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Não vomite, são apenas os altos e baixos

Li numa revista que cientistas americanos fizeram um levantamento sobre os incidentes que ocorrem depois de se andar de montanha-russa. Nos últimos 10 anos, 58 pessoas sofreram lesões cerebrais, sendo que oito delas morreram. Não é um número tão significativo, se levarmos em conta que 320 milhões de pessoas por ano costumam frequentar montanhas-russas instaladas em parques de diversões dos Estados Unidos. 320 milhões que buscam adrenalina num sobe-e-desce esquizofrenizante. Essa gente nunca se apaixonou, não?



Andei de montanha-russa uma única vez. Quase enfartei aos 12 anos de idade. E numa ocasião também andei naqueles brinquedos que fazem um looping de 360 graus a toda velocidade, com a cadeira indo pra frente e pra trás numa tentativa deliberada de quebrar o seu pescoço, e por vezes deixando você de cabeça pra baixo por alguns seculares segundos.

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Nunca mais fui a mesma. Meu coeficiente de inteligência até hoje oscila entre -13 e 240, conforme o horário do dia.
De montanha-russa, basta a vida. Quer impacto, é só viver uma tórrida relação de amor. Namorar uma pessoa que às vezes está a fim e às vezes não, que à noite parece que vai pedir você em casamento e na manhã seguinte parece que nunca mais vai telefonar. Montanha-russa é você ter certeza de que a paixão é o único sentimento que justifica a existência do ser humano e, depois da primeira decepção, não ter a menor dúvida de que tudo não passa de uma baboseira literária para enganar os trouxas.

Quer ter a sensação de que sua cabeça vai explodir? Tenha filhos. Durante o almoço eles amam você e durante o jantar eles sugerem que você faça uma viagem pra Cabul. De manhã eles estudam e à tarde eles arrumam a mochila pra fugir de casa. Na quinta-feira sua filha fica com o Jorge, na sexta fica com o Rique e no sábado fica em depressão. Na segunda-feira seu filho bate com o carro, na terça ele esquece um baseado dentro da gaveta e na quarta ele diz que não tem a menor ideia de como aquilo foi parar ali.


Se a gente quer sobe-e-desce, basta acompanhar a cotação do dólar. Queda livre? Salários. Ziguezague? Estradas esburacadas. O que não falta no mundo são situações que estimulam nosso sistema nervoso. Vou andar de montanha-russa e correr o risco de comprimir minha coluna vertebral a troco de quê? Sofro e me divirto aqui no chão mesmo.

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Escrito por Vânia Galceran

Publicado originalmente: Café sem culpa

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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