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Ninguém se cura abrindo outro machucado!

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Senta aqui do meu lado, vamos conversar. Traz junto um lencinho, um copo com água e um CD do Skank.



Confortável? Espero que sim. Vamos começar.

Lembra quando a gente era criança e saía correndo pelo quintal procurando o gato da vizinha que havia se escondido entre as flores? Quantas vezes nossas mães disseram “não corre, você vai se machucar!”, mas a gente continuou correndo até que BOOM! Em algum momento da corrida o pé ficou preso, e o tropeção veio, seguido de um segundo de silêncio que depois abriu espaço às lágrimas.

Cair e machucar-se é tão inevitável quanto respirar. Sim, é inevitável, pois mesmo sabendo dos perigos, mesmo vendo o chão duro à nossa frente, insistimos em correr. E não, machucar não é um problema. Na verdade, se não nos machucarmos quando somos crianças também não criaremos defesas em nossos organismos contra as bactérias.


Bem, acho que você já percebeu onde vamos chegar.

Você vai cair, pode apostar que vai. Você vai sentir dor e vai sangrar, e vai chorar também. E isso vai acontecer porque você é um ser humano vivo e, enquanto há vida, há dor.

A dor é uma reação e não uma consequência. Mas, diga-me: como seus machucados de infância eram curados? De modo natural, não é mesmo? Ou por acaso em uma das situações você se jogou contra uma árvore para que outra parte do corpo fosse machucada?

Bem, assim como seus machucados físicos, os da alma necessitam de cuidado, tempo e cicatrização. E não, eles não vão sarar mais rápido se outro ferimento for aberto, seja em você, ou seja nos outros.


Permitir que outra pessoa entre em sua vida enquanto suas feridas ainda estão abertas é o mesmo que dizer “Hey, venha até aqui! Eu adoraria sangrar mais um pouquinho”. E não, isso não é uma ironia. A pessoa que adentrar seu coração terá de arcar com a bagunça que ficou para trás, e nem sempre ela saberá como fazer isso. Talvez ela vá tentar curar suas feridas com um pouco de água morna, bem devagar, ou talvez ela vá tacar um punhado de sal para estancar o sangramento de uma só vez.

Há quem fingirá não ver suas feridas, e há quem simplesmente vai meter o dedo e ver sua lágrima cair. As pessoas são diferentes de nós, e as que chegam em nossas vidas no hoje não têm culpa pelo que aconteceu ontem.

Por isso, primeiro vá se curar para depois querer abrigar no peito gente que também tem feridas. Sim, a pessoa que vai chegar também tem sentimentos, também foi desiludida, traída, enganada, deixada de lado e muito mais.

Seu novo futuro amor também já enfrentou poucas e boas e talvez ainda não tenha se curado inteiramente.


Não abra a porta do castelo enquanto suas torres estiverem fragilizadas. Não caminhe de mãos dadas enquanto não souber se equilibrar estando só. O momento certo para permitir-se envolver mais uma vez é aquele em que você está livre de seus próprios pesos.

Acredite, um novo sorriso talvez não seja a melhor opção nesse momento. Ao menos, não enquanto você lê um texto como esse e começa a pensar insistentemente em uma das pessoas que passou pela sua vida. Quando sua hora chegar você vai perceber. Você vai ficar bem, vai dormir em paz, vai pisar com firmeza, sem medo de tropeçar novamente na mesma pedra de antes.

Espere, relaxe, respire. Permita ao ar renovar seus pensamentos, e à água limpar sua alma. Plante um jardim dentro de você e logo flores cobrirão a cicatriz da ferida que um dia esteve aberta.

Quando você florescer por completo, as borboletas farão morada em você, e então é hora de voar novamente. 


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Direitos autorais da imagem de capa: aleshyn / 123RF Imagens

Quanto mais você conhece si mesmo, melhores serão seus relacionamentos!

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