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Nego Di comete transfobia contra Linn da Quebrada em show de stand-up

Foto: Reprodução
Nego Di comete transfobia contra Linn da Quebrada em show de stand up

Nego Di, ex-participante do BBB 21, praticou transfobia contra Linn da Quebrada, durante um show de stand-up.

Com “piadas” totalmente desrespeitosas, o “humorista” não poupou em tentar ser engraçado trazendo cenas que envolvem Lina na última edição do programa, como o beijo dado em Maria em uma das festas do Big Brother Brasil.

Após falar sobre as partes íntimas da atriz, Nego Di comentou: “Para quem não sabe quem é Linn da Quebrada, é a travesti que estava no ‘BBB’ e acabou de sair. Agora é assim que se fala, a travesti. Quando é travesti é porque tem a peça, ainda não cortou”. Em seguida, ele falou que estava ansioso para acompanhar o BBB 22 e comentou sobre o fato de Lina ter beijado uma mulher na casa.

“Teve a primeira festa, estava assistindo e do nada [aconteceu] o bagulho mais aleatório da minha vida. Não sei se vocês viram, eu estava sentado com a nega velha [sua parceira]. A travesti pegou uma ‘mina’, beijou uma ‘mina’. Que isso? Os travecos querem me enlouquecer? O que ela quer, o que ele quer o que ‘elu’ [pronome não binário] quer? O cara vira mulher, coloca silicone, coloca cabelo, toma hormônio, para sair para pegar umas ‘minas’? Nunca tinha visto traveco ‘machorra’ na minha vida”, declarou o humorista, que misturou identidade de gênero, que é a forma como a pessoa se identifica, com orientação sexual, que é o termo que designa com quem a pessoa deseja se relacionar.

“Esse vídeo criminoso do Nego Di que tá rondando por aí. [Estamos em] 2022 e o cara acha que ele falar esse bando de merda num stand-up é normal ou se quer divertido? Que nojo”, disse um seguidor. “O Nego Di insiste nessa carreira falida de comediante com esse humor medíocre e despeja toda burrice dele fazendo piada que só faz sentido pra ele e pra quem tem dois neurônios igual a ele. Nego Di desiste. Você não é engraçado. Só é burro e transfóbico mesmo”, escreveu outro.

“Nego Di, mais uma vez, faz comentários transfóbicos contra a Lina, do ‘BBB 22’. Por que ele ainda não foi processado?”, perguntou mais um. As críticas parecem não ter abalado de forma algum o ex-BBB, que celebrou nas redes sociais a repercussão do seu vídeo: “Enquanto a ‘lacrolândia’ ‘tenta’ cancelar comediante por piada, meus números só crescem! Obrigado pelo engajamento, comunidade LGBTQIA+… amo muito vocês! Beijo no bumbum”.

Transfobia é crime!

Apesar de transfobia e homofobia não serem a mesma coisa – um diz respeito à violência contra a identidade de gênero e o outro à orientação sexual – a criminalização da homofobia pelo STF, em junho de 2019, se estende a toda comunidade LGBT e também equipara atos transfóbicos ao crime de racismo. Nesta matéria aqui, explicamos como denunciar esse tipo de crime.

Maria da Penha

Outra lei que protege as mulheres trans, em especial, da transfobia é a Lei Maria da Penha. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em maio de 2019, um projeto que inclui mulheres transgêneras e travestis na Lei de proteção à mulher.

A proposta altera um artigo da lei que diz “toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião” não pode sofrer violência, incluindo o termo “identidade de gênero”. A proposta está parada na Câmara e especialistas preveem que caráter mais conservador dos Deputados será um obstáculo.

Entretanto, há casos de transfobia julgados como violência doméstica. Em maio de 2018, uma decisão inédita da Justiça do Distrito Federal indicou que os casos de violência contra mulheres trans podem ser julgados na Vara de Violência Doméstica e Familiar e elas devem ser abarcadas em medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.


Se você presenciar um episódio de violência contra crianças ou adolescentes, denuncie o quanto antes através do número 100, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.

O mesmo número também atende denúncias sobre pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, população LGBT e população em situação de rua. Além de denúncias de discriminação étnica ou racial e violência contra ciganos, quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais.

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