No auge do desespero, perdoar e acolher a si mesmo…

Eu sei que, muitas vezes, a gente gostaria de poder pedir a uma parte de nós para ela ficar em casa e em silêncio, como se a nossa própria companhia não fosse uma boa ideia.

Normalmente, isso ocorre quando notamos em nós uma terrível incapacidade de lidar com os próprios sentimentos e a facilidade com que palavras absurdas saem da nossa boca e cometemos atos impensados e destruidores.

O pior é que, apesar da consciência de estarmos agindo de maneira errada com tudo ao redor, naquele momento, parece impossível recuar. É como quando se tem uma crise de riso em horário inoportuno. Você sabe que não deveria, mas o riso não pode ser contido.

Ao mesmo tempo em que descemos ladeira abaixo dizendo aquilo que não deveríamos, sentimos uma culpa imensa e um desejo quase insano de sair do próprio corpo, de abrir um zíper no peito e pular para fora e correr sem direção, com o único objetivo de se distanciar daquela parte descontrolada da gente mesmo.

A sensação de fracasso e vergonha são venenos que acrescentam ainda mais estragos ao nosso emocional.

Controlar a si mesmo é semelhante a correr atrás de um trem desgovernado, tentando pará-lo para evitar um acidente em uma escala ainda nem inventada.

Eu sei como é sentir que não consegue dominar o dragão que existe dentro da gente. Também sei como os impulsos nos transformam em pessoas que não gostaríamos de ser e que resultam em situações que simplesmente não sabemos como agir para consertá-las.

Graham Greene diz que “o desespero é o preço que se paga ao se dar um objetivo impossível” e eu imagino que isso se aplica a essa situação, quando tentamos passar uma borracha nos erros que a nossa ansiedade nos levou a cometer, como se eles nem tivessem existido.

A cobrança que colocamos sobre nossos ombros para sermos perfeitos e fechar os olhos para quem realmente somos nos deixa desesperados e atraímos ainda mais dor e sofrimento.

Infelizmente, não existe uma pílula mágica para mudar as coisas em um segundo, mas, existe um passo importante a se dar para começar a mudar dentro de si aquilo que prejudica a nossa própria vida: perdoar-se.

Parar, fechar os olhos, respirar fundo e perdoar a si mesmo. Entender como é importante se acolher como acolheria alguém que você tanto ama em sua vida.

Enxugar sem pressa as próprias lágrimas e dizer a si mesmo que sabe o quanto tem sido corajoso e a força que tem usado para agir com mais leveza e compaixão.

Perdoar-se para parar de se punir o tempo todo, para diminuir a confusão mental e ser capaz de descobrir um caminho mais claro, um propósito maior, uma solução eficaz e que nada tenha a ver com se torturar emocionalmente por ainda não ter total autocontrole. A gente precisa aprender a se perdoar por não conseguir compreender as diferenças entre as pessoas e viver tentando impor os nossos desejos.

Eu não sei você, mas eu não conheço nenhum ser humano que nasceu perfeito. Nunca houve nesse mundo alguém que soubesse sempre a hora certa de falar, como falar e para quem falar sem antes ter rasgado a própria pele e dilacerado o próprio coração.

Então, sempre que você sentir o descontrole emocional tomando conta de você, a ansiedade e a insegurança arrastando o seu corpo para o escuro do porão, por favor, não se condene. Apenas pare, feche os olhos, respire fundo e se perdoe.

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Créditos da ilustração: Agnes Cecile



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