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Nem todos os que te feriram tiveram essa intenção. Perdoe-os.

Caro leitor(a), você conhece a expressão “vítima de vítimas”? Caso você não conheça, vou explicar do que se trata.


Essa expressão refere-se às pessoas que são emocionalmente sequeladas em decorrência de abusos emocionais, geralmente dos pais ou pessoas mais próximas do convívio familiar. Seria alguém com feridas emocionais oriundas de alguma relação nociva com  alguém que também foi machucado. Sabe quando alguém não dá carinho porque nunca recebeu? Então, quero tratar disso.

Nem todos os que te feriram tiveram essa intenção. Perdoe-os.

Aqui, vou deixar de fora, os casos de ferimentos intencionais, ou seja, quando, por exemplo, os pais sabem a forma correta de tratar uma criança mas não o fazem por negligência ou crueldade mesmo. Citei os pais, mas se aplica à qualquer pessoa que tenha influência direta sobre alguém ainda imaturo emocionalmente (professores, babás, tios, avós, etc.). Eu me refiro aqui às pessoas que deixam marcas negativas na vida de uma pessoa pelo fato de ela desconhecer a forma correta de lidar com o outro, especialmente uma criança,  visto que ela aprendeu aquela forma de tratamento como a ideal, não configurando numa intenção premeditada de ferir ou causar danos em quem esteja sob os seus cuidados.

Resumindo: é quando alguém machuca sem intenção, por ignorância, tendo, inclusive, a melhor das intenções, acreditando estar ofertando o seu melhor, afinal foi o que ele recebeu e o que ele tem como  referência de tratamento. Acredito que se cada um de nós buscarmos compreender como foi a vida das pessoas que  nos machucaram, excluindo as que nos machucaram por maldade mesmo,  fica muito mais fácil de perdoá-las. Basta entendermos que elas ofereceram o que elas tinham naquele momento. Daí, tiraremos o nosso foco das atitudes nocivas delas e focaremos nas intenções delas, que podem ter sido as melhores.


Isso é uma excelente ferramenta emocional para nos libertarmos e libertarmos os “tiranos” da nossa existência. Trata-se de uma ressignificação de uma vivência traumática, reelaborando-a e contextualizando-o, buscando elementos que possam atenuar a nossa forma tão dolorosa ou revoltante  de percebê-la.

Nesse processo, a ignorância de quem nos feriu, a história de vida dele e o entendimento dele de estar fazendo o que é certo podem entrar como fatores atenuantes, uma espécie de advogados de defesa dos nosso algozes e nos facilitarão nesse ressignificado de um episódio ou mesmo uma longa fase que tenha nos sequelado emocionalmente ou mesmo fisicamente. Basta pensarmos que, se nossos pais foram rudes conosco, por exemplo, imaginemos o quão difícil podem ter sido a criação deles.


E não nos iludamos, pois também seremos apontados por nossos filhos no futuro como responsáveis por algum desconforto emocional, ou algo do tipo. Mas temos certeza de que ofertamos o nosso melhor a eles, dentro das nossas possibilidades.

Portanto, seremos merecedores do perdão deles.

Então, os nossos pais também merecem e pronto. Vamos olhar os nossos pais com  mais compaixão, evitando culpá-los por nossos supostos fracassos. Eles nos deram o que tinham, em termos emocionais, espirituais, afetivos, materiais etc.

Renato Russo nos deixou uma música que fala bem disso: ” você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo, são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer” (Pais e filhos).

Bem, é esse o meu apelo: vamos buscar uma forma de ressignificar nossos traumas oriundos das relações com nossos pais. Todos sairão ganhando com isso.

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Direitos autorais de imagem de capa: pressmaster / 123RF Imagens





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