analisar se aquela informação era verdadeira, falsa, boa ou ruim.

Depois desta idade, formulamos crenças sempre que passamos por alguma situação onde sofremos um forte impacto emocional e elas podem ser positivas ou negativas (limitantes). Ou seja, crença é tudo aquilo que você afirma como verdade e sequer analisa se de fato é ou não. Elas estão gravadas no nosso inconsciente.

Imagine que nós estamos envolvidos no seguinte ciclo: nossos comportamentos geram pensamentos que provocam sentimentos e agimos de acordo com o que sentimos e pensamos. E tudo isso de acordo com as nossas crenças.

Logo, toda crença é autorrealizável e se torna a nossa realidade. Exemplificarei para ficar mais claro. Voltarei com a história da minha coachee:

Ela acreditava, tinha a crença, de que era mentalmente descapacitada para aprender. Como ela se comportava? Como alguém que não consegue aprender, então, ela falava isso para as pessoas. Quando alguém ia ensinar algo, ela saía de perto para não se sentir burra. Ela encolhia os ombros e se diminuía.

O que estes comportamentos a levavam a pensar? “Eu não entendo nada”, “não tenho cabeça para isso”, “isso é muito complicado”.

E como estes pensamentos a faziam sentir-se? Triste, burra, pequena, descapacitada. Então, qual era a realidade dela? Essa. A realidade dela era a que ela criava.

Então, ela me questionou:

– “Mas meus companheiros do trabalho fazem piadas com minha inteligência!”.

Perguntei:

“O que você está comunicando a eles?”.

Ela afirmou:

“Que tenho dificuldade de aprender”.

Agora eu pergunto a você que está lendo: Faz sentido para você essa afirmação?

“Não sou pessimista, sou realista”. Sim, uma vez que você é quem cria a sua realidade e ela é negativa, você está certo. Qual a realidade você está criando para si? O que você foca, expande.


Direitos autorais da imagem de capa: wallhere.com / 1424439



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