Felicidade

Ninguém quer ser feliz sozinho

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Eu sempre fui romântica. Choro em casamento, adoro músicas e comédias românticas, filmes da Disney, histórias com final feliz e todos os clichês, exceto dia dos namorados.



Primeiro porque é um dia antes do meu aniversário e como eu AMO fazer aniversário, sempre me irritou o fato dessa data querida competir com o dia dos namorados.

Segundo que, se eu não estava saindo com ninguém, sempre rolava uma reflexão sobre a vida amorosa. Se eu estava saindo com alguém, mas não era sério, ficava aquela situação estranha sobre tocar ou não no assunto. E, quando eu estava namorando, tinha sempre a pressão para comprar um presente e reservar uma mesa com um mês de antecedência para jantar em um restaurante abarrotado que geralmente servia um menu “especial” péssimo que custava 4 vezes mais do que o normal. Ah! Também tem a pergunta clássica: “E aí, você ganha um presente ou dois?”. Tenho boas justificativas para não gostar, vai?

Voltando ao romantismo…


Quando eu tinha 20 anos, eu acreditava em almas gêmeas predestinadas. Tinha certeza de que um dia eu olharia nos olhos daquele que seria o amor da minha vida e saberia que era ele. Nos encontraríamos, a cena ficaria em pausa enquanto nos reconheceríamos e depois de um beijo apaixonado viveríamos felizes para sempre.

Aos 25, depois de achar que eu tinha encontrado umas 5 almas gêmeas e não ter sido feliz para sempre com nenhuma delas (ainda bem), comecei a acreditar que talvez ela não fosse predestinada e sim escolhida.

Aos 30, comecei a duvidar até da existência da alma, já que gêmea eu estava convencida de que não existia.

A verdade é que, independentemente da idade, não podemos negar que a nossa vida amorosa tem uma enorme participação no que diz respeito à felicidade. Ela tem a capacidade de nos fazer extremamente felizes, mas também, de gerar ansiedade, depressão e até tristeza, dependendo das expectativas que criamos em relação ao tema.


E, depois de muitos anos, cabeçadas, experiências boas e ruins eu aprendi uma coisa: a nossa felicidade nunca deve ser responsabilidade de outra pessoa, mas ninguém quer ser feliz sozinho.

Mas, se todo mundo quer ter alguém para chamar de seu, por que será que é tão difícil encontrar um amor? Talvez porque, sem perceber, acabamos cometendo alguns desses enganos:

1) Não nos respeitamos

Contrariando o que muita gente diz por aí, eu não concordo totalmente que devemos amar a nós mesmos para que o outro também nos ame. Muitas vezes, nossa frustração vem do fato de que o outro não nos ama como nós nos amamos ou achamos que deveríamos ser amados. O que tenho percebido, na verdade, é que muita gente não se respeita, mesmo sem saber disso.


As pessoas fazem com a gente aquilo que nós deixamos que elas façam. Se todos os caras que você se apaixona são cafajestes, não ligam no dia seguinte, só te chamam para sair durante a semana, fazem joguinhos e não querem nada sério, todos eles tem uma coisa em comum: você.

É duro ouvir isso, mas é verdade. Quando a gente atrai sempre o mesmo padrão de homem, o problema está no nosso comportamento e na nossa atitude.

Se não vemos problema nenhum em transar com um cara no primeiro encontro, por exemplo, não adianta a gente se apaixonar pelo tipo machista que acha que “mulher que dá no primeiro encontro não serve para namorar” e ainda ficar sofrendo porque ele não quis.

Ou, sabe aquele casinho que você já está saindo há um ano na esperança de que um dia vai se tornar namorado e, de repente, ele aparece com uma namorada e você fica arrasada? Se você tem a intenção de um dia namorar com ele, não deixe ele virar um caso diga na lata que quer algo mais!


Muitas podem dizer: “Ah, mas se eu fizer isso ele vai sumir.”

Que suma. Se vocês querem coisas diferentes, ele não serve para você. É disso que eu estou falando quando digo que a gente precisa se respeitar para que os outros também nos respeitem.

2) Não queremos nos expor

Não é raro hoje em dia encontrar mulheres na faixa dos 30 e poucos anos que sejam bonitas, inteligentes, bem vestidas, bem sucedidas, independentes e… solteiras. Em teoria, elas são perfeitas. Falam as coisas certas, riem das piadas, tem coisas interessantes para contar, histórias de viagens, hobbies, são independentes, se sentem prontas e querem um relacionamento, mas não conseguem encontrar alguém que queira namorar com elas.


Até rolam 3 ou 4 encontros e, subitamente, as mensagens param de ser respondidas. Aquele convite para o cinema é declinado com uma desculpinha esfarrapada na última hora ou são surpreendidas com a presença dele na balada bem na noite que ele te disse que ia ficar em casa porque tinha um almoço de família no interior no dia seguinte.

Não adianta fazermos tudo certo na superfície se lá no fundo tem algo errado. Para ter um relacionamento de qualidade é preciso se conhecer, saber lidar com as próprias emoções e, principalmente, não ter medo de ser vulnerável. Isso significa não ter medo de se expor e se permitir ser imperfeita aos olhos daquele que você quer impressionar, mesmo correndo o risco de ser rejeitada.

Quando sabemos o que nos fará ou não felizes e estamos 100% confortáveis com quem somos e com o que queremos, não é preciso confabular por horas com as amigas sobre o porquê dele não ter ligado mais. Nem ficar se martirizando pensando no que possa ter sido dito ou feito de errado. Se ele não ligou mais, é porque não se interessou por aquilo que tínhamos a oferecer e, nesse caso, ele também deveria deixar de ser interessante para a gente.

3) Estamos desesperadas


Não existe problema nenhum em estar solteira, mas eu entendo que chega uma hora que cansa ficar sozinha. Eu também já passei por isso. Mesmo amando ir para a balada e estando solteira por opção, tem sempre aquele dia quando o terceiro cara nada a ver chega na gente com o mesmo papo furado e tudo o que conseguimos pensar é: até quando? Olhando para ele com um sorrisinho blasé.

O perigo disso é que, além de começarmos a achar que qualquer cara aparentemente legal que pegue o nosso telefone e realmente ligue é o amor da nossa vida, as chances de que a gente cometa os outros erros acima são ainda maiores. Isso resulta em relações superficiais que não dão em nada e só acrescentam mais frustração.

O desespero para ter um namorado faz com que, cada vez que a gente comece a sair com alguém novo, nossas expectativas de que aquilo vire um relacionamento sejam tão altas que acabamos aceitando coisas que não fazem o menor sentido para a gente.

Por isso o autoconhecimento é tão importante. Quando sabemos o que queremos e o que nos faz realmente felizes, a probabilidade de cairmos em armadilhas diminui bastante. Outra coisa fundamental para que sejamos capazes de ter relacionamentos saudáveis e evitar dramas desnecessários nas nossas vidas é HONESTIDADE.


Devemos não só ser honestos com os outros, mas principalmente com nós mesmos. Também é importante aprendermos a aceitar as nossas imperfeições e a dos outros, o que não significa que não precisamos trabalhar para sermos pessoas melhores ou que devemos passar por cima dos nossos valores só para agradar a outra pessoa.

Quando entendemos que somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade, deixamos para trás a necessidade de estar com alguém para ser feliz. Isso faz com que a gente se sinta bem e em paz, independentemente do status de relacionamento no Facebook :)

Imagem: Joe McDermott

Fonte: Escrito por Fê Neute via Feliz com a Vida


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