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A natureza como fonte de inspiração para as relações humanas…

Desde o centro do planeta, passando pelo magma e pela rocha, até à cidade, repleta de mansões e favelas, sustenta e apoia, igualmente: eis a Terra e sua solidez.

Desde os mistérios da floresta, passando pelo campo, onde só permanece em pé uma única árvore não derrubada pelo homem, até a cidade, repleta de exclusões e falsas inclusões, flutuando suavemente, envolve e abraça, democraticamente: eis o vento e seu mágico sopro.


Desde a nuvem escura e densa, passando pelo céu iluminado por raios, até a cidade, repleta de questionamentos e falsas afirmações, caindo lenta ou fortemente, refresca e renova, fraternalmente: eis as gotas de chuva e seu poder de alimentar todo o ciclo hidrológico do planeta.

Desde o infinito do universo, passando pela montanha mais alta e pelo árido deserto, até a cidade, repleta de sonhos e desilusões, propagando-se decididamente, toca e aquece, indistintamente: eis o sol e seu calor na medida certa.

Desde a imortalidade da alma, passando pelo pulsar do coração, até o cérebro, anatômica e psicologicamente equilibrado pelos lados esquerdo e direito, numa magia transcendental… Terra… vento… chuva… sol… eis o milagre da vida!


A natureza é inspiradora: nela, os iguais não se digladiam, havendo um respeito mútuo, uma procura por viver em harmonia, salvo em momentos específicos.

Na natureza, apenas as espécies diferentes rivalizam entre si, tão somente em busca de sua própria sobrevivência, num aparente caos que resulta no equilíbrio de toda a cadeia ecológica.

A natureza nos oferece, gratuitamente, o suporte da terra, a energia do vento, a renovação da chuva, o calor do sol. Para continuarmos usufruindo de tudo isso, precisamos apenas tratá-la com carinho, atenção, respeito. Percebo que a natureza estabelece com o homem uma relação de amor, na sua forma mais pura, genuína.

E o que temos visto nas relações entre os seres humanos? Atentados terroristas; violência gratuita; intolerância religiosa; discriminação contra as minorias; valorização do descartável e supérfluo; busca desenfreada por uma beleza ilusória e inatingível, manipulada por programas de edição de imagem e alimentada por substâncias maléficas à saúde; discursos extremistas; capitalismo selvagem.


Ao mesmo tempo em que as relações humanas são capazes de flutuar sobre as águas do mar com atos de gentileza, amor, carinho, sensibilidade, respeito, dignidade, companheirismo, afeto; também se afogam em vaidades, superficialidade, falsidade, insensibilidade, traição, preconceitos, materialismo, trocas de favores, maldades, orgulho, inveja, falta de amor e de dignidade. É perceptível um desequilíbrio que não está se revertendo em nenhum tipo de equilíbrio, diferindo consideravelmente do comportamento da natureza.

Recordei-me da seguinte colocação do ambientalista James Lovelock:

“Não é a terra que é frágil. Nós é que somos frágeis. A natureza resiste a catástrofes muito piores do que as que produzimos. Nada do que fazemos destruirá a natureza. Mas podemos facilmente nos destruir”.

Precisamos respeitar a nós mesmos, ao próximo e à natureza. Somos todos iguais, independente de cor, raça e credo, pelo simples fato de sermos humanos. 

Observar as relações que se estabelecem na natureza, compreendê-las e aplicá-las às nossas vidas pode ser o caminho para alcançarmos a verdadeira paz e felicidade!
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Direitos autorais da imagem de capa: lkoimages / 123RF Imagens





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