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Não sou pior por ser sozinho!

Eu conheço muita gente, (mas muita gente mesmo) que tem horror à solidão. O que seria então essa danada que apavora dias e noites inteiras de milhares de pessoas? Será que se entendêssemos melhor seu significado a temeríamos menos? Sim, porque é fato que tememos o que não conhecemos, todos temem o desconhecido mesmo sendo seduzido por ele. Você pode até ir, mas que no fundo te causa medo, ah sim, sei que causa!



Esbarro todos os dias com pessoas solitárias perambulando pelas ruas ou paradas nas esquinas fumando seu cigarro enquanto ouvem Coltrane. Reparo um brilho estranho nos olhos delas e muitas, possuem olhos opacos, sem vida, sem vontade, só solidão.

Creio eu, que no fundo, todas as pessoas são solitárias. Fomos criados “unos”, únicos e individuais e bem lá dentro a gente sabe, que assim é como tem de ser.

Posso buscar desesperadamente a multidão, me embrenhar no meio de pessoas, de sons, ruídos tão grotescos que me impeçam de ouvir meus próprios pensamentos. Sim, eu posso! Posso fingir, me enganar e dizer pra mim que: “não, imagina! Sozinho, eu? Sou não…” Só que você sabe bem o quanto é.


Mas espere, te contar uma coisa: existe beleza na solidão.
Te falo agora, quase num sussurro.
É pra você acreditar.

Deixa de viver nessa zona toda precisando desesperadamente de gente, barulho por não suportar estar sozinho! Estar sozinho pode ser bom também! É na solidão que a gente se conhece, se encontra, se abraça e se ama. Ao lado do outro, nos limitamos muito no outro e mal pensamos em nós mesmos. Queremos ser aceitos pelo outro, pelo mundo e a ideia de sermos rejeitados por sermos estranhos é terrível demais de imaginar. “O que as pessoas dirão? Me chamarão de solitário, de alguém que não é capaz de viver em grupo!”


A solidão forma um indivíduo. Ela molda e cria uma estrutura tão firme que terremoto algum do mundo exterior consegue estremecer. Estar só é pavoroso no princípio, mas, depois, será encantador! Podemos viver bem com essa sensação que nos ronda sem que isso nos incomode. Eu posso ser feliz vivendo longe de pessoas, civilização, pelo menos no tempo suficiente pra que eu me conheça, me habite e construa meus próprios alicerces.

“No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar.” – August Strindberg

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