Ninguém sabe mais o que é melhor para mim do que eu mesma.



Atemporalidade…

Recebi o convite para o aniversário de uma amiga muito querida que completa trinta anos. No convite, ela colocava um trecho referente à famosa crise dos trinta. Mas, em contrapartida, ela dizia que o autor do texto estava enganado e que devemos comemorar nossos trinta anos.

Concordo com ela e acho que devemos celebrar sempre, qualquer idade, qualquer feito.

Sei que vivemos numa sociedade, sei que existe o inconsciente coletivo, e sei também que o que os astrólogos chamam de planetas exteriores, demarcam essas chamadas crises: dos trinta, quarenta, cinquenta…

Mas, na verdade, os planetas exteriores em trânsito sempre demarcam fases, não propriamente crises, e isto acontece desde quando somos crianças.

Acredito que essas fases revelam-se de forma muito distinta, de um ser para o outro. E para muitos vão aparecer como oportunidades e não crises. Tudo é muito pessoal neste sentido.

O que quero dizer é que nunca comprei essas crises. Acho que isto é porque não fico me enquadrando em fases ou idades. Eu simplesmente sou, e vivo minha vida como sou e estou. Nunca penso, ou pensei se tenho 20, 30, 40, 50 anos…”

Como disse anteriormente, vivemos em sociedade. Existem as pressões como consequência disso, assim como os modismos e a compra e venda de tudo, inclusive de ideias, comportamentos e crises.

Nunca me liguei à idade, por isso acho que nunca vivenciei uma destas crises, pelo menos não da forma como é vendida. Também nunca fiquei pensando na idade que estaria chegando, e que eu teria que estar fazendo – ou não fazendo – isso ou aquilo.

Meu processo de autoconhecimento e de viver minha vida é independente da idade que eu tenha, e eu não sigo, porque não me interessa seguir, os ditames da sociedade. 

As fases da vida existem, mas acredito que se passe por elas de uma forma estritamente pessoal e em um tempo não tão demarcado assim.

Há beleza em cada fase da vida, assim como vantagens e desvantagens, como em tudo. Eu não encaro o tempo como um inimigo. Tenho minhas crises sim, assim como já as tive. Mas crises que sinto brotarem de dentro. Não crises que vêm de fora, insistindo em como eu deva me comportar, pensar ou sentir.



Nunca fui ligada à moda, talvez isto ajude. Assim como não me preocupo em estar usando o que as pessoas estão usando, também não me preocupo em fazer o que estão fazendo, sentir o que estão sentindo, pensar como estão pensando, nem vivenciar as crises que estão vivenciando.

Pois, por mais que eu viva em sociedade e me relacione com os outros, sou um ser único com meus próprios gostos, pensamentos, sentimentos, desejos e comportamentos. Ninguém sabe o que é melhor para mim do que eu mesma.

Não vou deixar de usar uma roupa que eu goste, só porque não está na moda. Não vou amar de um jeito que não é o meu só porque todo mundo agora ama assim. E, por isso, não vou também antecipar crises que no fundo não fazem parte de mim.

Nunca me vi com essas questões: “E agora, tenho trinta anos?!” “Quarenta anos, o que vou fazer?”. Vivenciei sim: “Estou precisando mudar algumas coisas em minha vida”. “As coisas não estão tão boas como eu gostaria.”

“Estou precisando desenvolver certos aspectos em mim mesma.” Tudo isso, sem conexão com a minha idade cronológica, se é porque tenho 30 ou 40 anos. Porque isso, sinceramente, não me importa, não é relevante.

Não sou uma mulher moderna, também não sou uma mulher antiga, nem contemporânea, nem à frente do meu tempo. Sou uma mulher atemporal.

É interessante que tive uma luz outro dia. Olhando uma revista, num consultório médico, percebia o quanto de botox está sendo usado pelas pessoas e comecei a pensar nessa questão do tempo e da idade. Percebi como fico no meu centro, no meu eixo, em relação a isso tudo, e tive o insight de que, quando a morte me levar, ainda estarei neste mesmo centro, inteira, observando tudo a minha volta…

Anna Leão

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Direitos autorais da  imagem de capa: baranq / 123RF Imagens






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