Família

Nathalia Dill fala sobre culpa por se sentir cansada depois do nascimento da filha: “Não tenho direito”

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A atriz de 35 anos, mãe de Eva, de 1 ano, falou abertamente do julgamento na maternidade em sua rede social.

Quando uma criança nasce, nasce também uma mãe. Por mais que as mulheres sejam ensinadas durante a infância e boa parte da adolescência sobre seus papéis de gênero, é com a chegada dos filhos que tudo se intensifica. A maternidade traz bons momentos, mas também uma série de culpabilizações e pressões que vão muito além de ser ou não uma boa figura materna.

Sempre direcionadas para a maternidade, às mulheres coube a posição de gerar crianças e cuidar do ambiente doméstico, seja para lutar contra o déficit populacional nos períodos de guerras, seja para permitir aos homens alçar voo no mercado de trabalho, para que ganhassem dinheiro e cuidassem das suas carreiras profissionais.

O artigo “Armadilhas da culpabilização materna”, de Alana Aragão Ávila, permite alguma noção sobre o delinear da sociedade, que sempre busca formas de colocar mulheres sob um estereótipo domesticado e passivo.

Optar por ter filhos é uma possibilidade atual, mesmo que apenas para as mulheres das classes média e alta, já que o acesso a métodos contraceptivos e educação sexual ainda não são democráticos. Mesmo em 2022, as mulheres ainda sentem o peso social de sempre estar aquém do desejado pela cultura e pela comunidade, como se fossem impostoras e péssimas genitoras.

Basta um pensamento nutrido na ausência da criança para que se sintam culpadas. É como se precisassem respirar com os filhos, dormir e acordar com eles. Essa culpa materna é tão pesada e complexa, que faz com que mulheres do mundo inteiro acumulem pensamentos negativos, inclusive sobre a própria remuneração, sentindo-se perfeitas “bruxas” por pensar  nas carreiras profissionais, algo que sempre foi dado de bandeja ao homem, mesmo com filhos na conta.

A atriz Nathalia Dill, de 35 anos, usou suas redes sociais para falar abertamente sobre os julgamentos que as mães enfrentaram e enfrentam na maternidade. Em determinado momento, uma seguidora respondeu na caixa de perguntas da artista, dizendo que ela se sentia culpada quando dizia que queria descansar.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @nathaliadill.

Mãe de Eva, de 1 ano, Nathalia respondeu à seguidora falando um pouco de sua experiência com a maternidade, mas fazendo um importante recorte de classe e contexto sociais. A atriz disse que também se sentia culpada por querer descansar, e como sempre teve uma rede de apoio presente e ativa, acreditava que não tinha o direito de se sentir cansada. Mesmo alimentando esses pensamentos, ela explica que as pessoas que a ajudavam nunca a fizeram se sentir dessa forma, mas que a maternidade idealizada e imaginária a colocava nessa posição de precisar estar sempre alerta.

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Para milhões de outras mulheres, a culpa materna surge com pesos diferentes, sendo que, para a maioria, ter uma rede de apoio já é um luxo sem precedentes. Alimenta-se a ideia de que a mulher, quando “escolhe” ser mãe, tem a obrigação de lidar com todas as demandas existentes: da criança, da casa, financeira, do casamento e da família. Retira-se da mãe a subjetividade humana, ela passa a ser uma espécie de entidade pública que todos podem julgar.

Quando uma mulher tem filhos, sua posição no mercado de trabalho fica abalada, muitos empregadores acreditam que uma mãe daria “prejuízo” à empresa. Enquanto para o homem pai, essa lógica se inverte. Muitos são contratados justamente porque passam a sensação de confiança e comprometimento quando dizem que têm filhos, mesmo que nem sequer passem tempo de qualidade com as crianças.

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Usar os espaços de privilégio para falar sobre comportamentos e imposições sociais às mulheres é um bom começo para que essa culpabilização materna comece a ser repensada. A mulher-mãe merece descanso, merece tempo sozinha ou com os amigos, sair, cuidar da carreira profissional, assim como os pais dessas mesmas crianças. A saúde mental e emocional dessas mulheres está em jogo.

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